07 de setembro de 2026

Extrema direita vence na Alemanha e faz história

Mundo Extrema 07/09/2026 11:23 Agência Brasil noticiasaominuto.com.br

A AfD, partido de extrema direita, venceu as eleições na Saxônia-Anhalt com 44% dos votos. Isso pode permitir que um partido de extrema direita governe um estado alemão pela primeira vez desde a Segunda Guerra. A derrota é grande para o chanceler Merz, que enfrenta muita insatisfação com o governo.

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt neste domingo (6), segundo pesquisas de boca de urna. Isso coloca um partido de extrema direita perto de assumir o poder em um estado alemão pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Embora não tenha conseguido a maioria absoluta, a AfD obteve 44% dos votos. Isso foi uma derrota enorme para os conservadores do chanceler Friedrich Merz. O resultado reflete a grande impopularidade do governo alemão, que vive um cenário político fragmentado.

  • A AfD venceu na Saxônia-Anhalt com 44% dos votos.
  • É a primeira vez desde a Segunda Guerra que um partido de extrema direita pode governar um estado alemão.
  • A AfD quer restringir a imigração, sair do euro e se aproximar da Rússia.
  • Participação eleitoral foi alta: 77%.
  • 87% dos eleitores do estado estão insatisfeitos com o governo federal.

A AfD já é o partido mais popular da Alemanha em nível nacional. Ela busca ter uma base forte para colocar em prática sua agenda, que inclui restrições severas à imigração, a volta do contato com a Rússia, o fim do apoio à Ucrânia e a saída do euro.

Enquanto a contagem seguia, ainda não estava claro se a AfD conseguiria formar um governo. Mas o impacto político da eleição já era visível. Segundo a emissora ZDF, a participação dos eleitores foi alta, chegando a 77%.

'Fizemos história neste país', disse Ulrich Siegmund, de 35 anos, candidato-líder da AfD na Saxônia-Anhalt. Ele atraiu milhares de pessoas em seus comícios e repetidamente falou que a vitória no estado é o primeiro passo para conquistar o poder nacional nas eleições federais de 2029.

'O povo deixou claro que finalmente quer uma mudança política e, principalmente, mostrou que quer isso com a gente', disse Siegmund.

Quando saíram as primeiras pesquisas de boca de urna, ele estava de braços dados com os dois líderes nacionais do partido, que riam muito enquanto a vitória se confirmava. A festa na sede do partido em Magdeburg foi tomada por muita alegria. As pessoas agitavam bandeiras alemãs e se abraçavam comemorando.

O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou uma imagem do resultado sem comentários em sua rede Truth Social. Líderes de extrema direita de outros países europeus também comemoraram a eleição como um sinal de mudança.

Revés para Merz

O resultado é uma derrota importante para Merz. Sua aprovação pessoal caiu para níveis históricos baixos. Os eleitores estão insatisfeitos com suas reformas para tentar melhorar a economia alemã e também com seu jeito de se comunicar, que costuma gerar polêmicas.

Uma pesquisa da emissora ARD mostrou que 87% dos eleitores do estado estavam insatisfeitos com o governo federal. Siegmund disse que Merz é o melhor candidato da AfD por causa de sua impopularidade na região.

'Este resultado é, acima de tudo, um voto de desconfiança no governo federal', afirmou Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, à Reuters.

Merz prometeu melhorar a maior economia da Europa com reformas para ajudar empresas e aumentar gastos. Ele também avisou que uma vitória da AfD no estado prejudicaria a região e afastaria investimentos estrangeiros.

Todos os grandes partidos da Alemanha se recusam a colaborar com a AfD. O serviço de inteligência interna classifica o partido como extremista de direita.

Uma exceção é o pequeno partido Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que estava perto de passar o limite para ter representação no Parlamento. O BSW sugeriu que a Saxônia-Anhalt tenha um primeiro-ministro sem partido, com apoio de diferentes grupos, incluindo a AfD.

Siegmund, no entanto, chamou a ideia do BSW de 'confusão' e descartou acordos com outros partidos que impeçam a AfD de cumprir suas promessas. 'Se chegar ao ponto crítico, simplesmente haverá novas eleições', disse.

Os conservadores de Merz disseram que vão tentar negociar com outros partidos, mesmo que isso exija juntar grupos com ideias muito diferentes. Na vizinha Turíngia, os conservadores formam um governo minoritário com a tolerância do Partido de Esquerda.

A Saxônia-Anhalt, que fazia parte da Alemanha Oriental comunista, é um dos menores estados alemães, com pouco mais de 2 milhões de habitantes. Mesmo assim, o resultado mostra o rápido crescimento da AfD desde sua criação, em 2013.

A AfD é hoje o partido mais popular da Alemanha, com 28% das intenções de voto, segundo pesquisa recente do INSA. Os conservadores têm 20%.

Linha dura em relação à migração

Mesmo com o avanço da extrema direita em outras partes da Europa, o passado nazista da Alemanha faz com que os partidos tradicionais evitem cooperação com a AfD.

A AfD nega as acusações de extremismo e diz que são alarmismo e um insulto aos milhões de apoiadores.

Na campanha, a AfD explorou o descontentamento com os partidos tradicionais, que ela chama de desgastados e fora da realidade. Ela ofereceu políticas duras e uma visão de volta a ruas mais limpas e seguras, além de promover orgulho de ser alemão.

'É claro que precisamos de mudanças na Alemanha e na Europa Ocidental. E acredito que um sinal de partida está saindo daqui, quer você goste ou não', disse Antony Lee, participante da festa da AfD. 'Sou pai, empresário e sei que as coisas não podem continuar assim na Alemanha.'

O programa da AfD prevê controlar escolas e instituições culturais para seguir o que considera valores tradicionais. Também quer restringir a imigração e mudar a TV pública. O partido quer que filhos de refugiados estudem em turmas separadas.

O partido quer proibir bandeiras de arco-íris nas escolas e que a bandeira alemã seja hasteada todos os dias. O hino nacional seria cantado em eventos escolares. Também propõe patrulhas de cidadãos, mais aulas de russo e a suspensão de novos parques eólicos.


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