04 de agosto de 2026

ONG culpa Marrocos pela onda de imigrantes que tentam chegar à Europa

Mundo Imigração 04/08/2026 15:12 Lucas Pordeus Leôn - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) afirma que a falta de oportunidades e o desespero da população, principalmente dos jovens, levaram milhares de pessoas a tentar chegar à Europa. A organização critica o governo marroquino e diz que a crise migratória é o resultado de décadas de problemas sociais e econômicos.

A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) culpou o governo do Marrocos pela onda de mais de 50 mil pessoas que tentaram chegar às cidades de Ceuta e Melilla, que são territórios espanhóis na África. Quase 100 pessoas morreram nessa tentativa, segundo informações do governo de Ceuta.

  • Mais de 50 mil imigrantes tentaram chegar à Europa.
  • Quase 100 pessoas morreram na travessia.
  • A AMDH é uma das organizações de direitos humanos mais importantes do Marrocos.
  • A ONG critica a desigualdade social e a corrupção no país.
  • Jovens são a maioria dos que tentam emigrar em busca de uma vida melhor.

A organização disse que a falta de esperança e a frustração, especialmente entre os jovens, viraram uma espécie de identidade de uma geração. Para eles, querer sair do país virou uma forma de mostrar raiva contra as políticas do governo, que não resolvem os problemas da população.

A AMDH criticou a desigualdade social e a má distribuição de renda no Marrocos. A ONG afirma que um grupo pequeno fica com a riqueza do país, por causa de uma economia baseada em privilégios, corrupção, autoritarismo e tirania. Para a entidade, o desespero dos imigrantes é um sinal claro de uma crise profunda e de décadas de abandono social e econômico.

A associação também condenou o uso da crise migratória como uma forma de pressão política contra a Espanha e a Europa. Eles disseram que as pessoas não podem ser usadas em jogos políticos e diplomáticos, pagando com os próprios direitos.

Divergências entre especialistas

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil têm opiniões diferentes sobre se o governo do Marrocos permitiu ou incentivou a saída dos imigrantes para conseguir vantagens políticas com a Europa.

A AMDH também criticou o que chamou de silêncio estranho das instituições do Marrocos, o que, segundo eles, ajudou a mobilizar muitas cidades e regiões do país.

A organização também criticou a forma como a extrema-direita na Europa e nos Estados Unidos fala sobre os imigrantes, incitando o ódio e tratando-os como uma ameaça para o Ocidente.

Problemas sociais no Marrocos

O Marrocos é uma monarquia onde o rei Mohammed VI tem muito poder. Ele é o chefe das forças armadas e uma figura central na política do país.

O professor marroquino Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC (UFABC), disse que a saída em massa de jovens mostra que o projeto de desenvolvimento do país falhou. Ele explicou que, apesar de o Marrocos ter se modernizado com novas estradas e projetos de energia, isso não melhorou a vida da maioria das pessoas, que ainda sofre com o custo de vida alto, falta de oportunidades e dificuldade de acesso à saúde pública.

O rei Mohammed VI, por outro lado, falou que o país vive um momento importante de desenvolvimento e que a segurança e a estabilidade são motivos de orgulho. Ele citou o crescimento de 4,9% da economia e disse que o país se tornou um dos maiores exportadores de carros da África.

Mesmo com esses números, a realidade da população jovem é difícil. O desemprego entre jovens de 15 a 24 anos era de quase 25% em 2022. No ranking de desenvolvimento humano da ONU, o Marrocos está em 120º lugar entre 193 países, atrás de outros países africanos como África do Sul, Egito, Argélia e Tunísia.


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