26 de setembro de 2026

Nova regra do governo pode atrapalhar o acesso a crédito no campo

Geral Crédito 26/09/2026 07:53 Redação Digital Canal Rural canalrural.com.br

Uma decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) proíbe fundos de investimento de comprar dívidas que ainda estão sendo julgadas na justiça. Essa mudança, que entra em vigor em 13 de outubro, pode reduzir a liquidez financeira dos produtores rurais, que já enfrentam dificuldade de caixa e aumentam de dívidas.

Uma nova regra do Conselho Monetário Nacional (CMN) para os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) pode ter reflexos significativos sobre os financiamentos do agronegócio. A partir de 13 de outubro, esses fundos não poderão realizar novos investimentos em créditos decorrentes de processos judiciais ou arbitrais, enquanto os créditos não estiverem definitivamente consolidados.

A principal preocupação do setor é a amplitude dessa medida, que foi decidida de forma abrupta, oferecendo poucas semanas para adaptação. Isso pode afetar um mercado importante de compra e financiamento de créditos, especialmente em um momento delicado para o setor agrícola, que enfrenta forte pressão financeira.

  • Os produtores rurais estão aumentando o endividamento e buscando renegociações de dívidas com frequência.
  • A liquidez (dinheiro disponível) é fundamental, e esses fundos passaram a ocupar espaços que o crédito bancário tradicional não consegue ou não quer preencher.
  • A nova regra pode restringir a transformação de créditos em dinheiro antes do encerramento de disputas judiciais, que podem levar anos para serem resolvidas no Brasil.
  • Existe o risco de o produtor perder a oportunidade de antecipar recebíveis de processos longos, travando o fluxo de caixa da fazenda.
  • Entender os detalhes técnicos da norma é crucial para o produtor evitar surpresas negativas em contratos já firmados.

Desafios na regulação

Recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alterou suas regras para facilitar o uso de FIDCs por empresas em recuperação judicial, ampliando as alternativas de financiamento. No entanto, a nova decisão do CMN restringe parte desse universo, criando uma situação de conflito regulatório.

  • A proibição não se aplica diretamente ao crédito rural tradicional nem aos recebíveis normais do agro, como faturas de venda de grãos.
  • É necessário entender os efeitos indiretos dessa decisão, que podem impactar o acesso ao crédito de forma ampla.
  • O setor pede clareza sobre o que é considerado 'crédito judicial' para evitar a exclusão indevida de negócios legítimos.

Alerta para o produtor rural

O alerta para o agronegócio é acompanhar de perto essa regulamentação, pois uma decisão técnica tomada em Brasília pode afetar diretamente o acesso ao dinheiro, que é o ponto mais sensível para os produtores atualmente. A recomendação é manter diálogos constantes com assessorias jurídicas e financeiras para mitigar riscos operacionais.


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