20 de setembro de 2026

Marcha Trans e Travesti em defesa da democracia reúne milhares no Rio

Geral Marcha Trans 20/09/2026 08:12 Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Prova de que a diversidade é vital para a sociedade, o ato reuniu pessoas trans, travestis e aliados em defesa da democracia, com serviços gratuitos e apoio à comunidade.

A Marcha Trans & Travesti saiu às ruas na tarde deste sábado, dia 19 de setembro de 2026, no centro do Rio de Janeiro, em sua quinta edição, com a missão de garantir os direitos das pessoas trans. O ponto focal do evento foi a forte defesa da democracia brasileira.

Mais do que um desfile, a manifestação foi um espaço de acolhimento e justiça social, oferecendo serviços essenciais como a retificação de nomes e vacinação em um dia cheio de emoções. O tema deste ano trouxe um recado claro: a democracia é um direito de todos, com corpo e história.

  • A 5ª Marcha Trans & Travesti ocorreu no centro do Rio de Janeiro em 19/09/2026.
  • Organizadores alertam sobre o uso de "pânico moral" por políticos em ano eleitoral.
  • Eventos oferecem serviços como retificação do nome e testes de HIV para a comunidade.
  • A manifestação tem raízes em 1993, quando travestis marcharam de Candelária à Cinelândia.
  • Mães de pessoas trans usaram a oportunidade para apoiar transições de gênero.

Democracia com rosto e história

O organizador da manifestação, Gab Van, ressaltou a profundidade social do conceito de democracia. Ele explicou de forma clara: "Quando a gente fala de democracia, ela tem corpo, território, classe, raça, gênero. A democracia também se mede pela possibilidade concreta de a pessoa existir, de ela ter o direito de circular pela cidade, trabalhar, estudar, cuidar da sua saúde, cuidar do seu corpo, construir os seus afetos. Não vamos aceitar uma democracia que nos exclua".

Gab Van enfatizou que a marcha, que começou em 2022, é um movimento inspirado na histórica caminhada que travestis realizaram em 1993, partindo da Candelária rumo à Cinelândia. A intenção original, e que perdura até hoje, era reivindicar os direitos básicos de uma comunidade que frequentemente é invisibilizada e marginalizada.

Para Van, realizar a marchada durante o período eleitoral é uma resposta direta à forma como as questões da população trans são frequentemente instrumentalizadas. Ele alerta que discursos de "pânico moral" por parte de alguns candidatos são comuns, buscando dividir a população e empregar o medo como ferramenta política.

Serviços de suporte à população

Além de ser um ato de força política, a Marcha Trans & Travesti é um centro de solidariedade e cuidado. Entre as apresentações artísticas que animaram as ruas, o evento ofereceu ações práticas. Um destaque foi a retificação do nome civil, um passo crucial para a integração social de muitas pessoas. Isso foi possível em colaboração direta com o Núcleo de Diversidade Sexual da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, conhecido como Nudiversis.

A Defensoria Pública atua para garantir que todos tenham seus direitos fundamentais cumpridos, sem discriminação. A retificação do nome, sem burocracia excessiva, permite que pessoas vivam com mais dignidade e adequação em seus espaços de trabalho e estudo.

Outro ponto de grande importância na marcha foi a oferta de serviços de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde participou ativamente, fornecendo vacinação contra a gripe. Além disso, foram realizados testes para HIV e para outras infecções sexualmente transmissíveis, reforçando a prevenção e o cuidado com o bem-estar de participantes.

Troca de nomes e novos horizontes

A história de Helena, de 22 anos, ilustra o impacto positivo dos serviços do evento. Edna Oliveira, sua mãe, que trabalha como supervisora de quiosque, levou a filha para realizar o tão desejado processo. Helena, uma mulher trans, começou sua transição de gênero há cerca de dois anos, mas só agora conseguiu avançar.

"A Helena começou sua transição há cerca de dois anos, mas nunca tinha manifestado o desejo de fazer a retificação do nome", conta Edna, destacando que a decisão foi construída ao longo do tempo. Como mãe, ela diz estar ali para dar todo o suporte necessário à filha. "A Helena já faz faculdade, ela precisa dessa identificação nova para quando pegar o diploma já seguir a vida dela com esse nome".

Esse momento é uma vitória pessoal e social, mostrando como a burocracia pode ser enfrentada com a ajuda da comunidade e de órgãos públicos. A retificação do nome na faculdade e em documentos pessoais abre caminho para uma nova identidade, facilitando a vida acadêmica e profissional de Helena.

Assim, a marcha no Rio de Janeiro não apenas celebrou a diversidade, mas também foi um laboratório vivo de cidadania. Com os eventos, a população trans e travesti se fortalece frente aos desafios, mostrando que a verdadeira democracia exige que todas as vozes e corpos encontrem seu lugar pleno na sociedade brasileira.


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