A Carris, empresa de transporte de Lisboa, anunciou que vai substituir o histórico Elevador da Glória por um novo sistema, após um acidente que matou 16 pessoas. O novo equipamento será moderno, seguro e acessível, com previsão de funcionar em 2029.
O Elevador da Glória, um dos pontos turísticos mais famosos de Lisboa, deve voltar a funcionar em 2029 com um novo sistema. A empresa de transporte municipal, a Carris, vai lançar um concurso internacional no início de 2027 para construir e instalar o novo equipamento.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (31), quase um ano depois do acidente em que uma das cabines do elevador descarrilhou e matou 16 pessoas. O presidente da Carris na época, Pedro Bogas, renunciou depois que um relatório preliminar apontou falha no acidente.
- O acidente matou 16 pessoas há quase um ano.
- O novo elevador terá mais segurança e acessibilidade.
- A Carris quer manter o visual tradicional, mas sem madeira.
- O concurso internacional será lançado em 2027.
- A previsão é que volte a funcionar em 2029.
Novo projeto
O projeto vai substituir o sistema antigo por um equipamento moderno, com normas de segurança e acessibilidade. Mas a Carris quer preservar a identidade do Elevador da Glória e sua ligação com a Calçada da Glória, uma das ruas mais íngremes e tradicionais da capital.
"É uma nova solução, não uma reconstrução", disse Rui Lopo, presidente do conselho da Carris, durante a apresentação.
Ainda não há detalhes definitivos. A empresa não informou a capacidade das novas cabines, o modelo de tração, quem será responsável pela manutenção ou quanto pretende gastar na obra.
Como funcionava o elevador
O elevador era composto por dois bondes sobre trilhos que ligavam a parte alta à parte baixa da cidade, ligados por um cabo. Eles se movimentavam simultaneamente, um subindo e outro descendo, num mecanismo de contrapesos. O acidente ocorreu porque o cabo se rompeu na ligação com o bonde que iria iniciar a descida, fazendo com que o veículo despencasse ladeira abaixo.
Design e cronograma
Uma imagem apresentada no evento mostra uma cabine amarela, na cor tradicional da Carris, com grandes janelas e iluminação de LED no teto. O desenho não é definitivo. A empresa ainda vai definir as exigências do edital e caberá à vencedora do concurso desenvolver o projeto final.
Se o cronograma for mantido, o concurso internacional será lançado no início de 2027. A previsão da Carris é que o novo Elevador da Glória esteja pronto e volte a transportar passageiros em 2029.
A mudança será significativa. As novas cabines não poderão ser construídas em madeira, devido às normas europeias de segurança. A Carris também pretende tornar o novo equipamento acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
Investigação
A investigação sobre o acidente ainda está em andamento.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), órgão encarregado de examinar as causas da tragédia, informou que o relatório final deve ser concluído perto do fim do primeiro trimestre de 2027. O prazo foi ampliado devido à complexidade das perícias.
O órgão recomendou que nenhum dos elevadores históricos de Lisboa atualmente interditados volte a funcionar sem uma avaliação independente dos sistemas de tração, da fixação dos cabos e dos freios.
Além da Glória, continuam parados os elevadores da Lavra e da Bica, também operados pela Carris.

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