05 de novembro de 2026

Polícia prende suspeitos de vender remédios de câncer falsos em SP

Saúde Medicamentos 05/11/2026 08:34 David de Tarso - Jovem Pan jovempan.com.br São Paulo SP

A segunda fase da Operação Laziosi prendeu três pessoas e bloqueou até R$ 15 milhões em bens de uma rede suspeita de falsificar e vender medicamentos para tratamento de câncer. A ação ocorreu em seis cidades paulistas e visa desarticular um esquema criminoso que comercializou produtos sem o princípio ativo necessário para cura.

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil realizaram, na manhã desta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Laziosi. A operação investiga uma organização suspeita de falsificar e vender medicamentos usados para tratar o câncer. A investigação é liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio das equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (DEINTER 3).

As autoridades cumpriram três mandados de prisão preventiva e 18 ordens de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades de Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e na capital paulista. Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos suspeitos e a suspensão das atividades de sete empresas investigadas.

  • 39 notas fiscais foram identificadas entre janeiro e novembro de 2024, totalizando cerca de R$ 1,5 milhão em vendas do medicamento falsificado.
  • R$ 15 milhões em bens e valores foram bloqueados pela Justiça para garantir o ressarcimento de eventuais danos causados pela fraude.
  • 7 empresas tiveram suas atividades suspensas judicialmente, pois estavam envolvidas na cadeia de distribuição dos remédios falsos.
  • 9 unidades do medicamento Opdivo, falsificadas, foram envolvidas no esquema; uma foi usada em paciente e as demais substituídas.
  • 6 cidades de São Paulo, incluindo a capital, tiveram seus endereços alvos de buscas e apreensões na segunda fase da operação.

Início das investigações

As apurações começaram em 2024, quando uma fabricante de medicamentos alertou as autoridades sobre a suspeita de que um lote falsificado do Keytruda, remédio usado contra diferentes tipos de câncer, estaria sendo vendido por uma distribuidora no interior paulista. Havia a preocupação de que o produto tivesse chegado a um hospital da capital.

Os exames laboratoriais e periciais confirmaram que o produto era fraudulento. O laudo apontou que o medicamento não continha o princípio ativo, ou seja, a substância química responsável por fazer efeito no corpo do paciente e combater a doença. Sem essa substância, o remédio é ineficaz e pode até causar danos à saúde.

A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2024. Durante as diligências, os investigadores mapearam uma rede de empresas que tinham possível conexão entre si. A análise apontou que algumas dessas empresas não possuíam uma estrutura física e operacional compatível com os endereços que informavam oficialmente, levantando suspeitas de empresas de fachada.

Vendas fraudulentas e origem dos produtos

Entre janeiro e novembro de 2024, a polícia encontrou 39 notas fiscais relacionadas à venda do medicamento falsificado. Esses documentos somavam aproximadamente R$ 1,5 milhão. As notas indicavam que houve negociação com estabelecimentos de saúde localizados em sete diferentes estados brasileiros, o que demonstra o alcance nacional do esquema.

Outro ponto central da investigação é a comercialização de nove unidades do Opdivo, outro medicamento usado em tratamentos contra o câncer, em abril de 2025. A fabricante confirmou que esses produtos também eram falsificados. O caso se agravou quando uma das unidades falsas chegou a ser administrada em um paciente. As outras oito unidades foram recolhidas e substituídas.

A origem das unidades substituídas foi rastreada e ligada a uma carga de medicamentos roubada em Minas Gerais, em novembro de 2024. Isso sugere que o esquema criminoso pode estar se aproveitando de cargas roubadas para repor os produtos falsificados ou, ao menos, de documentos de origem ilegítima. A investigação também detectou uma inconsistência grave: a nota fiscal de um fornecedor tinha data posterior à venda do medicamento, o que é impossível e indica falsificação de documentos.

Decisões judiciais e acusações

Em uma fiscalização realizada em outubro deste ano, a polícia constatou que algumas das empresas investigadas continuavam operando normalmente, mesmo diante das suspeitas. Diante disso, a decisão judicial mais recente autorizou a prisão preventiva de três investigados e impôs medidas cautelares a outras nove pessoas.

O juiz também determinou a suspensão das atividades de sete empresas apontadas na investigação, além de aplicar restrições patrimoniais e financeiras. O caso apura suspeitas de formação de organização criminosa, falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro. É importante ressaltar que as medidas cautelares não representam condenação, pois os acusados têm direito ao devido processo legal e à presunção de inocência até o julgamento final.


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