A Justiça do Distrito Federal decidiu tornar público o processo contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze, a pedido do Ministério Público. O caso envolve suspeitas de publicidade enganosa e uso de influenciadores para atrair apostadores durante a Copa do Mundo.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) derrubou o sigilo do processo referente ao recurso do Ministério Público (MP) na ação contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze.
A decisão, tomada pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel na última sexta-feira (24), atendeu a um pedido do MP. No documento, ele disse: "Diante disso, aceito o pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e determino o fim do sigilo, para que o processo seja público".
- Virginia Fonseca é investigada por supostamente usar suas redes sociais para incentivar apostas na Blaze.
- O Ministério Público acredita que ela e a plataforma usaram estratégias para atrair apostadores, principalmente durante a Copa do Mundo.
- Virginia teria ganhado comissão de 30% sobre as perdas de pessoas que apostaram seguindo suas dicas.
- A ação pede que a publicidade de apostas mostre claramente os riscos e não prometa ganhos fáceis.
- O caso pode mudar as regras para influenciadores que fazem propaganda de sites de aposta.
A ação tem como objetivo impor restrições à publicidade de apostas, especialmente em relação à veiculação de promessas de ganhos garantidos e à necessidade de divulgação clara dos riscos envolvidos.
A CNN Brasil tenta localizar as defesas da influenciadora e da plataforma. O espaço segue em aberto.
Entenda o processo do Ministério Público
O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um modelo "estruturado de captação de apostadores", comandado pela plataforma de apostas Blaze, durante os jogos da Copa do Mundo deste ano.
Segundo o documento do MP, obtido pela CNN Brasil, Virginia teria adotado estratégias para atrair apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, a influenciadora, com mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais, teria incentivado o público a apostar na vitória da seleção africana.
Para o Ministério Público, além da aposta ser "de baixa probabilidade e alto retorno potencial", a influenciadora ainda teria usado linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem. Nos vídeos divulgados por Virginia, a influenciadora afirmou que estava "esperançosa" com a vitória de Cabo Verde.
O MP ainda argumentou que as gravações não tinham sinalização para avisar ao público que o conteúdo tinha indícios de publicidade. "Virginia operou sobre um viés cognitivo documentado, intensificando a percepção de atratividade de um resultado objetivamente improvável sem qualquer menção às probabilidades reais", diz o documento.
Segundo o documento, além de Virginia, a plataforma de apostas também adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas do campeonato, explorando uma "alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo".
Estratégias de marketing
No dia 8 de julho, o Ministério Público entrou com uma ação que sustenta que a empresa de apostas usou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas.
A investigação aponta que, enquanto simulava "esperança" no resultado da disputa entre as seleções, a influenciadora poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de quem seguia as recomendações de aposta.

Virginia Fonseca






