14 de agosto de 2026

Nível do Cantareira cai mais devagar após medidas de economia

Geral Cantareira 14/08/2026 14:03 Folhapress - Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

O sistema Cantareira, que abastece metade da região metropolitana de São Paulo, está com 35,3% da capacidade, perto do nível registrado no ano passado. A queda desacelerou graças a medidas como redução de pressão na rede e aumento da captação de água, mas o El Niño ainda preocupa.

(FOLHAPRESS) - O nível da água do Sistema Cantareira, responsável por cerca de metade do abastecimento da região metropolitana de São Paulo, está em 35,3% de seu volume total, próximo ao registrado há um ano. Em 13 de agosto de 2025, o reservatório estava com 38,4%.

Como este ano começou com o menor nível do reservatório desde a grande crise hídrica de 2014 e 2015, com 19,29% em 13 de janeiro, havia a expectativa de uma queda muito mais significativa.

  • O Cantareira está com 35,3% da capacidade, quase o mesmo de um ano atrás.
  • A redução da pressão da água à noite já economizou 191 bilhões de litros, o suficiente para abastecer 33 milhões de pessoas por um mês.
  • A captação extra do rio Jaguari aumentou 66% e vale até o fim do ano.
  • Chuvas acima do esperado em junho ajudaram a desacelerar a queda.
  • O El Niño pode atrasar as chuvas e agravar a situação nos próximos meses.

No entanto, medidas adotadas pela Sabesp no último ano, como a redução da pressão da água nos canos durante o período noturno e o aumento da captação do sistema que abastece parte do estado do Rio de Janeiro, fizeram com que a queda do nível do Cantareira perdesse velocidade.

A chamada GDN (Gestão de Demanda Noturna) foi iniciada justamente em agosto de 2025. Segundo a Sabesp, desde então, a iniciativa já economizou cerca de 191 bilhões de litros de água até esta quinta-feira (13), o equivalente ao consumo de aproximadamente 33 milhões de pessoas, mais de duas vezes a população da capital paulista, durante um mês.

Já o aumento da captação do rio Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, foi autorizado pela ANA (Agência Nacional de Águas) no dia 29 de junho. Com o aval, o volume anual máximo de água passível de transposição da usina Jaguari para o reservatório Atibainha em 2026 passa de 162 hm³ (hectômetros cúbicos, ou 162 bilhões de litros) para até 268,28 hm³, uma alta de 66%. A medida vale até 31 de dezembro.

Segundo a ANA, a ampliação temporária da cota de transposição já havia sido adotada em 2021 e 2025, diante da persistência das condições de estiagem.

Outro fator que ajudou a diminuir o ritmo de queda do Cantareira foi a chuva acima do esperado em junho, principalmente nos afluentes que abastecem o sistema.

As afluências acima do previsto naquele mês e na semana de 20 a 26 de julho, quando foi registrado volume de 31,6 mm de chuva, 177% acima do previsto nos modelos meteorológicos, levaram à mudança da faixa 3 para a 2 na curva de contingência do Cantareira, que integra a metodologia de gestão hídrica do estado de São Paulo.

Essa mudança de faixa estadual é diferente da aplicada pela ANA e pela SP Águas no que diz respeito à operação do Cantareira. Nesta, o sistema permanece na faixa 3, de alerta, que estabelece que a Sabesp poderá retirar até 27 metros cúbicos por segundo do sistema.

Com a mudança, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), seguindo recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto pela Arsesp e pela SP Águas, anunciou, no dia 31 de julho, a redução da GDN de 10 para 8 horas em toda a região metropolitana da capital.

Ainda há expectativa de uma queda maior tanto no Cantareira quanto em todo o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), composto por outros seis sistemas: Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço. Atualmente, o conjunto está com 46,2% de sua capacidade.

Isso ocorre porque o fenômeno El Niño já é uma realidade, aumentando a temperatura na região central do país e atrasando o início da estação chuvosa, que normalmente começa em outubro. Quanto mais as chuvas volumosas demorarem a chegar, maior poderá ser a queda no nível dos reservatórios.


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