16 de agosto de 2026

Cientistas brasileiros desvendam genoma de peixe nativo e prometem avanço na criação

Geral Ciencia 16/08/2026 07:50 Vinicius Rossi, Canal Rural canalrural.com.br

Pesquisadores da Unesp mapearam o DNA da pirapitinga, um peixe brasileiro. O estudo pode ajudar a criar animais mais resistentes a doenças e ao calor, aumentando a produção e melhorando o mercado de peixes no Brasil.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão desenvolvendo um mapeamento inédito do genoma da pirapitinga, um peixe brasileiro. O objetivo é entender melhor essa espécie e, no futuro, melhorar sua genética, tornando-a mais resistente a doenças e ao calor, e mais produtiva.

  • A pirapitinga é um peixe nativo do Brasil e sua genética está sendo desvendada para melhorar a produção.
  • O genoma é como um 'manual' que guarda todas as informações do animal, como crescimento e resistência a doenças.
  • Os cientistas esperam que, com o mapeamento, seja possível criar peixes mais fortes e lucrativos para a aquicultura.
  • O estudo é feito em parceria com a China, que é o maior produtor de peixes do mundo, e pode beneficiar os dois países.
  • Esse conhecimento pode diminuir a necessidade de usar espécies de outros países e ajudar a preservar o meio ambiente.

Enquanto a China produz mais de 55 milhões de toneladas de peixes por ano, o Brasil produz apenas 792 mil toneladas, ou seja, menos de 1,5% do volume chinês. Apesar dessa diferença, o país tem uma grande biodiversidade de peixes de água doce, mas ainda falta pesquisa para explorar esse potencial.

A demanda da China por peixes é tão alta que eles importam muitas espécies, incluindo a pirapitinga, que é muito consumida lá. A pesquisa da Unesp, em parceria com cientistas chineses, é um passo importante para colocar o Brasil em destaque na produção de peixes, além de melhorar a economia local.

O que é o mapeamento de genoma

O genoma é como um manual de instruções do peixe, com todas as informações que determinam suas características, como crescimento, reprodução, atributos físicos e funcionamento dos órgãos. A pesquisadora Ivana Felipe da Rosa explica que o genoma serve como base para entender mais a fundo a localização dos genes e suas funções.

A pesquisadora e sua equipe estruturaram o 'manual' da pirapitinga em nível cromossômico, com 99,8% de precisão.

Por que a pipecul

O estudo é da pesquisadora Ivana Felipe da Rosa, que está fazendo um pós-doutorado na China, em parceria com a Academia Chinesa de Ciências da Pesca. O projeto começou com o estudo do pacu, outro peixe brasileiro, e quando ela chegou à China, precisou escolher um peixe para continuar seus estudos e o que fazia sentido era estudar a pipecul, uma variedade comum na China e importante para a produção local.

A parceria entre Brasil e China mostra como os países são diferentes: o Brasil tem muitas espécies nativas, mas a China tem mais tecnologia e investimento em pesquisa. Segundo o especialista em genética Diogo Teruo Hashimoto, essa troca pode beneficiar os dois países, até com o uso de inteligência artificial na criação de peixes.

Impacto para o mercado brasileiro

O mapeamento não aumenta a produção de imediato, mas cria uma base para identificar genes que fazem o peixe crescer mais rápido, resistir a doenças e suportar calor. Com essas informações, a espécie pode ser melhorada e se tornar mais produtiva e interessante para os criadores.

Além disso, o conhecimento pode ser aplicado em outras espécies nativas, aumentando as opções para a aquicultura brasileira. Isso também pode ajudar a reduzir a dependência de peixes de outros países e diminuir os riscos ambientais, como a fuga de espécies exóticas para o ambiente natural.


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