10 de setembro de 2026

Mosca-branca ameaça soja e pode destruir até 70% da produção

Geral Mosca-branca 10/09/2026 15:10 Gabriel Almeida | Canal Rural canalrural.com.br

Pesquisador alerta que condições climáticas favoráveis elevam risco de infestação da praga na safra 2025/26. O especialista indica que produtores devem intensificar o monitoramento precoce para evitar quedas severas de produtividade.

Nas plantações de soja, inimigos silenciosos podem avançar rapidamente e causar quedas grandes na produtividade. Um desses problemas é a mosca-branca (Bemisia tabaci), que preocupa produtores para a safra 2026/27. O pesquisador Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e integrante da Desafios Agro, em Chapadão do Sul (MS), alerta que será necessário ter mais cuidado desde o início do plantio. "Acreditamos que será uma safra de mosca-branca, daí a necessidade de preparação para o enfrentamento", afirma o especialista.

Segundo Germison, anos de El Niño costumam acelerar o ciclo de várias pragas e ajudar na proliferação da mosca-branca. Ele lembra que safras passadas com muitas infestações tiveram dificuldade no controle e até falta de produtos no mercado. "Para uma safra como essa, bem desafiadora, o produtor precisa se preparar um pouco mais e estar mais presente no campo, principalmente no monitoramento", aponta. A atenção deve começar pelas bordas das lavouras, onde geralmente surgem os primeiros grupos de adultos.

  • Mosca-branca é considerada a terceira maior praga da soja no Brasil.
  • A praga pode reduzir a produção em até 70% se não houver controle.
  • O clima de El Niño tende a acelerar a reprodução desses insetos.
  • A fumagina, causada pela praga, atrapalha a fotossíntese da planta.
  • O produtor deve identificar as larvas (ninfas) antes que a lavoura feche completamente.

Como identificar e prevenir a praga na lavoura

O pesquisador explica que, após a chegada dos insetos adultos, é essencial descobrir rápido a presença de ninfas nas folhas da soja. O acompanhamento pode ser feito com uma lupa, o que ajuda a achar as formas jovens da praga e agir antes que o problema cresça. "É muito importante que o produtor se atente um pouco mais, porque essa infestação pode ser inicial e ocorrer antes do fechamento da cultura", diz Germison. Para ele, a lavoura deve chegar ao estágio de vegetação fechada com níveis muito baixos de ataque, de preferência sem nenhuma ninfa presente.

A mosca-branca é um inseto que suga a seiva das plantas e pode atrapalhar o desenvolvimento da soja. Ao se alimentar, o inseto deixa uma substância açucarada nas folhas, o que favorece o aparecimento da fumagina. Esse fungo cobre as folhas e piora a fotossíntese, fazendo a planta produzir menos energia. O resultado final é o enchimento menor dos grãos e a redução da produtividade. "É uma praga que gera prejuízos aí chegando até 70% na produtividade", ressalta o pesquisador, que também chama atenção para o fato de que a mosca-branca pode transmitir vírus.

Manejo correto e uso de produtos adequados

No combate à praga, Germison recomenda que o produtor não espere a hora de aplicar fungicidas para controlar a mosca-branca. A estratégia, segundo ele, deve começar logo nas primeiras infestações, usando produtos que atuem principalmente nos ovos e nas ninfas. Dessa forma, é possível quebrar o ciclo de vida do inseto. "Muitas vezes, o produtor faz uma reaplicação para mosca-branca com o mesmo intervalo do fungicida, e assim não se quebra o ciclo da praga", explica. O pesquisador destaca ainda a buprofezina, um produto que ataca as formas jovens e que apresentou resultados de eficácia próximos a 80% nos testes.

Além de controlar a praga, o monitoramento ajuda a descobrir possíveis casos de viroses e evita que sintomas parecidos com outros problemas sejam confundidos. Germison orienta que, diante de situações suspeitas, o procure a empresa que fornece a semente e a genética usada para uma avaliação correta. "O produtor, se detectar, deve chamar a empresa detentora da semente, a dona da genética de quem ele comprou, para que faça uma análise melhor", conclui. A principal dica é antecipar-se ao problema, monitorando sempre, identificando as ninfas cedo e fazendo o manejo no momento certo.


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