Fortes chuvas no estado de São Paulo resultaram em ao menos oito mortes e uma pessoa desaparecida. Um prédio em construção desabou na capital, matando sete pessoas, enquanto uma enxurrada em Jandira levou outra vítima. A Defesa Civil alertou para riscos e monitorou 21 alertas.
As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo entre quinta-feira e sábado deixaram ao menos oito pessoas mortas e uma desaparecida. Além das vítimas, houve queda de árvores, alagamentos e diversas outras ocorrências graves ao longo de todo o território estadual.
Na capital paulista, um prédio em construção desabou na madrugada de sábado, 12 de setembro, na Rua Tequeci, na região da Penha. A estrutura caiu sobre as casas vizinhas. Os bombeiros localizaram todas as vítimas no local.
- Sete pessoas morreram no desabamento na Penha, incluindo um recém-nascido e uma gestante.
- A família vítima da tragédia era composta por bolivianos e uma paraguaia.
- A construção era irregular e estava embargada pela Prefeitura desde 2021.
- Uma servidora pública foi afastada por suspeita de emitir laudo falso sobre demolição.
- No Vale do Ribeira, 173 pessoas foram retiradas de suas casas devido às enchentes.
Tragédia na Penha e investigação sobre irregularidades
Segundo o governo do estado, a casa atingida abrigava uma família estrangeira. Cinco das vítimas mortas eram bolivianas e uma era paraguaia. Os corpos estão sendo encaminhados para sepultamento em seus respectivos países de origem.
Ainda no sábado, as casas ao redor do local do desabamento foram vistoriadas pela Defesa Civil do município. Três residências seguem interditadas para garantir a segurança dos moradores restantes.
A construção que cedeu era um prédio residencial de 12 andares. O local estava embargado pela prefeitura já em 2021, devido a irregularidades na obra.
Ações judiciais e a fuga do controle fiscal
A Prefeitura de São Paulo informou que, naquele mesmo ano de 2021, abriu uma ação judicial para demolir a estrutura irregular. A decisão seguiu diversas fiscalizações da Subprefeitura da Penha.
Também foram aplicadas multas à construtora, sendo a mais recente no valor de R$ 119 mil. A pressão fiscal do município tentava garantir que a obra seguisse as normas de segurança e urbanismo.
No entanto, em 2022, a empresa apresentou um novo projeto que foi autorizado. O novo plano previa a demolição da estrutura antiga, permitindo a construção de um novo prédio no local.
Em fevereiro de 2024, uma fiscalização constatou que a demolição tinha sido realizada. Um laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura confirmava oficialmente essa etapa, liberando a continuidade das obras.
Afastamento de funcionária e prisões na construtora
A situação está sendo investigada pela Controladoria Geral do Município. A servidora responsável pelo laudo foi afastada de suas funções por 30 dias para não prejudicar as apurações.
As investigações preliminares indicam que a demolição obrigatória da estrutura irregular não foi efetivamente realizada. A antiga estrutura não havia sido removida como deveria, criando um risco oculto fatal.
O Governo do Estado informou que a polícia civil investiga o crime. Um dos sócios da construtora responsável, a New Home, foi preso na manhã de domingo, 13 de setembro.
A defesa do homem preso não foi localizada pela reportagem. A assessoria da construtora também não comentou o caso. Outros dois representantes da empresa são procurados e possuem mandados de prisão em aberto.
Enxurrada em Jandira e buscas no interior
Em Jandira, na Grande São Paulo, três pessoas foram atingidas por uma enxurrada. Na noite de sexta-feira, uma mulher foi encontrada sem vida. Um homem foi localizado no domingo, mas outro segue desaparecido.
As equipes de busca dos bombeiros concentram os esforços em um reservatório, conhecido como piscinão, na cidade vizinha de Carapicuíba. Ele serve como ponto de captação das águas da região.
Em Vargem Grande Paulista, outra cidade da região metropolitana, aconteceu a queda de um muro e de uma barreira. Houve também o deslizamento de terra e o deslocamento de rochas pela força da água.
Uma residência teve uma parede atingida, mas sem dano estrutural grave. O morador saiu ileso. Cidades como Cotia, Osasco, Mogi das Cruzes e Itapecerica da Serra também registraram alagamentos e quedas de árvores.
Monitoramento dos rios e alerta para o litoral
Desde a meia-noite de sábado até 7h30 de domingo, a Defesa Civil emitiu 21 alertas por SMS e quatro por tecnologia de celular. As mensagens avisavam sobre as condições meteorológicas perigosas.
Equipes foram enviadas para Eldorado, no Vale do Ribeira. O Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de 9 metros. Isso causou inundações urbanas na cidade.
No total, 54 famílias, cerca de 173 pessoas, foram retiradas de suas casas em Eldorado. Elas foram levadas para abrigos de emergência montados pela Defesa Civil.
Em Sete Barras, o transbordamento do mesmo rio inundou ruas e fazendas. O problema afetou 50 moradias na zona rural, prejudicando as colheitas e a rotina dos agricultores.
Na cidade de Itu, ocorreram quedas de muros de arrimo em duas casas. Também houve deslizamentos de terra, rochas e árvores caindo sobre vias públicas.
A Defesa Civil manteve as regiões sob atenção. Na área de Registro, os rios permanecem elevados. Havia tendência de aumento no nível da água na manhã de domingo.
De acordo com a agência SP Águas, os níveis dos rios Tietê e Pinheiros mostraram estabilidade na manhã de domingo. O monitoramento contínuo é essencial para evitar novas tragédias.
Em quatro pontos, houve extravasamento. Isso ocorreu em Itaim-Biacica, Jardim Helena, Itaquaquecetuba e num trecho do Rio Tietê em Mogi das Cruzes. Os níveis ficaram acima da cota de normalidade.
Na região do Ribeira de Iguape, caíram 26,1 milímetros de chuva em 24 horas. Das 29 estações de monitoramento, seis estavam em extravasamento, uma em emergência e mais seis em alerta.
A área de Piracicaba, com rios Atibaia, Capivari, Jaguari e Jundiaí, também enfrentou problemas. Três estações indicaram extravasamento, cinco estavam em emergência e seis em alerta.
A Defesa Civil orienta a população a evitar as margens dos rios. Devem ser evitadas travessias em áreas alagadas. Os moradores devem acompanhar os alertas oficiais enviados pelas autoridades.
A previsão para domingo e segunda-feira é de chuvas volumosas no litoral. Há chance de chover até 150 milímetros nesses dois dias. No interior, as regiões seguem estáveis com chuva leve.

© Paulo Pinto/Agência Brasil





