Uma pesquisa publicada em 2023 descobriu que o hantavírus, que causa uma doença respiratória grave, pode ficar no sêmen de homens infectados por até seis anos. Isso fez com que cientistas passassem a investigar se o vírus pode ser transmitido por sexo, mas até agora os casos confirmados são muito raros. O estudo analisou um paciente na Suíça que teve o vírus e, mesmo anos depois, o material genético do vírus ainda estava presente no sêmen. Especialistas explicam que os testículos são uma área do corpo que protege alguns vírus de serem eliminados pelo sistema de defesa. Apesar da descoberta, ainda não há provas de que o hantavírus seja uma doença sexualmente transmissível comum.
Um estudo publicado em 2023 na revista científica Viruses levantou novas dúvidas sobre o comportamento do Hantavírus no corpo humano. A pesquisa descobriu que o vírus pode ficar no sêmen por até seis anos depois da infecção, fazendo os cientistas discutirem se a doença pode ser passada pelo sexo.
- O hantavírus pode ficar no sêmen por até seis anos após a infecção.
- O estudo foi feito com um paciente infectado pela variante Andes, a única que tem casos de transmissão entre pessoas.
- Os testículos são uma área do corpo que protege alguns vírus, dificultando a eliminação pelo sistema imunológico.
- A transmissão por sexo ainda é considerada muito rara, e não há provas suficientes para afirmar que é comum.
- A principal forma de pegar o vírus continua sendo o contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados.
O estudo foi feito pelo Laboratório de Spiez, na Suíça, e analisou um paciente infectado pela variante Andes do hantavírus, que é a única cepa com registros de transmissão entre humanos.
Como o vírus age no corpo
Segundo os pesquisadores, o vírus não foi encontrado no sangue, na urina nem nas vias respiratórias do paciente anos após a infecção. No entanto, fragmentos virais continuavam presentes no sêmen 71 meses depois da recuperação.
A descoberta fez com que especialistas começassem a discutir se o hantavírus poderia, no futuro, ser considerado uma possível infecção sexualmente transmissível.
Por que os testículos protegem o vírus
Em entrevista ao jornal Metro, a médica Suzanne Wylie explicou que os testículos são considerados áreas "imunologicamente privilegiadas", o que ajuda alguns vírus a ficarem por longos períodos.
"Os espermatozoides têm características biológicas incomuns e podem provocar respostas do sistema imunológico. Isso cria um ambiente em que certos vírus conseguem ficar ativos mesmo depois de desaparecerem do sangue e do sistema respiratório", afirmou.
Apesar da descoberta, os especialistas reforçam que ainda não existem provas suficientes para afirmar que o hantavírus seja transmitido sexualmente de forma frequente.
"A transmissão sexual confirmada do hantavírus continua sendo extremamente rara, e as evidências ainda são muito limitadas. Neste momento, isso representa mais uma preocupação científica e de saúde pública do que a comprovação de uma nova forma de transmissão", destacou a médica.
Como se pega o hantavírus
Atualmente, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Em alguns casos específicos envolvendo a cepa Andes, já houve registros raros de transmissão entre pessoas.
Segundo especialistas, o contato próximo entre pessoas infectadas pode representar um risco potencial, motivo pelo qual algumas orientações médicas recomendam cautela após a recuperação da doença.
E o uso de preservativos
Suzanne Wylie também afirmou que ainda não há recomendações oficiais para uso prolongado de preservativos após infecção por hantavírus, mas ponderou que isso pode mudar caso novos estudos confirmem risco real de transmissão sexual.
E o corpo feminino
Outra dúvida dos pesquisadores envolve o comportamento do vírus no organismo feminino. Até o momento, não existem estudos que comprovem se o hantavírus consegue ficar por longos períodos em tecidos vaginais da mesma forma que ocorre no sistema reprodutivo masculino.
"Os testículos têm um ambiente imunológico muito específico e protegido. Não sabemos se o mesmo acontece no organismo feminino", explicou.
A especialista ressaltou ainda que a principal forma de contágio continua sendo a exposição a roedores infectados e seus excrementos.
"O principal meio de transmissão segue sendo o contato com roedores infectados. A transmissão entre humanos ainda é considerada incomum fora de surtos específicos envolvendo o vírus Andes na América do Sul", afirmou.
Mesmo assim, ela alerta que a descoberta exige atenção da comunidade científica.
"Se estudos futuros confirmarem que o vírus pode ficar no sêmen e ser transmitido sexualmente muitos anos após a infecção, a transmissão sexual precisará ser reconhecida como uma importante via secundária de contágio", concluiu.

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