Funcionária e mães denunciam tortura psicológica, agressões físicas e negligência com higiene em creche de Nova Andradina. As atividades do local estão suspensas e a Polícia Civil investiga os fatos.
Relatos de uma ex-funcionária e de mães de crianças que frequentavam uma creche particular em Nova Andradina revelam cenas de crueldade dentro do estabelecimento. As crianças eram trancadas em um quarto escuro como punição, além de sofrerem agressões físicas e negligência diária.
Os fatos vieram à tona após denúncias de quem conhecia a rotina do local. A situação levanta sérias questões sobre a segurança e o bem-estar dos menores de idade no município.
O que revelou a investigação interna do caso
- Crianças eram trancadas em quarto escuro como forma de punição por desobediência.
- Funcionária afirma que a responsável proibia a troca de fraldas sujas, causando sofrimento.
- Mães relatam que filhos apresentaram mudanças bruscas de comportamento e choro extremo.
- A creche não tem vínculo com a Prefeitura e operava por contrato direto com as famílias.
- A Polícia Civil e o Ministério Público de MS assumiram a investigação do caso.
Uma funcionária do local, que pediu para não ser identificada por segurança, descreveu a rotina de privação. Ela afirmou que a responsável pela creche impedia cuidados básicos de higiene. Em depoimento, ela explicou que a mulher proibia expressamente a troca de fraldas:
Aí tinha criancinhas menores também que usavam fraldas e as crianças faziam necessidade. Quando a gente ia falar que ia trocar, ela não deixava, que era para deixar a criança feito o que ela tinha feito, que ela ia fazer de novo e não tinha necessidade da troca.
O descaso com a limpeza e a saúde das crianças era algo comum naquele ambiente, gerando desconforto e risco de doenças entre os pequenos.
Mães de ex-alunos também relataram sinais claros de sofrimento. A mãe de duas crianças descreveu a reação da filha mais nova ao chegarem ao local. A menina chorava muito antes mesmo de descer do carro:
Eu comecei a desconfiar quando a menina mais nova chorava para não ir para lá. Eu encostava na calçada, encostava o carro assim na frente da fachada, ela já chorava que ela não queria descer. E aí a gente já começa a suspeitar, né
A partir dessa desconfiança, a mãe conversou com o filho mais velho. A criança confirmou os episódios de violência. Ele relatou agressões físicas sofridas no local:
Conversando com o meu menino mais velho, ele relatou que realmente algumas coisas aconteciam assim, agressão, puxão de cabelo, tapa na cabeça.
Depois que o caso ganhou destaque nas notícias, as famílias descobriram que os maus-tratos não eram recentes. Relatos indicam que crianças consideradas malcomportadas eram trancadas no escuro como punição psicológica.
Diante das múltiplas denúncias, o Conselho Tutelar acionou a Polícia Militar para vistoriar o endereço. A creche funcionava por meio de contratação direta pelas famílias. Segundo a Prefeitura de Nova Andradina, o local não possui vínculo com a administração pública e não faz parte da rede municipal de ensino.
As investigações agora cabem à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Em nota, os responsáveis pela creche afirmaram que pretendem esclarecer os fatos e que sempre agiram com respeito, cuidado e dignidade das crianças. Eles também disseram estar à disposição das autoridades.
As atividades da creche estão suspensas temporariamente.
Notas oficiais das autoridades
A Polícia Civil informou que tomou consciência dos possíveis maus-tratos por intermédio da imprensa. Até o momento, apenas uma mãe compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos. A corporação pede que outras famílias procurem a delegacia para identificar-se e fornecer provas como fotos e vídeos.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul segue o caso com atenção. A atuação ocorre em duas frentes: a 3ª Promotoria de Justiça acompanha a parte criminal para identificar crimes, e a 2ª Promotoria de Justiça cuida da proteção dos direitos das crianças e adolescentes, adotando providências cabíveis.

Creche funcionava em uma casa (Foto: Raíssa Rojas)






