Dados do governo americano mostram que as abordagens de migrantes na fronteira com o México caíram drasticamente após a posse de Trump. Em contrapartida, as detenções feitas pela imigração dentro do território americano dispararam, além da queda nas admissões de refugiados e inscrições para vistos de trabalho.
Os Estados Unidos registraram uma queda acentuada nas abordagens de migrantes na fronteira com o México e um aumento nas detenções realizadas pelo serviço de imigração dentro do país desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. No mesmo período, houve recuo nas admissões de refugiados e nas inscrições para o programa de vistos de trabalho H-1B.
As mudanças estão detalhadas em cinco gráficos publicados pela BBC News Brasil, com dados de órgãos do governo americano. O levantamento revela tendências em diferentes áreas da imigração, algumas das quais já haviam começado durante a gestão de Joe Biden.
- Abordagens na fronteira caíram para patamares baixos após a posse de Trump.
- Detenções internas pelo ICE ultrapassaram 20 mil mensais e chegaram a 40 mil.
- Admissões de refugiados caíram de 100 mil em 2024 para 16 mil em 2026.
- Inscrições para vistos H-1B diminuíram de 780 mil para 360 mil.
- Mapa mostra estruturas da fronteira antes e durante o segundo mandato de Trump.
Na fronteira com o México, os registros mensais de encontros entre autoridades e migrantes chegaram perto de 300 mil durante o governo democrata. O número já havia diminuído nos últimos meses da gestão Biden e caiu acentuadamente após a posse de Trump, permanecendo em patamares baixos até agosto de 2026, último mês apresentado.
Esses registros contabilizam abordagens e interceptações. Não correspondem necessariamente ao número de pessoas diferentes que tentaram entrar nos Estados Unidos, já que uma mesma pessoa pode ser registrada mais de uma vez.
Dentro do território americano, o movimento foi diferente. As primeiras detenções registradas mensalmente pelo ICE, órgão responsável pela fiscalização migratória interna, estavam próximas de 8 mil no fim do governo Biden. Sob Trump, ultrapassaram 20 mil em diversos meses e chegaram perto de 40 mil em um dos períodos apresentados.
A série reúne dados até julho de 2026. O indicador não representa o total de pessoas mantidas nos centros de detenção nem o número de deportações efetivamente realizadas.
Redução no Acolhimento de Refugiados e Vistos
O acolhimento de refugiados também diminuiu. Depois de aproximadamente 100 mil admissões em 2024, o total caiu para cerca de 38 mil em 2025 e aproximadamente 16 mil em 2026, segundo o gráfico com informações até setembro.
Outra redução aparece no programa H-1B, voltado a trabalhadores estrangeiros em ocupações especializadas. As inscrições passaram de aproximadamente 780 mil no ano fiscal de 2024 para 480 mil em 2025 e 360 mil em 2026.
Nesse caso, a queda começou antes do atual mandato. Os números representam registros no processo de seleção, e não vistos concedidos ou trabalhadores que efetivamente chegaram ao país. A comparação também exige considerar que o ano fiscal americano e os períodos de inscrição não coincidem com o calendário dos mandatos presidenciais.
O levantamento apresenta ainda a situação das barreiras na fronteira com o México. O mapa distingue estruturas existentes antes do segundo mandato de Trump, trechos concluídos, obras em andamento e projetos, com dados até outubro de 2026.
A distribuição das obras, porém, não permite determinar, isoladamente, quanto da redução das abordagens está relacionado à construção dessas estruturas.
Diferenças nos Indicadores Migratórios
Os indicadores mostram mudanças durante o segundo governo Trump, mas medem fenômenos diferentes. A queda nas abordagens na fronteira, o aumento das detenções internas e a redução nas admissões de refugiados e nas inscrições para vistos de trabalho não devem ser tratados como uma única estatística de imigração.

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