15 de agosto de 2026

Deriva de herbicidas causa prejuízos de R$ 210 milhões no RS

Geral Herbicidas 15/08/2026 07:51 Redação Digital canalrural.com.br

Estudo revela impactos econômicos da deriva de herbicidas na produção de uva no Rio Grande do Sul, com prejuízos que podem aumentar nos próximos anos.

Um levantamento realizado no Rio Grande do Sul revelou que a deriva de herbicidas, frequentemente utilizados nas lavouras de soja, causou prejuízos superiores a R$ 210 milhões à produção de uva no estado. Os dados foram apresentados pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitinicultura do Estado (CONCEvites RS) e pela Fundação Empresa Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Impactos econômicos significativos

O estudo, inédito e que abrangeu o período de 2018 a 2025, analisou mais de 400 ocorrências de deriva registradas no estado, além de entrevistas em diversas regiões vitivinícolas e análises territoriais. Os principais pontos destacados incluem:

  • Prejuízos econômicos totais de R$ 210 milhões, considerando perdas de produção e aumento nos custos de manejo.
  • Impactos diretos de R$ 161,6 milhões relacionados a casos registrados de deriva.
  • Afetação de pelo menos 700 hectares de vinhedos, com possibilidade de que o número real seja ainda maior.

Consequências para a viticultura

A deriva de herbicidas hormonais compromete o desenvolvimento das plantas, resultando em deformações nas folhas e flores, o que leva a uma queda na produção em um raio de até 30 km. Se o cenário atual persistir, os prejuízos podem ultrapassar R$ 150 milhões em cinco anos.

Medidas para mitigar os danos

O debate sobre o uso de herbicidas hormonais é recorrente no estado. No ano passado, entidades do setor de uva, vinho e maçã conseguiram a proibição do uso de um dos produtos mais utilizados, embora a liberação tenha sido restabelecida posteriormente. Para minimizar os impactos da deriva, a Emater RS desenvolveu o programa Inspea RS, que já treinou quase 24.000 aplicadores. Algumas recomendações incluem:

  • Utilização de bicos de pulverização que produzam gotas grossas, reduzindo o risco de deriva em até 40%.
  • Respeito às condições climáticas, evitando aplicações em temperaturas extremas e com ventos superiores a 10 km/h.
  • Manutenção da umidade relativa do ar acima de 55% durante as aplicações.

Essas medidas visam estimular aplicações mais eficazes e sustentáveis, contribuindo para a preservação da viticultura no Rio Grande do Sul.


Aa

Receba atualizações

no seu e-mail