10 de outubro de 2026

Mãe da deputada Eduarda Campopiano recebe auxílio do INSS há 8 anos

Politica Benefício 10/10/2026 14:01 Guilherme Bernardo / Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Débora Campopiano, mãe da deputada estadual Eduarda, recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do INSS, mesmo tendo 59 anos e vendendo cursos de artesanato online. O caso levantou questionamentos sobre a compatibilidade da renda da família com as regras do benefício social, já que a filha é uma parlamentar de alta visibilidade e renda.

Débora Campopiano, mãe da deputada estadual eleita por São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há pelo menos oito anos. Aos 59 anos, a artesã recebe o auxílio destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade. O caso foi divulgado neste sábado (10) pelo jornal O Globo.

Segundo a publicação, Débora recebe o benefício desde pelo menos 2019 e também divulga e comercializa cursos de artesanato pela internet. Não há informações públicas sobre os valores que ela teria obtido com essas atividades, nem confirmação oficial de que os rendimentos sejam incompatíveis com as regras do programa social.

  • Débora tem 59 anos e recebe o BPC na modalidade para pessoas com deficiência, uma vez que a categoria para idosos exige a partir de 65 anos.
  • A mãe da deputada possui perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores, onde vende cursos de bonecas de pano.
  • Eduarda Campopiano já participou da divulgação dos cursos da mãe, inclusive oferecendo aulas gratuitas que davam acesso a conteúdos pagos.
  • A regra geral exige renda familiar per capita de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405), mas não ficou claro se a renda da filha, de mais de R$ 10 mil, é considerada no grupo familiar.
  • A assessoria da deputada não respondeu se a mãe mora com a parlamentar, informação crucial para o cálculo da renda familiar.

Renda familiar é um dos critérios para receber o BPC

Um dos pontos não esclarecidos pela reportagem é se Eduarda mora com a mãe. Procurada pelo O Globo, a assessoria da parlamentar não respondeu à questão. A informação é relevante porque a renda dos integrantes considerados no grupo familiar pode influenciar diretamente a avaliação do benefício. Pelas regras gerais do INSS, a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a um quarto do salário mínimo, equivalente a aproximadamente R$ 405.

Também é exigida a inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), além do cumprimento dos demais critérios legais para a concessão do benefício. A análise técnica depende das condições individuais da solicitante, da atividade exercida e dos rendimentos efetivamente recebidos por todos os membros do grupo familiar que moram juntos.

De acordo com informações da Câmara Municipal de Praia Grande citadas na reportagem, Eduarda já comentava na rádio Jovem Pan pelo menos desde 2022. Em 2025, ao assumir o mandato de vereadora no município, passou a receber remuneração mensal superior a R$ 10 mil. Essa mudança de status financeiro levanta dúvidas sobre a elegibilidade da mãe para um benefício assistencial.

A assessoria não esclareceu se Débora obtém renda com os cursos de artesanato ou se eventuais ganhos foram informados ao INSS. Até o momento, as informações divulgadas publicamente não comprovam irregularidade na concessão ou na manutenção do auxílio, ficando a cargo do órgão gestor a verificação final.

Eduarda foi eleita com votação expressiva

Aos 23 anos, Eduarda foi eleita deputada estadual pelo PL com 1.956.238 votos, nas eleições de 4 de outubro. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, havia conquistado uma cadeira na Câmara Municipal de Praia Grande, em 2024, consolidando sua carreira política ligada ao bolsonarismo.

A parlamentar ganhou visibilidade nas redes sociais por discursos conservadores e críticas ao feminismo e a políticas públicas voltadas a minorias. Também se posiciona publicamente contra cotas raciais e critica a tipificação do feminicídio na legislação brasileira.

O caso envolvendo o benefício recebido pela mãe levanta questionamentos sobre a renda familiar e os ganhos com artesanato. No entanto, ainda não há informações suficientes para concluir que as regras do BPC tenham sido descumpridas, aguardando-se esclarecimentos adicionais.


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