21 de setembro de 2026

Ansiedade e culpa: como a infertilidade afeta a saúde mental

Saúde Infertilidade 21/09/2026 08:49 Assessoria de imprensa da Clínica Genics

Especialistas alertam que o processo de reprodução assistida pode gerar depressão, estresse e isolamento. Homens e mulheres sofrem de formas diferentes, mas a busca por ajuda psicológica é essencial para lidar com a dor e evitar o suicídio.

A espera por um filho, mesmo quando cheia de esperança, traz inseguranças e ansiedade. Na reprodução assistida, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) enfatiza a necessidade de acompanhamento psicológico. Isso ocorre porque os impactos emocionais são intensos, especialmente durante tempos de espera ou frente a resultados negativos.

O cuidado com a mente, ainda visto como tabu em algumas áreas da saúde reprodutiva, ganha importância cada vez maior. Compreende-se agora que a jornada para ter um bebê envolve dimensões emocionais e relacionais, não apenas médicas. Na Clínica Genics, esse suporte faz parte da rotina dos pacientes, conforme explica o sócio-fundador, Philip Wolff.

Os números mostram a dimensão do problema. Uma análise científica de 2024 na revista Archives of Gynecology and Obstetrics, que estudou mais de 53 mil mulheres inférteis, revelou dados alarmantes sobre a saúde mental dessas mulheres.

Rapinhas sobre o impacto emocional na infertilidade

  • Metade das mulheres ouve sinais de estresse: 78,8% relataram estresse no estudo de 2024.
  • Depressão afeta 1 em 4: 22,9% apresentaram transtorno depressivo maior.
  • Ansiedade é comum: 13,3% sofrem de ansiedade generalizada.
  • Anomalia global: 1 em cada 6 adultos no mundo enfrenta infertilidade em algum momento.
  • Prevenção salva: o acompanhamento psicológico pode evitar que a dor vire uma crise de depressão.

O objetivo, segundo Wolff, é que as pessoas se sintam parte do processo e valorizem a si mesmas. A saúde mental abrange a autoestima e busca minimizar efeitos da depressão diante de resultados difíceis. O objetivo é que as pessoas se sintam pertencentes ao processo e a si mesmas, valorizando o tratamento. A saúde mental envolve múltiplos aspectos, como o cuidado com a autoestima e, por exemplo, inclui minimizar impactos de depressão e resultados difíceis dentro do processo da reprodução assistida, diz o especialista.

A psicóloga perinatal Camila Gaspar, da Genics, destaca que o apoio não deve começar apenas na dor intensa. O cuidado pode ser preventivo, ajudando a lidar com incertezas desde o início. Isso é crucial para processar as emoções que surgem ao longo do caminho reprodutivo.

Quando buscar ajuda profissional

É vital procurar ajuda se a experiência refletir no trabalho, nas relações ou na autoimagem. A diferença entre um sofrimento normal e uma doença mental tem critérios claros, afirma a profissional.

A avaliação clínica considera a intensidade, a duração dos sintomas e o impacto na rotina. Isso permite distinguir uma reação natural de um quadro que requer tratamento. A avaliação deve considerar a intensidade e a duração dos sintomas, o contexto em que eles aparecem e os impactos que provocam na rotina e no funcionamento da pessoa. Dessa forma, é possível diferenciar um sofrimento emocional esperado diante de uma experiência difícil de um quadro que necessita de atenção clínica, afirma Gaspar.

A ciência confirma a gravidade: 22,9% dos casos de infertilidade levaram à depressão maior, 13,3% à ansiedade generalizada e 31,6% apresentaram sintomas depressivos em escalas de avaliação.

No entanto, sofrimento não é sinônimo de transtorno. A reacção à dificuldade é humana e valida a dor, sem necessariamente indicar uma doença. O sofrimento emocional pode ser uma reação compreensível diante de uma experiência difícil e não significa, necessariamente, a existência de um transtorno mental. Por isso, é importante acolher e validar esse sofrimento sem, de um lado, minimizar aquilo que a pessoa está vivendo e, de outro, transformar automaticamente uma reação emocional em um diagnóstico, explica a psicóloga.

Como homens e mulheres convivem com a dor

A infertilidade gera tristeza, ansiedade e culpa nos dois sexos. A diferença está em como a sociedade permite a expressão de cada um.

Nos homens, o assunto toca na masculinidade e na potência sexual. Isso dificulta o fala, levando a sintomas silenciosos como irritabilidade, isolamento ou uso de substâncias.

Nos homens, a infertilidade atinge diretamente questões relacionadas à masculinidade e à potência sexual, o que muitas vezes dificulta a verbalização do sofrimento, e o impacto emocional aparece de maneira menos evidente, por meio de silêncio, irritabilidade, isolamento, dedicação excessiva ao trabalho ou uso de substâncias.

As mulheres tendem a verbalizar mais a dor, associada a ansiedade e depressão. Há mais espaço social para falar sobre isso. Contudo, a forma de demonstrar o sofrimento é influenciada pelos papéis de gênero, não indicando que um sexo sofra mais que o outro.

Culpa e julgamento social

Frequentemente, quem tenta engravidar sente culpa ao ver outra pessoa grávida. Isso não significa ser egoísta, mas sim uma dor legítima.

A cobrança interna transforma reações normais em culpa. Pensamentos como deveria estar feliz ou estou sendo uma pessoa ruim são comuns nessa situação delicada.

A especialista explica que a culpa pode surgir quando a pessoa acredita que deveria sentir apenas alegria diante da gravidez de alguém próximo. Existe uma expectativa social de que uma notícia de gravidez seja recebida com alegria, mas, para quem enfrenta dificuldades para engravidar, essa notícia pode despertar sentimentos diferentes ao mesmo tempo. É possível amar alguém, desejar sinceramente a sua felicidade e, ainda assim, sentir tristeza diante daquilo que a própria pessoa está vivendo. O importante é reconhecer e validar esses sentimentos, sem transformá-los em um julgamento moral sobre si mesma, diz Camila Gaspar.

Prevenção ao suicídio e suporte

Em Setembro Amarelo, a orientação é buscar ajuda se a dor for persistente. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas. A rede pública também oferece suporte através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).


Aa

Receba atualizações

no seu e-mail