05 de novembro de 2026

Família Jereissati investe R$ 230 milhões em novo moinho na Bahia

Geral Expansão 05/11/2026 14:53 Alessandra Mello - Agfeed agfeed.com.br Salvador BA

A Grande Moinho Cearense, controlada pela família Jereissati, vai inaugurar uma nova unidade em Salvador no próximo janeiro com foco em cortar custos de frete e impostos.

A Grande Moinho Cearense (GMC), pertencente à família Jereissati, anuncia um investimento de R$ 230 milhões para a construção de uma nova unidade fabril em Salvador, na Bahia. A previsão é que o novo moinho seja inaugurado no mês de janeiro de 2027.

A empresa, que é a quarta maior indústria de processamento de trigo do Brasil, justificou a expansão afirmando que o objetivo principal é melhorar a logística e reduzir custos tributários, tornando o fornecimento de farinha mais competitivo para a região Nordeste.

  • Investimento: R$ 230 milhões alocados na nova planta industrial.
  • Localização: Salvador (BA), com inauguração prevista para janeiro de 2027.
  • Capacidade: 500 toneladas de trigo moído por dia, aumentando em 30% a produção total da rede.
  • Estratégia: Foco exclusivo em farinha e farelo de trigo, sem produção de massas ou biscoitos.
  • Desafio: Enfrentar alta na carga tributária e queda na qualidade do trigo argentino em 2026.

Expansão focada no Nordeste

Diferentemente de concorrentes como a M. Dias Branco e a J. Macêdo, que expandiram fortemente para o Sul do país, o GMC manteve uma estratégia concentrada nas regiões Norte e Nordeste. A empresa foi fundada em 1959 por Carlos Jereissati, pai do ex-governador Tasso Jereissati, e hoje opera unidades em Fortaleza (CE) e Teresina (PI), além de centros de distribuição em outros estados.

Carlos Augusto Neves da Rocha, presidente da companhia, explicou que a nova unidade em Salvador é necessária porque o frete da farinha de trigo, um produto de baixo valor agregado, é muito caro quando transportado de Fortaleza. "A gente já vende na Bahia, em Sergipe e em Alagoas, mas essa farinha toda tem que sair de Fortaleza. E o frete para o nosso setor, ele pesa muito", detalhou o executivo.

Logística e Reforma Tributária

Com a nova planta, a capacidade de moagem total do grupo deve aumentar em 30%, ultrapassando as 2 mil toneladas diárias. Além de atender melhor a Bahia, a unidade deve beneficiar clientes localizados no norte do Espírito Santo, em Minas Gerais e em Goiás.

A localização estratégica também visa aproveitar as mudanças da Reforma Tributária. Rocha apontou que a nova legislação torna mais vantajoso para as empresas estarem fisicamente próximas de seus clientes finais, reduzindo a complexidade de impostos sobre a movimentação de mercadorias.

Desafios com matéria-prima

O ano de 2026 é considerado desafiador para o setor. O Brasil aumentou a moagem de trigo em apenas 0,5% no ano anterior, um crescimento histórico baixo, o que exige rigoroso controle de custos para manter a rentabilidade. O presidente da GMC expressou preocupação com o trigo argentino, que chegou ao país com a pior qualidade registrada nas últimas três décadas.

Para garantir a constância da qualidade da farinha, a empresa tem passado a utilizar mais trigo produzido no Cerrado brasileiro. "Em anos como esse, em que o trigo argentino vem com grandes problemas, o trigo do Cerrado ajuda na equação, mesmo que o volume ainda seja pequeno", afirmou Rocha. O executivo também descartou importar da Rússia devido ao conflito com a Ucrânia e apontou que comprar do Sul do Brasil, onde houve quebra de safra, é economicamente inviável para o Nordeste.

Resultados e Projeções

No balanço de 2025, o GMC reportou uma receita de R$ 1,12 bilhão. Para este ano, a expectativa é de manter valores semelhantes, embora os custos possam pressionar as margens de lucro. Rocha alertou que a possibilidade de repassar aumentos de preço para o consumidor é limitada devido à forte concorrência e à desaceleração da economia.

"A gente tenta repassar, mas existe uma competição muito acirrada... Então, nem sempre você repassa aquilo que você gostaria. Aí você acaba incorrendo em estreitamento de margem", concluiu o presidente, prevendo que 2027 possa ser mais um ano de dificuldades semelhantes às atuais.


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