O deputado federal venceu a briga interna contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e conseguiu colocar seu pai como candidato ao Senado nas eleições de 2026.
A convenção do PL Ceará, realizada nesta quarta-feira (22), apenas confirmou o que já era esperado nos bastidores: Alcides Fernandes (PL) é o candidato do partido ao Senado, em aliança com Ciro Gomes (PSDB). Mas, mais do que isso, o evento mostrou quem manda no bolsonarismo do Ceará: André Fernandes.
O grupo político passou por momentos difíceis desde novembro do ano passado, quando Michelle Bolsonaro começou a atacar a aliança do PL com Ciro Gomes. Ela veio a Fortaleza para lançar a pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo) ao governo do estado e, nas redes sociais, chamou a direita local de 'vendida', acusando o grupo de fazer acordos por interesse.
- André Fernandes, presidente do PL no Ceará, conseguiu colocar o pai, Alcides Fernandes, como candidato ao Senado
- A briga interna contra Michelle Bolsonaro durou oito meses, mas André venceu com o apoio de Flávio e Jair Bolsonaro
- A convenção do PL confirmou a aliança com Ciro Gomes, que é candidato ao governo do estado
- Priscila Costa, que era apoiada por Michelle, desistiu da vaga ao Senado e vai tentar se reeleger deputada federal
- O desgaste da briga política acabou sobrando para Michelle, que não conseguiu mudar os planos do partido no Ceará
Articulação forte
A aliança de André Fernandes com Ciro Gomes nunca esteve em risco de ser desfeita. Em nenhum momento da crise a decisão mudou. Isso porque o acordo foi feito com o apoio de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência.
Flávio participou do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes em 10 de julho e garantiu que ele seria o nome único do partido para o Senado.
Apoio de cima
A articulação política começou antes. Jair Bolsonaro já tinha dito, em maio de 2025, que Alcides era seu candidato ao Senado pelo Ceará. Ou seja, quem ganhou a briga interna não venceu por acaso. Tinha, desde o início, o apoio do ex-presidente e do presidenciável.
O resultado fortalece André Fernandes em duas frentes. Dentro do partido, ele conseguiu colocar em prática o projeto que desenhou, com o pai na chapa principal. Em nível nacional, mostrou que tem força e trânsito com Flávio e Jair Bolsonaro, os verdadeiros centros de poder do partido.
Acomodação, sem briga
Detalhe importante: a própria Priscila Costa aceitou ser candidata à reeleição para deputada federal. A solução mantém a parlamentar na política e diminui o risco de uma divisão que pudesse atrapalhar a campanha no estado.
No fim das contas, o desgaste da longa crise ficou para Michelle Bolsonaro. Ela investiu oito meses de capital político contra a aliança no Ceará, mas não conseguiu mudar a composição local.

André Fernandes e Flávio Bolsonaro durante evento em Fortaleza. Foto: Kid Júnior





