24 de julho de 2026

PF investiga repasse milionário de banqueiro para filme sobre Bolsonaro

Politica Investigação 24/07/2026 08:32 Jovem Pan jovempan.com.br

O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar a suspeita de que uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro repassou R$ 68,7 milhões para um filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita é de que o dinheiro possa ter sido usado para lavagem de dinheiro e para bancar despesas de familiares de Bolsonaro nos Estados Unidos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou no parecer enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ser suspeito um repasse da empresa Entre Investimentos, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao fundo Havengate Development Fundo LP, que administra os recursos do filme "Dark Horse", que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são da revista Piauí.

Segundo a reportagem, o aporte de US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 68,7 milhões na época) foi identificado em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). O documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é usado para relatar transações atípicas ou suspeitas.

  • O valor total do financiamento previsto para o filme era de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época.
  • A PGR suspeita que o dinheiro possa ter sido usado para lavagem de dinheiro, dando uma aparência legal para o envio de recursos para o exterior.
  • A investigação vai apurar se o dinheiro foi usado para bancar as despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele mora há mais de um ano.
  • O senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro estão entre os investigados.
  • O banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado também são alvo da investigação.

O parecer de nove páginas ao qual a revista teve acesso não informa se o repasse foi feito em uma única transferência nem a data. O documento enviado ao STF mencionou haver a previsão de financiamento total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na época), mas não confirmou se todo o valor foi enviado.

Nesta quinta-feira (23), Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a instaurar inquérito para investigar os repasses de Vorcaro à produção de "Dark Horse". Com a decisão do ministro, passam a ser formalmente investigados:

  • Senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
  • Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro;
  • Deputado Federal Mario Frias (PL-SP);
  • Empresário e publicitário Thiago Miranda;
  • Corretor Altieris Santana;
  • Advogado Paulo Calixto.

O inquérito inclui também Vorcaro e o seu cunhado, Fabiano Zettel. Ambos já são investigados em outras ações ligadas ao Banco Master.

De acordo com as informações da Piauí, o despacho de Mendonça que autorizou a apuração é sucinto e não faz análise das provas. No documento, é dito que a suspeita de lavagem de dinheiro detectada pelo Coaf estaria ligada à possibilidade de uso do projeto cinematográfico para dar aparência legítima ao envio e utilização dos recursos no exterior.

Para apurar a hipótese, a PF analisará a forma como os repasses foram declarados, os contratos apresentados para justificar os aportes, os destinatários finais e a finalidade comunicada às instituições financeiras. A revista informou que a corporação aprofundará a apuração sobre eventual participação de Eduardo Bolsonaro na gestão dos recursos.

No parecer da PGR ao qual a revista teve acesso, é mencionada a existência de uma captura de tela de uma conversa entre o ex-deputado federal e Thiago Miranda. A partir da conversa, a PF e a Procuradoria trabalham com a hipótese de Eduardo ter orientado Altieres e Thiago Miranda sobre a gestão dos repasses de Vorcaro.

A investigação também buscará saber quem decidia como os recursos seriam empregados, bem como os beneficiários. Uma das suspeitas é de que os valores transferidos pelo banqueiro teriam bancado os custos de Eduardo nos Estados Unidos, onde mora há mais de um ano.

Segundo a Piauí, até o momento, a documentação examinada pela PGR não identificou nenhuma vantagem oferecida ao grupo de Vorcaro em troca de financiamento. Para apurar essa questão, a Procuradoria solicitou levantamento de proposições legislativas de Flávio e Mario Frias que possam ter atendido a interesses do Banco Master.

Crise envolvendo dono do Banco Master

Em 13 de maio, a agência de notícias Intercept Brasil noticiou que Flávio trocou mensagens com Vorcaro, com o intuito de captar financiamento para o filme "Dark Horse". Em 19 de maio, o portal Metrópoles revelou que o parlamentar se encontrou com o banqueiro após a primeira prisão, em novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero para apurar supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Em entrevista a jornalistas, o senador confirmou a visita.

"Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não poderia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco", disse Flávio.

Investimento em "Dark Horse"

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, o dono do Banco Master se comprometeu a repassar US$ 24 milhões para financiar o longa. Desse montante, ao menos US$ 10 milhões teriam sido pagos de fevereiro a maio de 2025.

As mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil mostraram uma negociação entre Flávio e Vorcaro. Em outubro de 2025, o senador chegou a cobrar o banqueiro, afirmando que a produção estava "no limite" financeiro. Os diálogos também indicaram que houve um encontro na casa do dono do Banco Master, em São Paulo, em 2 de novembro de 2025, que contou com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh.

Apesar da repercussão, Flávio tem defendido publicamente a captação dos recursos. Em 15 de maio, durante evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, o parlamentar justificou o investimento privado na obra e criticou o uso de verba pública para o que chamou de "propaganda política".

Como exemplo, citou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026. Na mesma ocasião, Flávio criticou o Intercept Brasil. Ele classificou a equipe como "suspeita" e acusou o veículo de tentar "interceptar o futuro do país".


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