24 de setembro de 2026

Governo destrói balsas de garimpo ilegal em terra indígena de Mato Grosso

Geral Garimpo 24/09/2026 03:38 Andrey Bonfim, g1 MT g1.globo.com

A Polícia Federal, o Ibama e a Funai destruíram balsas e máquinas usadas no garimpo ilegal nos rios Teles Pires e São Manuel, na Terra Indígena Kayabi, em Apiacás. A ação visou impedir a contaminação dos rios por mercúrio, substância tóxica usada para extrair ouro, e cerca de 37 mil litros de combustível também foram inutilizados.

Balsas e barcos usados na exploração ilegal de minério foram destruídos durante uma ação de combate ao garimpo ilegal nos rios Teles Pires e São Manuel, em Apiacás (MT). A operação foi realizada pela Polícia Federal, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), nos dias 15 e 16 de setembro, na Terra Indígena Kayabi e em áreas próximas. O objetivo principal foi eliminar o risco de contaminação dos recursos hídricos e da fauna local por substâncias químicas perigosas.

Segundo o Ibama, garimpeiros usam mercúrio na extração de ouro. Essa prática coloca em risco a contaminação da água, da fauna aquática e das pessoas expostas à substância. O uso indevido do metal tóxico pode causar doenças graves e afetar a saúde das comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem desses rios para a subsistência.

  • PF, Ibama e Funai realizaram operação contra o garimpo ilegal nos rios Teles Pires e São Manuel, em Apiacás (MT).
  • Foram destruídas 16 balsas escariantes, 5 de mergulho, 5 barcos e 37,7 mil litros de combustível.
  • O Ibama informou que os danos ambientais e a contaminação da água ainda não foram totalmente avaliados.
  • Ninguém foi preso e os suspeitos fugiram do local ao verem a aproximação das equipes.
  • Novas fiscalizações estão previstas para o ano, com foco na proteção da Terra Indígena Kayabi.

Impactos ambientais da dragagem fluvial

Geralmente, a dragagem fluvial para extração de ouro provoca a remoção de grandes quantidades de sedimentos e alterações no leito dos rios, informou o Ibama. Isso pode causar erosão das margens, assoreamento, perda de habitats aquáticos e impactos sobre a qualidade da água, a biodiversidade e os recursos pesqueiros da região. A atividade ilegal altera a paisagem natural e afeta diretamente a vida dos peixes e outras espécies que vivem nos rios.

Balanço da operação de fiscalização

Durante a operação, foram destruídas 16 balsas escariantes, cinco balsas de mergulho, cinco barcos, dois pares de flutuadores, um rebocador, quatro motobombas, um motor e cerca de 37,7 mil litros de combustível. O Ibama informou que os danos ambientais causados pela atividade ilegal na região ainda não foram mensurados. Também não foi realizada análise específica para identificar ou quantificar eventual contaminação da água nas áreas fiscalizadas. Os dados completos sobre o impacto ecológico devem sair em um relatório futuro.

Repercussão e próximos passos

A identificação dos responsáveis pelas atividades e a eventual aplicação de sanções administrativas ainda não foram concluídas. De acordo com o Ibama, é comum que os envolvidos abandonem os locais ao perceberem a aproximação das equipes de fiscalização. As abordagens iniciais são realizadas pela PF, que avalia a situação das pessoas encontradas e a eventual adoção de medidas de polícia judiciária. A PF também foi procurada pela reportagem para informar se houve identificação ou prisão de suspeitos durante a ação, mas não haviam respondido até a última atualização.

Segundo o Instituto, os bens encontrados foram apreendidos e, em sua maioria, inutilizados devido à inviabilidade de transporte e armazenamento e para impedir que fossem reutilizados na atividade ilegal. Entre os itens estavam balsas de mergulho, dragas escariantes e barcos. A Funai informou que a equipe de fiscalização identificou frentes de exploração mineral dentro da Terra Indígena Kayabi e em áreas do entorno. Por razões de segurança e devido ao sigilo da investigação conduzida pela PF, as coordenadas exatas dos pontos fiscalizados não foram divulgadas. A fundação informou ainda que continuará realizando levantamento de informações, buscando combater irregularidades na área. O Ibama informou que estão previstas novas ações de fiscalização na região ao longo do ano.


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