O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está irritado com as investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho, Fábio Luís, conhecido como Lulinha. Nos bastidores, petistas reclamam da atuação da PF e falam em interferência política. O governo tenta minimizar o caso, mas a crise já chegou ao Planalto.
O ex-chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, o caso aprofundou a tensão entre o PT e a cúpula da Polícia Federal.
Segundo Clarissa Oliveira, há um discurso público já ensaiado para lidar com o caso. "Se tiver feito alguma coisa errada, vai ter que pagar", é a frase que, segundo ela, o próprio presidente vem repetindo sucessivamente. A afirmação inclui que nem mesmo o filho seria poupado: "Sendo filho meu ou não, não vou usar meu cargo para protegê-lo, ele vai ter que se explicar e se tiver feito alguma coisa errada, vai pagar por isso."
- O caso envolve pagamentos de uma amiga de Lulinha a um ex-assessor de Lula, o que aumentou a desconfiança do PT em relação à PF.
- Petistas acreditam que a PF está sendo usada por bolsonaristas para atingir o governo, mas a PF nega qualquer interferência política.
- Lulinha alega que houve vazamento de informações sigilosas para prejudicá-lo e pediu investigação.
- O governo tenta minimizar o impacto na campanha eleitoral, apostando que o eleitor já está acostumado com esse tipo de acusação contra o PT.
- Especialistas alertam que a crise pode desgastar a imagem do governo e afetar a opinião pública.
Irritação nos bastidores do PT
Nos bastidores, porém, o clima é bem diferente. Clarissa Oliveira relatou que, em conversas reservadas com líderes do partido, o clima de tensão é intenso e há uma dose expressiva de irritação com o trabalho conduzido pela Polícia Federal. "É muito recorrente, nas conversas em off, ouvir que a PF está aparelhada pelo bolsonarismo", afirmou a analista, descrevendo o argumento que circula internamente. Setores do PT sustentam que as investigações estariam sendo conduzidas de forma calculada em razão do calendário eleitoral.
Descontentamento com a direção da PF
Parte dessa insatisfação recai sobre Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. A sucessão de inquéritos envolvendo o filho do presidente teria provocado reações políticas nos bastidores, com questionamentos sobre a possibilidade de conter o avanço das apurações. Clarissa Oliveira destacou a contradição implícita nessa postura: "Segurar isso significa interferir no trabalho da PF". A resposta que circula no campo petista é a de que não se trataria de interferência, mas de evitar o que chamam de "aparelhamento pelas forças bolsonaristas que ainda existem e atuam dentro da Polícia Federal".
Defesa de Lulinha e teoria da conspiração
A linha de defesa de Lulinha também aponta para supostos vazamentos de informações relacionadas a ele e à atuação de Roberta Luchsinger, que teriam vazado à campanha de Flávio Bolsonaro. Esse argumento, segundo Clarissa Oliveira, compõe uma narrativa nos bastidores que ela descreveu como "uma teoria da conspiração para justificar o noticiário contra o filho do presidente Lula", em um movimento para tentar esvaziar as denúncias. Flávio Bolsonaro, por sua vez, repercutiu publicamente as revelações e questionou a origem dos pagamentos recebidos por Marcola, que afirmou tratar-se de um empréstimo já quitado.
Estratégia eleitoral diante da crise
A estratégia do campo governista para os próximos meses, conforme relatado por Clarissa Oliveira, é tentar descolá-lo ao máximo das investigações, concentrando-se na campanha eleitoral. Um evento previsto para o dia 16 de agosto, na Vila Euclides, marcaria a largada oficial da campanha de rua. A aposta otimista dentro do governo é a de que o eleitor pode encarar as novas investigações como "mais do mesmo", minimizando o impacto político do caso. No entanto, a analista avaliou que o caso "é algo preocupante para o governo", concluiu, ressaltando que a crise já chegou ao gabinete presidencial e que sua extensão ainda está por ser definida.

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (Foto: Reprodução/CNN Brasil)





