Na briga comercial com o Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney diz que americanos perdem tempo fazendo piadas online em vez de negociar.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, havia saído das negociações com os Estados Unidos porque achou os americanos intransigentes. Agora ele quer voltar a conversar.
Mas na terça-feira (1º), ele disse que os americanos estão muito ocupados tirando sarro uns dos outros na internet.
- Trump renomeou o Lago Ontário, mas o Canadá não aceita.
- O secretário de Defesa dos EUA zombou de duas mulheres do exército canadense.
- Uma pesquisa mostra que a maioria dos americanos é contra as tarifas.
- Bessent disse que o Canadá só tem dois submarinos de shopping.
- O Canadá quer reabrir as negociações comerciais.
"Quando os americanos pararem de fazer memes, de criticar os outros e de bancar os durões e começarem a levar essas conversas a sério, aí sim poderemos ter as negociações", disse, lamentando que "isso não é produtivo, mas faz parte da democracia deles.
Carney quer dizer que, em vez de tentar acabar com a guerra comercial com o Canadá, os líderes dos EUA estão tentando irritar os canadenses, mas às vezes falham. Enquanto isso, as tarifas de 50% que os EUA colocaram em vários produtos canadenses e as tarifas de resposta do Canadá continuam valendo.
Provocações americanas contra o Canadá
Carney não mencionou que o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, também está criticando Trump, e que uma câmara municipal do Canadá quer mudar o nome de uma rua que homenageia Trump para um nome irônico. Mas a maior parte das provocações vem de autoridades americanas.
Quando a Casa Branca postou uma foto de uma águia americana tentando segurar um ganso canadense, o que já tinha sido publicado antes, os canadenses mostraram fotos em que o ganso leva a melhor na briga.
Depois que Trump renomeou o Lago Ontário, ele ligou para a Apple para garantir que a mudança aparecesse nos mapas. A mudança aparece nos EUA, mas não no Canadá. E o aplicativo MapQuest ficou famoso quando se recusou a mudar o nome do lago para os usuários americanos.
Secretários tentam humilhar canadenses
Enquanto Trump estava preocupado com nomes, seus assessores criticaram as Forças Armadas do Canadá.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, disse que o Canadá é 'um país sem exército'. Isso não é verdade: os canadenses já lutaram e morreram ao lado dos americanos em várias guerras.
Para o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que não tem experiência em programas de TV, os insultos não são naturais. Mesmo assim, ele tentou provocar os canadenses.
Não estamos em guerra com o Canadá. Como poderíamos Eles vão tirar dois submarinos de um shopping e lançar contra nós", disse Bessent na segunda-feira (31), em entrevista à CNBC, antes de uma reunião do G20 que ele está organizando em Asheville, na Carolina do Norte.
Parece que havia uma atração de submarino em um shopping de Edmonton. Boa provocação, Scott!
Hegseth provoca jovens militares
Mas o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que prefere ser chamado de secretário da Guerra, postou na manhã de segunda-feira (31) uma foto de duas mulheres em uniforme militar canadense, claramente tentando ser ofensivo.
Ele colocou um emoji da bandeira canadense e escreveu: '(isso é de verdade)'.
Talvez ele quisesse dizer que as Forças Armadas do Canadá não são tão masculinas quanto as dos EUA.
De qualquer forma, é falta de respeito um alto funcionário americano zombar de um jovem canadense, especialmente de alguém que pensa em entrar para o exército. Os canadenses são aliados militares dos EUA e responderam quando os EUA foram atacados depois do 11 de setembro.
Problemas internos na administração
Hegseth também é alvo de piadas na internet, como os vídeos dele fazendo exercícios que já viraram meme. Isso é cruel, porque um homem de quarenta anos que consegue fazer várias barras deveria ser elogiado.
Mas Hegseth fazendo flexões não vai acabar com a guerra no Irã, que já dura mais meses do que Trump prometeu e está mexendo com a economia do mundo.
Fazer flexões também não vai reconstruir o comando do Exército. No mesmo dia em que Hegseth zombou dos canadenses, o secretário do Exército, Dan Driscoll, foi à Casa Branca e renunciou, dizendo a Trump que Hegseth deixou cargos importantes vagos.
Algumas indicações de Hegseth para cargos militares podem não ter apoio suficiente dos dois partidos para serem aprovadas.
Além disso, não é apropriado criticar jovens interessados em carreira militar. Os EUA conseguiram atingir suas metas de recrutamento nos últimos dois anos, em parte por causa de programas que preparam os recrutas para os testes.
Zombaria não ajuda a guerra comercial
Mas Hegseth não vai diminuir os insultos. Ele costuma criticar políticas de diversidade. No fim de semana, em um evento de apoio a um deputado republicano na Feira Estadual de Iowa, ele usou um termo ofensivo para pessoas transgênero, que ele quer expulsar das Forças Armadas.
Quando um republicano aparece na Feira Estadual de Iowa, quase sempre quer concorrer à presidência. Hegseth nega que vai concorrer.
Claro que esses homens têm coisas mais importantes para fazer do que provocar o Canadá. Hegseth tem uma guerra que os EUA ainda não venceram. Bessent deveria cuidar do mercado de títulos, que está instável, e Duffy deveria se preocupar com os preços da gasolina.
Se a intenção era ganhar apoio na guerra comercial, até agora não funcionou.
Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostrou que a maioria dos americanos é contra a mudança do nome do Lago Ontário e contra as tarifas sobre o Canadá.

Presidente dos EUA, Donald Trump, com Pete Hegseth, Marco Rubio e Scott Bessent Reuters





