Inteligência brasileira aponta risco de pressão externa de Donald Trump sobre o Brasil, com foco nas eleições de 2026 e conflitos comerciais.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento, de caráter reservado, alerta para uma tendência de aumento da pressão norte-americana sobre o Brasil.
O relatório foi enviado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil.
Resumo rápido da disputa diplomática
- A Abin classifica como crítica a tentativa de Washington manter hegemonia na América Latina.
- Trump citou a condenação de Bolsonaro e regras a redes sociais para justificar tarifas contra o Brasil.
- A Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas globais de Trump em fevereiro passado.
- EUA desdobraram facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
- Lula e Trump se encontrarão novamente na ONU, mas sem encontro bilateral agendado.
A inteligência brasileira entende que a reafirmação da autoridade dos EUA na América Latina é uma prioridade para o governo de Donald Trump. O objetivo seria afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos e infraestruturas na região.
A avaliação indica uma intensificação das ações dos Estados Unidos contra o Brasil nos últimos meses. Além da possível ingerência eleitoral, o país tem sofrido medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais.
Enquanto isso, o governo brasileiro busca manter boas relações diplomáticas. Apesar das críticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma dizer que se dá muito bem com Trump.
A origem da crise: tarifas e política
A história começou com a química entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025. Porém, essa boa relação não evitou problemas na diplomacia e na economia.
Desde abril de 2025, o Brasil enfrenta tarifas de exportação. Inicialmente de 10%, o valor subiu para 50% em julho, quando Trump considerou o Brasil uma ameaça à segurança nacional.
As justificativas incluíram a atuação da Justiça brasileira que limitou redes sociais como Rumble e X, por incitação de ódio. Trump também usou a condenação de Jair Bolsonaro como argumento político.
O ex-presidente é acusado de liderar tentativa de golpe. Trump repetiu a versão de Bolsonaro de que ele é perseguido. Isso gerou tensão entre a Justiça brasileira e o governo norte-americano.
Sanções e a Lei Magnitsky
Os EUA aplicaram a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do STF, e à sua esposa, bloqueando bens e impedindo a entrada no país.
Outros ministros do STF também tiveram vistos cancelados. Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa tiraram os nomes da lista de sancionados.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, foi denunciado por coação e condenado pelo STF em junho de 2026. Ele perdeu o mandato e continua fora do Brasil.
Reversões e novas tensões
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais de Trump, alegando violação de poderes do Congresso. O governo precisou devolver bilhões de dólares.
Apesar disso, novas tarifas surgiram. Em julho, uma sobretaxa de 25% atingiu 19% das exportações brasileiras. O argumento foi o uso do PIX e acordos com outros países.
Depois, uma tarifa de 12,5% foi aplicada por alegações de trabalho forçado. O Brasil chamou a medida de arbitrária. hoje, parte dos produtos é tributados em até 37,5%.
Terrorismo e vistos diplomáticos
Os EUA classificaram o PCC e a Comando Vermelho como organizações terroristas. O Brasil tentou evitar isso, temendo sanções severas.
Especialistas alertam que essa classificação pode atenuar punições para criminosos. Em agosto, a embaixadora do Brasil nos EUA teve o visto revogado por retaliação diplomática.
Voltas à mesa de negociação
Lula criticou as ações de Trump, chamando-as de desaforadas. Mas os dois mantêm contato. Em maio, em Washington, Lula levou provas de que os EUA têm superávit comercial com o Brasil.
Os líderes acertaram uma mesa de negociação. Lula também expôs as medidas brasileiras contra o crime para evitar estigmas de terrorismo em facções.
Há acordos de cooperação para combater tráfico de armas e drogas. Os dois conversaram por telefone quatro vezes, sendo a última de duas horas em agosto.
Ambos estarão na ONU em Nova York. Lula abre o debate geral, seguido por Trump. Não há encontro bilateral marcado entre eles.

Reuters/Evelyn Hockstein





