12 de outubro de 2026

Aquários com divisórias deixam tilápias mais calmas e saudáveis em testes

Geral Piscicultura 12/10/2026 11:21 Camila Machado - Canal Rural canalrural.com.br Jaguariúna SP

Pesquisa da Embrapa mostra que separar tilápias-do-Nilo em baias individuais com paredes físicas reduz a agressividade e o estresse dos peixes durante experimentos, melhorando o bem-estar animal mesmo que os exames de sangue não mostrem grandes diferenças.

O uso de divisórias físicas em aquários pode ajudar a melhorar as condições de bem-estar de tilápias-do-Nilo mantidas em experimentos de laboratório. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realizado em parceria com o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), revelou que espécies de peixes que formam hierarquias sociais passam por situações de maior estresse nos aquários sem separações individuais.

A pesquisa comparou o comportamento e os indicadores de estresse de peixes mantidos em aquários com e sem divisórias. O experimento durou 17 dias, sendo dois dias de aclimatação e 15 dias de avaliação, realizado em seis aquários de 300 litros equipados com sistema de recirculação de água. Três aquários receberam divisórias físicas e três permaneceram sem a barreira. Após a biometria inicial, três tilápias foram colocadas em cada aquário.

  • Redução do estresse: As divisórias impediram que peixes dominantes atacassem fisicamente os demais.
  • Duração do teste: O estudo contou com 17 dias de observação cuidadosa.
  • Monitoramento contínuo: A equipe acompanhou a saúde da água e os sinais clínicos dos animais diariamente.
  • Alimentação padronizada: Os peixes receberam ração equivalente a 3% da sua biomassa corporal.
  • Equipe multidisciplinar: A pesquisa envolveu bolsistas e pesquisadores da Embrapa e da UniFAJ.

Metodologia detalhada do experimento

Durante o período experimental, os pesquisadores acompanharam diariamente o comportamento dos peixes, possíveis sinais clínicos de enfermidades e a ocorrência de mortalidade. Também foram monitorados parâmetros de qualidade da água, como concentração de amônia, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e condutividade elétrica.

Os peixes receberam diariamente ração comercial equivalente a 3% da biomassa, sob um regime de 10 horas de luz e 14 horas de escuro. Ao final do experimento, os animais passaram por nova avaliação biométrica e foram coletadas amostras de sangue para verificar indicadores relacionados à saúde e ao estresse, como glicemia, hematócrito e proteína plasmática total.

Comportamento agressivo e hierarquia social

Embora os parâmetros sanguíneos não tenham apresentado diferenças significativas entre os dois tratamentos, as observações comportamentais revelaram uma diferença importante. Nos aquários sem divisórias, foram identificados indivíduos dominantes que apresentavam comportamento agressivo, perseguindo e atacando os demais peixes.

Já nos aquários com divisórias, alguns peixes também apresentaram comportamento agressivo, mas a barreira física impediu o contato direto entre os indivíduos. Os resultados mostram que uma estrutura simples, como a utilização de divisórias, pode reduzir as interações agressivas entre os peixes e contribuir para melhores condições de bem-estar durante os experimentos, afirma Víctor Biguetti, bolsista da Universidade de Jaguariúna.

A agressividade entre tilápias está relacionada à formação de hierarquias sociais, nas quais alguns indivíduos assumem posições dominantes e podem restringir o acesso dos demais a espaço e alimento.

Importância do bem-estar animal na ciência

O estudo reforça a importância de considerar não apenas os parâmetros fisiológicos, mas também o comportamento dos peixes na avaliação de seu bem-estar. Essa observação demonstra a importância da padronização de metodologias para uso dos biomarcadores que sejam mais adequados para cada situação e ambiente, explica Márcia Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

Associar ferramentas estruturais com as técnicas laboratoriais faz parte das boas práticas de manejo laboratorial na condução dos experimentos em ambiente controlado, conclui Julio Queiroz, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

O trabalho é de Víctor Biguetti, da UniFaj, Mariana de Oliveira Nascimento, bolsista da Faped, Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Claudio Jonsson, Vera Castro e Márcia Ishikawa, da Embrapa Meio Ambiente.


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