União Europeia quer saber quais remédios os animais tomam; Brasil terá que se adaptar para continuar vendendo carne.
A União Europeia está pressionando o Brasil para que ele controle melhor o uso de remédios em animais de criação. Por isso, o país vai precisar separar os animais que serão vendidos para a Europa dos que ficam no mercado interno. Isso vale para bois, porcos e frangos, segundo o Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal).
De acordo com o sindicato, será preciso registrar tudo o que os animais recebem, como remédios e vacinas, e comprovar isso para os compradores europeus.
- A Europa quer saber quais remédios os animais tomam.
- O Brasil terá que separar os animais por destino.
- A rastreabilidade é a principal exigência.
- Isso pode custar até R$ 100 por animal.
- Aves e suínos já têm sistemas mais fáceis de adaptar.
A rastreabilidade vira o ponto principal da conversa. Isso pode fazer com que o Brasil crie sistemas especiais para separar os animais que vão para a Europa dos que ficam no país.
Gabriela Moura, diretora do Sindan, diz que o Brasil ainda não consegue provar que os animais vendidos para a Europa não tomaram remédios proibidos por lá.
O problema maior é com os antibióticos que também são usados em humanos. Se o animal está doente, pode tomar remédio, mas não pode ser usado só para prevenir ou engordar. Essa diferença precisa ser controlada.
O Brasil terá desafios diferentes para cada tipo de animal. Bois, porcos e frangos são criados de jeitos diferentes, então as regras também serão diferentes.
Para os bois, é mais difícil porque eles passam por várias fazendas antes do abate. Cada etapa precisa ser registrada, o que dá mais trabalho.
Gabriela explica que a criação de bois é mais dividida. Enquanto frangos e porcos têm sistemas mais integrados, o boi passa por vários donos, o que complica o controle.
Ela afirma que, para vender para a Europa, o produtor terá que separar os animais e manter registros completos. Isso é um desafio grande para quem não está acostumado.
O sindicato diz que Argentina e Austrália já têm sistemas de rastreamento melhores. O Brasil está atrasado e precisa correr.
Isso pode dividir o mercado em dois: um para o Brasil e países com regras parecidas, e outro para países que exigem mais controle, como os da Europa.
Custo e riscos
Esse processo tem um custo
Os custos podem subir bastante. Para seguir as novas regras, o produtor vai precisar investir em equipamentos, mão de obra e registros. Em alguns casos, o custo extra pode chegar a R$ 100 por animal.
O problema é que quem investir primeiro pode não ter retorno garantido, pois não se sabe se o mercado vai pagar mais por isso.
O sindicato alerta que os primeiros a investir vão assumir os riscos. Não se sabe ainda se os compradores vão pagar mais por essa garantia.
É importante destacar que reduzir o uso de remédios não significa deixar os animais doentes sem cuidado.
Moura explica que os remédios continuam essenciais para tratar doenças. O que muda é que eles não podem ser usados de forma preventiva ou para engordar o animal.
O sindicato também diz que a indústria está buscando alternativas, como vacinas, melhor alimentação e cuidados com o bem-estar dos animais.
Os números mostram que o uso desses remédios vem caindo: eles representavam 17% das vendas do setor em 2015, e agora são 12%. Isso mostra que o mercado está mudando.
Suínos e aves
Suínos e aves podem sair na frente
Para porcos e frangos, a separação será mais fácil porque a criação é mais integrada.
Nesses sistemas, a empresa controla tudo, desde a comida até o abate. Isso facilita saber o que cada lote de animais recebeu.
Os frigoríficos também terão que mudar. Eles vão precisar separar os lotes por destino, para garantir que cada um siga as regras do país para onde vai.

Impacto mencionado nas discussões setoriais pode chegar a cerca de R$ 100 por animal. Foto: Wenderson Araujo





