27 de julho de 2026

Aplicativos que identificam pássaros estão fazendo sucesso entre jovens e curiosos

Tecnologia Aves 27/07/2026 08:00 Liv McMahon - BBC News bbc.co.uk

Observadores de pássaros contam à BBC como aplicativos modernos estão transformando o antigo hobby de observar aves, atraindo novos interessados, especialmente os mais jovens, que usam a tecnologia para aprender e compartilhar suas descobertas.

Megan Szostak, de 26 anos, sempre foi uma "criança dos pássaros".

A vontade de observar e apreciar o mundo ao seu redor - e os pássaros que voam por ele - está com ela desde a infância, quando ganhou os binóculos do avô depois que ele faleceu.

  • O aplicativo Merlin Bird ID já foi baixado 42 milhões de vezes no total.
  • Ele consegue identificar mais de 11 mil espécies de pássaros, quase todas as que existem no mundo.
  • A ferramenta de identificação por som já foi usada mais de 4,4 bilhões de vezes.
  • Jovens da Geração Z estão cada vez mais interessados em observar pássaros.
  • Um novo aplicativo, o Lifer, transforma a observação de aves em um jogo de colecionar cartas virtuais.

Com os binóculos e um guia de campo em sua cidade natal, São Francisco, ela começou a identificar pássaros desde cedo.

Mas, nos últimos anos, seu kit de ferramentas para observar aves ganhou algo muito mais moderno: um aplicativo.

"Amigos que provavelmente não se consideravam observadores de pássaros, mas apenas curiosos sobre a natureza, me recomendaram o aplicativo", disse Megan.

Ela é uma entre milhões de pessoas que baixaram o Merlin Bird ID, um aplicativo que diz ser capaz de identificar quase qualquer pássaro pela aparência, canto ou chamado.

"Acho que foi uma ferramenta muito boa que eu integrei à minha rotina de observação de pássaros", afirmou.

Seja por causa das ondas de calor que levam mais pessoas para fora de casa, ou pelo interesse dos mais jovens, esses aplicativos estão explodindo em popularidade.

O principal deles é o Merlin Bird ID, desenvolvido pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell.

Segundo a diretora Jessie Barry, o aplicativo foi baixado 12 milhões de vezes só em 2026, com um total de 42 milhões de downloads.

Ela diz que o aplicativo percorreu um longo caminho desde que foi lançado nos Estados Unidos em 2014, quando sistemas de aprendizado de máquina conseguiam identificar 285 espécies comuns de pássaros a partir de fotos.

Uma grande conquista na época, mas uma década depois, ele já consegue identificar 11 mil espécies - quase tantas quantas existem no mundo.

Barry atribuiu o desenvolvimento à inteligência artificial e a "uma comunidade incrível de observadores de pássaros globais que enviam suas gravações", o que significa mais dados para treinar a tecnologia.

O aplicativo não é perfeito, mas faz sucesso

Observadores experientes diriam que o aplicativo nem sempre acerta.

Alguns especialistas e organizações alertam para não confiar demais no Merlin, ou em outros aplicativos parecidos, especialmente para registrar avistamentos oficiais.

Mesmo assim, a Cornell diz que a ferramenta de identificação por som já foi usada 4,4 bilhões de vezes.

Outros aplicativos de identificação de pássaros também estão crescendo. O Birda, por exemplo, teve 31% mais downloads este ano, segundo a empresa de inteligência de mercado Sensor Tower.

Esse crescimento recente reflete a popularidade crescente da observação de pássaros entre os jovens.

"Não temos muitas informações demográficas, mas podemos ver claramente a mudança para um público mais jovem", disse Barry.

"As pessoas que compartilham suas experiências com o Merlin, falando que estão começando a observar pássaros pela primeira vez, às vezes dizem coisas como 'agora que tenho 30 anos, sou um observador de pássaros'.

"Tem sido muito divertido ver os mais jovens entrarem nessa."

Um álbum de recordações social

Para Megan, ter métodos de identificação por áudio e visual no Merlin reflete a natureza "inclusiva e acessível" da observação de pássaros.

"Muita gente observa pássaros usando os ouvidos ou os olhos", disse Megan.

"Você não precisa usar todos os seus sentidos enquanto observa pássaros, o que é incrível."

Ela reconhece as críticas "justas" de que o aplicativo às vezes erra, mas diz que ele ajudou a abrir um hobby "que antes era visto como reservado para um tipo muito específico de pessoa com um conhecimento específico".

Megan, que faz parte de um grupo da Geração Z que compartilha suas observações nas redes sociais, também publica seus avistamentos no TikTok e no Instagram.

"Eu realmente gosto de ver essas memórias e criar esses vídeos. Não sou uma videomaker profissional, mas acho que minha maior força é desacelerar e prestar atenção", acrescenta Megan.

"Criar os vídeos me incentiva a fazer isso ainda mais."

Um 'Shazam para pássaros' que virou jogo

O Merlin é frequentemente chamado de "Shazam para pássaros", em referência ao aplicativo da Apple que identifica músicas usando o microfone do celular.

Mas alguns fãs acharam que ainda dava para melhorar.

Sam Lewis, um engenheiro de software de 32 anos que mora em Stockport, usou o Merlin por vários anos antes de criar seu próprio aplicativo de identificação de pássaros, o Lifer.

O aplicativo permite que as pessoas colecionem cartas virtuais de seus achados, com ilustrações em aquarela feitas à mão por sua parceira, Emily.

Ele pegou ideias de outros jogos: as cartas mudam de acordo com a qualidade da imagem ou da gravação de som usada para identificar o pássaro, além da raridade da espécie.

Sam espera atrair pessoas que, como ele, sentiram a emoção de um famoso jogo de colecionar monstros ao usar o Merlin para identificar e salvar seus avistamentos de pássaros.

"Eles são como Pokémons da vida real, se você pensar bem", disse ele.

Conservação e diversão

Sam acredita que sua ideia pode contribuir para os esforços de conservação da natureza.

Para evitar que o uso desses aplicativos leve as pessoas a procurar espécies em momentos inadequados, o Lifer esconde as localizações exatas de pássaros raros durante períodos sensíveis de reprodução.

Os registros dos avistamentos também são enviados para o Global Biodiversity Information Facility, uma rede internacional que fornece acesso aberto a dados sobre todos os tipos de vida.

Segundo Barry, o plano para o futuro do Merlin é continuar mantendo a simplicidade.

"Queremos que o Merlin seja divertido e fácil de usar, acima de tudo, e que seja um lugar onde você possa mergulhar e pensar sobre o mundo dos pássaros", disse ela.

"É tentar oferecer a melhor experiência com a tecnologia de um dispositivo móvel, mas incentivando você a sair, olhar para esses pássaros e aproveitar essa experiência com eles."


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