22 de setembro de 2026

Esquecer coisas nem sempre é Alzheimer: saiba quando procurar um médico.

Saúde Memória 22/09/2026 15:55 Rafael Damas - Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

Um neurologista esclarece que lapsos de memória são comuns e não indicam demência. A avaliação médica é essencial apenas quando os esquecimentos se tornam frequentes, progressivos e afetam a rotina diária, pois existem diversas causas tratáveis além do Alzheimer.

Cerca de 57 milhões de pessoas conviviam com demência no mundo em 2021, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A previsão é de que quase 10 milhões de novos casos sejam diagnosticados anualmente.
Dentre as doenças que causam a condição, o Alzheimer é o mais prevalente, responsável por 60% a 70% dos registros.

Esses números demonstram a gravidade do cenário, mas destacam um ponto crucial: esquecer-se de coisas não é sinônimo de ter Alzheimer.
Da mesma forma, nem toda alteração na memória significa demência.
A demência é uma síndrome que afeta a memória, o raciocínio e outras funções cognitivas, dificultando a realização de tarefas cotidianas.
Embora seja mais comum em pessoas acima de 65 anos, ela não é consequência natural e inevitável do envelhecimento.

  • Cerca de 57 milhões de pessoas no mundo têm demência, sendo o Alzheimer a causa mais comum.
  • Esquecer o nome de alguém ou onde colocou um objeto não significa ter uma doença neurodegenerativa.
  • O alerta é dado quando a perda de memória vira rotina e atrapalha a autonomia do dia a dia.
  • Fatores como estresse, problemas de sono e falta de vitaminas também podem causar esquecimento.
  • Até 45% dos riscos de demência podem ser reduzidos com mudanças de hábitos saudáveis.

É exatamente nesse momento que a consulta médica ganha importância.
Humberto Barbosa, neurologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), afirma que o sinal de alerta não é o esquecimento isolado.
O foco deve ser na repetição, na persistência ou na evolução do problema e, sobretudo, no impacto sobre a independência da pessoa.
Esquecimentos ocasionais são normais, mas quando a perda de memória é frequente, progressiva ou atrapalha as tarefas diárias, especialmente quando notada pela família, é hora de investigar. Sem pânico, mas também sem ignorar o sinal, orienta o especialista.

Esquecimento é um sintoma, não um diagnóstico fechado

Escolher onde colocou a chave, não lembrar o nome de alguém na hora ou entrar numa sala e esquecer o motivo são situações que podem ocorrer com qualquer pessoa saudável.
O que exige atenção é quando esses episódios começam a formar um padrão constante.
A dificuldade pode surgir quando a pessoa repete as mesmas histórias, esquece fatos recentes, tem dificuldade para fazer tarefas que já dominava, se perde em lugares conhecidos ou apresenta mudanças de comportamento e dificuldade de organização.

A diferença não está em pequenos esquecimentos pontuais, mas em notar um padrão de repetição, persistente ou progressivo, que afeta a autonomia.
A avaliação médica visa entender e corrigir, quando possível, as causas e tratar antes que os danos aumentem, explica Humberto.

Muitas causas podem explicar a perda de memória

A investigação é necessária porque são diversas as razões para a alteração da memória.
Problemas de sono, falta de nutrientes, alterações no metabolismo, doenças clínicas e certos medicamentos podem prejudicar a atenção e o funcionamento cognitivo.

A OMS reforça que a demência tem variadas origens.
Fatores de risco incluem hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, perda de audição ou visão, vida sedentária, tabagismo, consumo excessivo de álcool, isolamento social e traumas cranianos.

Portanto, ter esquecimentos não leva automaticamente à conclusão de que existe Alzheimer.
As causas são inúmeras.
Desde falta de absorção de vitaminas até insônia crônica.
A consulta especializada é essencial para uma visão ampla, além da simples queixa de esquecer, afirma o médico.

Quando o Alzheimer é o foco da investigação

O Alzheimer é a principal causa de demência, mas seu diagnóstico exige avaliação clínica cuidadosa.
Segundo o National Institute on Aging (NIA), a idade é o maior fator de risco conhecido, mas a doença envolve uma mistura de fatores genéticos, ambientais e de saúde geral.
A genética pode elevar o risco: a variante APOE e4 está ligada a maior probabilidade da doença, mas carregá-la não garante o desenvolvimento do Alzheimer.
Também existem mutações raras nos genes APP, PSEN1 e PSEN2 associadas a formas hereditárias de início precoce.

Outro ponto vital é que muitos fatores de risco podem ser modificados ao longo da vida.
Em julho de 2026, a OMS estimou que até 45% do risco de demência está ligado a fatores que podem ser evitados ou controlados.
Isso inclui tabagismo, uso nocivo de álcool, inatividade física, isolamento social, poluição do ar, hipertensão e diabetes.
É importante esclarecer: esse número refere-se ao risco geral de demência, não significa que 45% dos casos de Alzheimer podem ser totalmente prevenidos.

O papel da família no reconhecimento precoce

Em muitas situações, é a família que percebe primeiro que certo comportamento não é mais um esquecimento ocasional.
Mais do que contar os números, é fundamental observar o que mudou em relação à rotina habitual.
Perguntas simples ajudam a identificar a necessidade de avaliação: o esquecimento está se repitando
Está piorando
A pessoa teve dificuldade para fazer tarefas que antes resolvia sozinha
Houve perda de autonomia

Deve-se suspeitar de demência quando os esquecimentos prejudicam as atividades do dia a dia.
Portanto, a assistência especializada é vital para olhar além da queixa simples.
Quanto mais cedo a causa for reconhecida, menor será o dano, destaca Humberto.

A recomendação final é equilibrar atenção e calma, evitando tanto a negligência quanto o alarmismo excessivo.
Esquecimento é um sinal e um sintoma, mas as causas são variadas e nem todo episódio indica demência.
Quando a alteração se torna persistente, progressiva ou interfere na autonomia, a avaliação especializada é o caminho correto para descobrir a origem e definir o tratamento adequado.


Aa

Receba atualizações

no seu e-mail