01 de agosto de 2026

Justiça absolve vereador e ex-secretário de Saúde de Curvelândia, MT

POLÍCIA Absolvição 01/08/2026 18:20 Naedson Martins - Pauta Diária pautadiaria.com.br

A Justiça de Mato Grosso absolveu Roberto Serenini, vereador e ex-secretário de Saúde de Curvelândia, da acusação de tráfico de drogas. A decisão foi tomada por falta de provas. A droga, 52 kg de cocaína, foi encontrada em um ônibus da secretaria, mas o juiz entendeu que não havia evidências suficientes para ligar o político ao crime. A sentença foi dada no dia 31 de julho de 2026.

A 3ª Vara de Mirassol D'Oeste absolveu Roberto Serenini (PL), vereador de Curvelândia (MT) e ex-secretário municipal de Saúde, da acusação de tráfico de drogas. A decisão foi tomada por falta de provas. O juiz Anderson Fernandes Vieira assinou a sentença em 31 de julho de 2026, encerrando o processo que começou após a apreensão de 52,150 kg de cocaína (50 tabletes) no bagageiro de um micro-ônibus da Secretaria de Saúde do município, que fica a cerca de 280 km de Cuiabá.

  • O que aconteceu: A droga foi encontrada em um ônibus da prefeitura que levava pacientes para tratamento médico.
  • Quem foi absolvido: Roberto Serenini, que era secretário de Saúde na época, foi acusado de mandar colocar a cocaína no veículo.
  • Por que foi absolvido: O juiz disse que não havia provas suficientes para condená-lo, apenas suspeitas.
  • Veículo sem segurança: O pátio da secretaria não tinha muro, câmeras ou controle de entrada, e qualquer um podia mexer nos carros.
  • O que a defesa disse: A troca do veículo e as ligações do ex-secretário eram coisas normais do trabalho e não tinham relação com o crime.

A droga foi encontrada no dia 18 de agosto de 2025, por volta das 6h30, na BR-070, perto do Trevo do Lagarto, em Várzea Grande. Agentes do Grupo Especial de Fronteira (GEFRON) pararam o veículo Marcopolo/Volare V8L, que levava 16 pacientes de Curvelândia para fazer tratamento em Cuiabá. Cães farejadores acharam caixas de supermercado com a cocaína no bagageiro.

O Ministério Público denunciou Serenini por tráfico de drogas. Segundo a acusação, ele mandou trocar a van que estava escalada para a viagem pelo micro-ônibus na véspera, esteve na Unidade Básica de Saúde (UBS) na noite anterior, ligou para o motorista horas antes da viagem e, dias depois, pediu a um motorista que retirasse o HD do sistema de monitoramento da UBS. O réu chegou a ser preso, mas depois foi solto e respondeu ao processo em liberdade.

O juiz reconheceu que o crime existiu (a droga foi encontrada), mas disse que a acusação não conseguiu provar quem tinha colocado a cocaína no ônibus. A operação da polícia foi baseada em denúncias anônimas genéricas sobre veículos que transportavam pacientes na região de fronteira, sem dar nomes ou informações específicas. Ninguém, no momento da abordagem, apontou o ex-secretário como dono da droga.

Testemunhas, incluindo motoristas da secretaria, disseram que trocar o veículo por causa do aumento de pacientes era uma prática comum. A presença do ex-secretário na UBS à noite e as ligações para o motorista foram explicadas como parte do trabalho dele, já que ele era conhecido por ser um secretário presente e resolver problemas a qualquer hora.

O ex-secretário também foi para Cuiabá no mesmo dia, em outro carro oficial, para uma reunião com um assessor de um deputado federal. A perícia no HD da UBS não encontrou provas de que as imagens foram apagadas de propósito, e um informante que disse ter recebido ordem para apagar imagens voltou atrás e afirmou em juízo que nunca recebeu essa ordem.

O juiz também destacou que o pátio da UBS era um local sem segurança, sem muro, guarita ou controle de acesso. As chaves dos veículos ficavam expostas, e já havia casos de pessoas que pegaram carros sem autorização. Para o juiz, isso tornava possível que a droga tivesse sido colocada no ônibus por outras pessoas, sem o conhecimento do ex-secretário.

Com a absolvição, o juiz retirou todas as medidas cautelares que ainda pesavam sobre Serenini e mandou devolver o micro-ônibus para a Prefeitura de Curvelândia, além de celulares, pen drive e notebook que foram apreendidos com ele, já que os laudos periciais não encontraram nada de errado. A droga já havia sido destruída, conforme a lei. O juiz também determinou que o processo não ficasse mais em segredo de justiça, mantendo sigilo apenas sobre algumas partes, como o inquérito policial e as gravações. Ainda não se sabe se o Ministério Público vai recorrer da decisão.


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