Uma quadrilha usava créditos de imposto que não existiam para enganar empresas. O prejuízo foi de R$ 30 milhões. A polícia fez buscas em São Paulo e no Paraná e bloqueou R$ 362 milhões em bens.
A Polícia Civil de São Paulo e a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP) fizeram na manhã desta terça-feira (26) uma operação contra uma organização que usava créditos falsos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para aplicar golpes. As equipes cumprem mandados em São Paulo e no Paraná. Além disso, fazem o sequestro de bens no valor de R$ 362 milhões e de seis imóveis.
De acordo com as autoridades, os envolvidos criaram uma estrutura cujo objetivo era enganar empresas por meio da venda de créditos de ICMS falsos. O esquema teria causado um prejuízo de R$ 30 milhões.
- A operação foi chamada de "Respiro da Baleia" e envolveu 53 policiais.
- Os golpistas usavam nomes do mercado financeiro para parecer confiáveis.
- Eles criavam empresas de fachada para esconder o dinheiro roubado.
- O esquema tinha uma etapa para simular pagamentos e atrasar a descoberta do golpe.
- Os crimes incluem estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
A operação "Respiro da Baleia" é resultado de uma Força-Tarefa da 3ª DIG/DEIC (Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas) e da Diretoria de Fiscalização da Receita Estadual (Sefaz-SP). Completam a força-tarefa equipes da Polícia Civil de Londrina/PR, totalizando 53 agentes. Os mandados têm como alvos endereços na Capital, na Grande São Paulo, região de Campinas, e no estado do Paraná.
Como funcionava o golpe
As investigações revelaram uma estrutura complexa, dividida em quatro etapas com nomes parecidos com os usados pelo mercado financeiro.
O golpe começava com a fase da Engenharia Social, quando os envolvidos conseguiam informações sobre as vítimas. Depois, a figura do Gatekeeper (Homem de Confiança) enganava as empresas oferecendo os créditos falsos com um desconto de imposto atraente. Com o sucesso da fraude, a vítima depositava mensalmente valores altos numa Shell Company (Empresa Cofre), que era a centralizadora do dinheiro desviado.
Na fase de Ocultação (Layering) os valores eram divididos entre membros de uma "Família Lavadora" usando técnicas de smurfing (fracionamento) para distanciar o dinheiro de sua origem ilegal.
O ciclo tinha ainda o mecanismo de Fluxo Reverso (de onde vem o nome da operação, "Respiro da Baleia"), usado para simular o pagamento de dívidas e atrasar a descoberta do dano. A lavagem de dinheiro era concluída com o uso de consultorias de fachada e empresas de um sócio escondido.
No esquema, há prática de crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e crimes tributários. O resultado da operação também pode revelar novas vítimas e abrir caminho para recuperação de bens pela Fazenda Pública Estadual de São Paulo.

Operação contou com participação de policiais do Deic, da Polícia Civil. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação





