Audiência pública na CLDF aponta falhas no planejamento da Secretaria de Saúde, com falta de informações sobre déficit de funcionários e carência de especialistas na rede pública.
Uma audiência pública realizada nesta quinta-feira (6), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), expôs falhas no planejamento da Secretaria de Saúde (SES-DF) diante da falta de informações detalhadas sobre o déficit de servidores e a carência de especialistas na rede pública.
A discussão foi marcada por críticas de parlamentares e representantes do controle social à ausência de dados consolidados sobre vacâncias, distribuição de profissionais e necessidades de cada carreira. Segundo representantes da SES-DF, foram registradas 125 vacâncias em 2026, mas a pasta admitiu não dispor, no momento, de um levantamento detalhado por carreira.
- Faltam dados sobre o número exato de profissionais que faltam em cada área da saúde.
- Há carência de especialistas, e algumas áreas estão há mais de dez anos sem concurso.
- Existem 18 Caps no DF, mas o ideal seria 74 unidades para atender a população.
- A falta de manutenção dos equipamentos prejudica até o transporte de medicamentos.
- Embora a gestão divulgue avanços, a falta de transparência ainda é um grande problema.
Presidente da Comissão de Saúde da CLDF, a deputada Dayse Amarilio (PSB) classificou o número como insuficiente para representar a realidade enfrentada nas unidades. Para ela, a falta de informações compromete a elaboração de políticas para recomposição do quadro e dificulta o planejamento da rede, especialmente diante das restrições orçamentárias.
Outro ponto de preocupação é a falta de concursos para determinadas carreiras de especialistas. Segundo a parlamentar, algumas áreas estão há mais de dez anos sem novos certames. Ela também questionou previsões anteriores de contratação de mais de 3 mil profissionais sem a existência de concursos vigentes que permitissem as nomeações.
Saúde mental em alerta
A audiência também revelou problemas na área de saúde mental. Atualmente, o DF possui 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), enquanto estimativas apresentadas durante a discussão apontam uma necessidade de aproximadamente 74 unidades. Em Planaltina, por exemplo, foi relatado que uma unidade funciona com apenas um médico e uma enfermeira, sem equipe completa de psicólogos e assistentes sociais.
Problemas na logística
Na estrutura logística da SES-DF, também foram relatadas dificuldades. A Subsecretaria de Logística em Saúde enfrenta problemas com equipamentos, incluindo empilhadeiras que estariam quebradas há cerca de dois anos. A situação teria levado farmacêuticos a realizar carregamento manual de materiais. A própria direção da secretaria reconheceu que as condições estão longe do ideal.
Números apresentados
Apesar das deficiências apontadas, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, apresentou resultados positivos da gestão. Entre os números destacados estão as 55.320 cirurgias realizadas em 2025, crescimento de 33,3%, além da redução das filas para exames de ressonância magnética e avanços no atendimento oncológico.
O secretário também citou resultados da Rede Inteligente de Saúde (RIS), que, segundo a pasta, teria proporcionado uma economia de R$ 30 milhões em apenas um mês por meio da redução do tempo de permanência de pacientes em leitos de UTI.
Controle social cobra transparência
Para representantes do controle social, entretanto, os indicadores positivos não eliminam a necessidade de ampliar a transparência e fortalecer o diálogo com quem acompanha diariamente os problemas da rede.
O presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho, criticou a participação limitada do controle social na formulação das políticas públicas. Segundo ele, os conselhos acabam sendo acionados principalmente para cumprir exigências burocráticas, sem participação efetiva nas decisões.
O promotor Marcelo Barenco, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), destacou a importância das audiências públicas como instrumento de fiscalização e diálogo. Para ele, a participação de diferentes setores pode ajudar a identificar problemas que nem sempre são percebidos internamente pela administração.
A audiência deixou evidente um desafio para a gestão da saúde no DF: conciliar os avanços apresentados pela secretaria com a necessidade de transparência sobre o déficit de profissionais, a estrutura das unidades e as demandas que permanecem sem resposta. Sem dados completos e atualizados, parlamentares e órgãos de controle avaliam que o planejamento da rede fica comprometido.

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF





