23 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de empresa ligada a banqueiro investigado

Politica Política 23/07/2026 07:02 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de uma empresa que tem ligações com um diretor de uma consultoria que recebeu milhões do Banco Master. O senador nega qualquer irregularidade e diz que a relação foi legal e privada.

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, recebeu R$ 500 mil de uma empresa que tem ligações com o diretor de uma consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Essa informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

  • O senador Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil de uma empresa chamada Contábil Correa, que também é conhecida como BR Global.
  • O escritório dele emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para uma consultoria chamada Copenhagen, mas essas notas foram canceladas no mesmo dia.
  • A consultoria Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master, que é investigado por possíveis irregularidades.
  • O contador Rogério Lourenço Novo é sócio da Contábil Correa e diretor da Copenhagen, e já foi investigado por suspeita de emitir notas fiscais falsas.
  • Flávio Bolsonaro nega ter recebido dinheiro da Copenhagen e diz que a relação com a Contábil Correa foi legal e privada.

A nota fiscal de R$ 500 mil foi emitida no dia 9 de abril de 2025 para a Contábil Correa, que também usa o nome BR Global. O documento diz que foi um serviço de assessoria jurídica e não foi cancelado.

Dois dias antes, o escritório de Flávio emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Essas notas, que somavam R$ 1 milhão, foram canceladas no mesmo dia em que foram emitidas.

Flávio disse que a contratação pela Copenhagen não foi efetivada e que nenhum dinheiro foi trocado entre as partes. Ele confirmou que prestou serviços de advogado para a Contábil Correa e disse que a relação foi completamente legal e privada.

As duas empresas estão ligadas ao contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece como único sócio da Contábil Correa e diretor da Copenhagen. Ele também é membro do conselho fiscal da empresa Ambipar.

A Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com apenas R$ 40 de capital inicial. Depois disso, ela se tornou uma das dez empresas que mais receberam dinheiro do Banco Master.

Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que a consultoria recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. O material não diz as datas exatas dos repasses.

Segundo o Metrópoles, os primeiros pagamentos do Master, num total de R$ 11,2 milhões, aconteceram pouco depois da abertura da Copenhagen.

A consultoria não tem site nem sede própria. O endereço que ela deu à Receita Federal é o mesmo da Contábil Correa, num prédio comercial em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Formalmente, a Copenhagen pertence ao fundo de investimentos Estônia, que é administrado pela Trustee DTVM. Segundo o portal, essa gestora é investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e esconder dinheiro ligado ao grupo de Daniel Vorcaro.

O Metrópoles também informou que Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela Polícia Federal por supostamente operar um esquema de emissão de notas fiscais falsas usando empresas de fachada entre 2013 e 2015. A fraude investigada foi estimada em mais de R$ 100 milhões.

Nas redes sociais, Flávio disse que estão tentando ligar falsamente seu nome ao Banco Master. Ele afirmou que foi contratado pela Contábil Correa para prestar serviços jurídicos, mas não aceitou trabalhar para a Copenhagen.

Eu fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Daniel Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Cancelei duas notas fiscais, disse Flávio.

Flávio também afirmou que não movimentou nada com a consultoria.

A relação do senador com Vorcaro já havia chamado a atenção depois que foram divulgadas mensagens sobre a captação de recursos para o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Planilhas obtidas pelo site Intercept indicam que pelo menos R$ 61 milhões foram destinados à produtora responsável pelo filme. Uma investigação sobre possíveis irregularidades no financiamento está sendo feita pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Flávio é formado em Direito pela Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Ele concilia o mandato de senador com as atividades de advogado e empresário. O escritório dele já assinou petições em pelo menos dez processos no Superior Tribunal de Justiça.

Entre os casos, está um pedido de habeas corpus para interromper uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins. Em outro processo, o senador representou quatro policiais militares acusados de matar quatro homens numa emboscada na favela do Vidigal, na Zona Sul do Rio, em 2020.


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