Centrais sindicais se uniram para exigir que o fim da escala 6x1 seja votado antes do primeiro turno das eleições de 2026, criticando o adiamento feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre
As principais centrais sindicais do Brasil estão organizando uma pressão direta sobre os senadores em cada unidade federativa para acelerar a votação de uma proposta de emenda à Constituição. O objetivo é garantir o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso e reduzir a jornada semanal para 40 horas.
Com começo neste fim de semana, o movimento busca garantir que a PEC 221 de 2019 seja aprovada antes do primeiro turno das eleições de 2026.
- A CUT afirma que empresários querem adiar a votação para que senadores possam 'trair o povo' após serem eleitos.
- Há mais de 70% da população brasileira a favor da mudança, segundo dirigentes sindicais.
- A proposta exige redução da jornada para 40 horas semanais, uma demanda de quase 100 anos.
- Apesar da pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já sinalizou que a votação só ocorre após as eleições.
- As confederações patronais se opõem, alegando aumento de custos para as empresas.
Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), avaliou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cedeu às pressões de Empresários e senadores da oposição. A ideia é pautar o assunto apenas depois das eleições, o que, segundo Nobre, daria tempo para os parlamentares abandonarem seus compromissos com a população.
Ele alertou que os empresários pressionam para que a votação aconteça depois da eleição porque querem que os senadores 'troquem a casaca' e ignorem o interesse popular após conquistarem o mandato.
Os empresários falam que querem que vote depois da eleição porque sabem que o senador vai trair o povo. Fala que vota a favor do povo e, no dia seguinte, trai a população. É isso que nós vamos denunciar, disse à Agência Brasil.
O líder sindical confia que a antecipação da votação depende de uma mobilização forte da população nas ruas e da cobrança direta sobre os eleitos durante a campanha.
Se os senadores forem cobrados nos estados, eles vão querer resolver essa situação. Eles vão ter que responder isso nas ruas. Vamos colocar o povo para cobrar. Vai pedir voto Cadê a 6x1 primeiro, respondeu Sérgio Nobre.
Estratégia de mobilização nas ruas
Os planos de ação foram definidos em reunião do Fórum das Centrais Sindicais na sexta-feira (4/9), que reúne as seis maiores entidades sindicais do país. O encontro foi convocado após Alcolumbre declarar publicamente que a votação da proposta ocorrerá somente após o pleito.
Os líderes decidiram aumentar a divulgação por panfletagem em shoppings e centros comerciais, locais onde a escala 6x1 é comum, além de intensificar a campanha nas redes sociais e planejar novos protestos.
Além das ações na rua, as centrais planejam solicitar uma audiência formal com o senador Alcolumbre para argumentar a urgência da votação e expor os parlamentares que se opõem à redução da carga horária.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, criticou a postura do presidente do Senado, afirmando que ele virou as costas para os interesses da classe trabalhadora.
Para nós, o adiamento da votação foi uma surpresa negativa. Mais de 70% da população brasileira é a favor da PEC. Vejo esse adiamento com muita preocupação porque, se deixar para depois da eleicao, podemos voltar para a estaca zero, comentou.
Essa crítica ganha força diante do histórico de aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o tema teve forte aceitação dos legisladores.
Críticas ao adiamento da votação
Inicialmente, havia a expectativa de que o texto seguisse para o plenário do Senado imediatamente após a aprovação na CCJ, concluída na quarta-feira (2). A reportagem tentou contato com a assessoria de Alcolumbre, mas não teve retorno.
Paulo de Oliveira, diretor da executiva da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), apontou que os sindicatos acreditavam que a votação poderia acontecer ainda na semana, o que foi adiado.
Nos parece desleal com os trabalhadores que vão votar na eleição. Como passou o primeiro turno, não há mais preocupação com os votos e aí eles podem atender outros interesses que não os da grande massa da população, disse à Agência Brasil.
Para Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a redução para 40 horas é uma bandeira histórica de quase um século no movimento sindical.
Tivemos uma vitória extraordinária na CCJ, onde apenas quatro senadores foram contrários e todos eles não vão disputar eleição agora. Temos a expectativa de falar com Alcolumbre e resolver isso, disse.
Sendo assim, a aprovação na Comissão Especial é vista como um sinal verde para a votação final, desde que haja pressão popular para não deixar o tema para depois da apuração dos votos.
Impactos na saúde e argumentos dos patrões
As centrais sindicais sustentam a proposta argumentando que ela melhora significativamente a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, proporcionando mais tempo para a família e atividades pessoais.
Além disso, os defensores da medida afirmam que o custo para as empresas é baixo e viável, citando como referência a redução da jornada de 48 para 44 horas, implementada na Constituição de 1988.
Por outro lado, as confederações patronais se manifestam contra a alteração, argumentando que ela eleva os custos operacionais e pode gerar efeitos negativos na economia.
Estudos técnicos sobre o impacto da mudança na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB) ainda divergem, gerando incerteza entre os empregadores.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reforçou o pedido para que a votação só ocorra após as eleições.
Mudanças constitucionais nas relações de trabalho exigem análise técnica, diálogo e previsibilidade. Não é uma discussão que deva ser conduzida sob a pressão do calendário eleitoral, mas sim em um ambiente que permita avaliar com responsabilidade seus impactos em empresas, empregos e trabalhadores, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

© Paulo Pinto/Agência Brasil






