10 de setembro de 2026

EUA confirmam alta probabilidade de El Niño extremamente forte neste ano

Mundo Clima 10/09/2026 14:01 Folhapress via Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Agência dos Estados Unidos anuncia 97% de chance de um El Niño muito forte a partir de setembro, com impacto global já sentindo efeitos como secas e furacões.

A agência climática dos Estados Unidos elevou para 97% a chance de que o El Niño evolua para um patamar muito forte a partir do início da primavera, no final de setembro. A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) atualizou nesta quinta-feira (10) sua análise sobre o fenômeno.

O órgão prevê, ainda, probabilidade de 93% da temperatura do oceano Pacífico equatorial permanecer até janeiro no patamar muito alto -o que vem sendo chamado de "Super El Niño".

A última previsão do órgão, do mês passado, era de 93% de chance de um El Niño muito forte a partir de setembro. A nova atualização indica uma tendência ainda mais clara de intensificação do fenômeno no decorrer das próximas semanas.

Segundo a Noaa, "O El Niño continuará se intensificando até o fim do ano". O comunicado afirma que, no trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950. Essa magnitude exige atenção redobrada de governos e setores sensíveis ao clima.

Um evento dessa magnitude, ressalta a entidade, aumenta a probabilidade de ocorrerem impactos compatíveis com o El Niño, mas não há garantia disso e nem se as consequências serão mais graves do que o normal. A ciência aponta para riscos, mas a variabilidade climática mantém uma margem de incerteza sobre a gravidade exata dos desdobramentos.

O fenômeno climático, que começou em junho, é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Pacífico na região da linha do Equador próxima à costa do Peru -ao contrário da La Niña, que ocorre quando a superfície nesta região está mais fria do que o normal. Essa diferença térmica altera padrões de chuva em todo o planeta.

Quando a variação acima da média é de 0,5°C a 1°C, o El Niño é classificado como fraco. Na classificação moderada, a anomalia de temperatura fica entre 1°C a 1,5°C e, na forte, vai de 1,5°C a 2°C. O El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial fica acima de 2°C.

Impactos Globais Já Sentidos

O El Niño já vem causando alterações climáticas ao redor do planeta. A Indonésia enfrenta seca extrema, que vem facilitando o espalhamento de incêndios florestais que sufocam o país com nuvens infindáveis de fumaça. A qualidade do ar tem piorado significativamente nas principais cidades.

No final de julho, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, levando ao deslocamento de milhares de pessoas na região do vale do Taquari, que também foi fortemente atingida na histórica enchente de 2024. A repetição de eventos extremos na região alerta para a fragilidade das estruturas frente a mudanças climáticas.

O canal do Panamá reduziu o fluxo de navios, já que opera utilizando água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela, cujos níveis diminuíram devido à seca causada pelo fenômeno climático. A logística global de comércio marítimo enfrenta desafios operacionais devido à escassez de água doce no canal.

Setembro também registrou um raro trio de furacões no oceano Pacífico -Marie, Karina e Lowell. A coexistência de três sistemas simultâneos é um indicativo da energia acumulada pelos oceanos mais quentes.

  • A probabilidade de El Niño muito forte subiu para 97%.
  • Chama-se de "Super El Niño" devido ao histórico de intensidade.
  • Indonésia lida com secas extremas e incêndios florestais.
  • O Canal do Panamá enfrenta restrição de navegação por falta de água.
  • Setembro teve três furacões simultâneos no Pacífico.

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