26 de agosto de 2026

Estomatite: entenda a inflamação que causa feridas na boca

Saúde Estomatite 26/08/2026 14:15 Equipe de Saúde - Extra extra.globo.com

Especialista explica as causas da estomatite, como diferenciar de aftas e como prevenir durante o inverno.

Pelo nome, muita gente imagina que a estomatite tenha alguma relação com o estômago. Só que, na prática, é uma inflamação da mucosa da boca que pode atingir regiões como língua, gengivas, interior das bochechas, céu da boca e lábios.

Além de dolorosa, pode dificultar atividades simples do dia a dia, como comer, beber e até falar. Segundo a otorrinolaringologista Dra. Cleonice Hirata, do Hospital Paulista, o termo não se refere a uma doença específica, mas a um processo inflamatório com diversas origens: "A estomatite pode ser causada por infecções virais, fúngicas e, menos frequentemente, bacterianas, além de traumas provocados por mordidas, aparelhos ortodônticos ou próteses mal adaptadas, bem como alergias, doenças autoimunes, tumores, deficiências nutricionais e até reações a determinados medicamentos".

Um dos equívocos mais comuns é colocar no mesmo saco qualquer ferida na boca como estomatite ou acreditar que toda estomatite seja apenas uma afta. Enquanto a afta é uma pequena úlcera isolada, a estomatite costuma envolver uma inflamação mais extensa da mucosa, com múltiplas lesões, vermelhidão, inchaço, ardência e dor intensa. Em alguns casos, especialmente quando a origem é viral, podem surgir febre e aumento dos gânglios do pescoço. Feridas persistentes, que não cicatrizam em até duas semanas, endurecimento, sangramento fácil ou alterações de cor precisam ser avaliadas por um especialista para descartar outras doenças, inclusive lesões pré-cancerosas ou câncer de boca.

Embora muitas pessoas achem que o frio cause diretamente a estomatite, o inverno não a provoca sozinha. O que ocorre é que essa época do ano reúne fatores que favorecem seu aparecimento ou agravamento, como maior circulação de vírus respiratórios, permanecer por mais tempo em ambientes fechados, ressecamento da mucosa pelo clima seco e menor ingestão de água, além de quedas temporárias da imunidade devido a infecções, estresse, noites mal dormidas e alimentação inadequada. "Não existe uma relação direta entre o frio e a estomatite", afirma Hirata. "O inverno cria um cenário que favorece alguns tipos da doença, principalmente os relacionados a infecções virais e ao ressecamento da mucosa".

A estomatite pode acometer pessoas de todas as idades, mas alguns grupos apresentam maior predisposição, especialmente crianças pela maior exposição a vírus em creches e escolas; idosos que utilizam próteses dentárias ou têm boca seca; e pessoas com doenças crônicas como diabetes, câncer, HIV ou outras condições que comprometem o sistema imunológico. Pacientes em tratamento com medicamentos imunossupressores, quimioterapia ou radioterapia também apresentam maior risco.

Como prevenir Embora nem todos os casos possam ser evitados, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco: manter boa higiene bucal, ingerir água regularmente, manter alimentação equilibrada, corrigir próteses que estejam causando atrito, evitar alimentos irritantes quando há sensibilidade, não compartilhar objetos de uso pessoal em caso de suspeita de infecção viral, e fazer acompanhamento médico com odontólogo para identificar alterações na cavidade oral precocemente.

Quando procurar um especialista Na maioria das vezes, pequenas lesões desaparecem sozinhas em poucos dias. Contudo, sinais como feridas que persistem por mais de 14 dias, são grandes, numerosas ou extremamente dolorosas, surgem repetidamente sem causa aparente ou estão associadas a febre alta, dificuldade para engolir ou sinais de desidratação indicam avaliação médica. "Nessas situações, a avaliação profissional é fundamental para identificar a causa da estomatite, indicar o tratamento mais adequado e descartar outras doenças que possam exigir acompanhamento específico", conclui a Dra. Cleonice Hirata.


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