O Departamento de Agricultura dos EUA aumentou as estimativas de produção de milho e soja para o Brasil e os EUA, mas reduziu a produtividade esperada.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou as projeções para a produção brasileira de milho e soja na safra 2025/26 e também aumentou as estimativas para a produção norte-americana de milho e soja na safra 2026/27. Ao mesmo tempo, o órgão reduziu as projeções de produtividade das duas culturas nos Estados Unidos.
Milho
- Produção de milho dos EUA deve ser de 16,013 bilhões de bushels, um pouco acima do previsto em julho.
- Produtividade do milho nos EUA caiu de 183 para 180 bushels por acre, abaixo da média do mercado.
- Produção de milho no Brasil subiu para 140 milhões de toneladas, alta de 1,45%.
- Estoques finais de milho nos EUA devem cair para 1,653 bilhão de bushels.
- Produção de soja nos EUA aumentou para 4,519 bilhões de bushels, mas rendimento caiu para 52,7 bushels por acre.
A produção de milho dos Estados Unidos na safra 2026/27 foi estimada em 16,013 bilhões de bushels, acima dos 16 bilhões projetados em julho e 0,29% acima da média das estimativas do mercado.
Apesar do aumento na produção, o USDA reduziu a produtividade esperada. A estimativa passou de 183 para 180 bushels por acre, ficando abaixo da média de mercado, de 182,7 bushels por acre.
No Brasil, o USDA elevou a projeção para a produção de milho da safra 2025/26 para 140 milhões de toneladas, contra 138 milhões de toneladas no relatório de julho. A revisão representa alta de 1,45%.
Na Argentina, a produção foi mantida em 63 milhões de toneladas. Com isso, a produção sul-americana de milho foi estimada em 203 milhões de toneladas, contra 201 milhões de toneladas projetadas anteriormente.
Para a safra 2026/27, os estoques finais de milho nos Estados Unidos foram projetados em 1,653 bilhão de bushels, abaixo dos 1,790 bilhão de julho. O número ficou também abaixo da expectativa média do mercado, de 1,745 bilhão de bushels.
Soja
Na soja, o USDA também elevou a estimativa de produção nos Estados Unidos para a safra 2026/27. A projeção passou de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, alta de 0,98% em relação a julho.
Assim como no milho, porém, a produtividade foi reduzida. O rendimento esperado caiu de 53 para 52,7 bushels por acre, abaixo da média das estimativas, de 53 bushels por acre.
No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, contra 180 milhões de toneladas em julho.
A estimativa brasileira ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.
Na Argentina, por outro lado, a produção foi revisada para baixo. O USDA reduziu a estimativa de 50 milhões para 49,5 milhões de toneladas.
Com isso, a produção de soja da América do Sul foi mantida em 242,1 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, os estoques finais de soja para 2026/27 foram projetados em 320 milhões de bushels, contra 310 milhões no relatório anterior.
Trigo
O USDA reduziu levemente a projeção para a produção mundial de trigo na safra 2026/27. A estimativa passou de 819,97 milhões para 819,30 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, a produção de trigo também foi revisada para baixo. A projeção passou de 41,81 milhões para 41,66 milhões de toneladas.
A redução ocorre principalmente em um cenário de menor área plantada. A área destinada ao trigo nos Estados Unidos foi de 46,3 milhões de acres em 2024/25, caiu para 45,3 milhões em 2025/26 e está projetada em 42,7 milhões de acres em 2026/27.
Algodão
O USDA elevou levemente a projeção para a produção mundial de algodão na safra 2026/27. A estimativa passou de 117,26 milhões para 117,63 milhões de fardos no relatório de agosto, o equivalente a aproximadamente 25,62 milhões de toneladas.
O avanço global ocorre mesmo com uma revisão para baixo na produção dos Estados Unidos. A produção norte-americana foi reduzida de 13,70 milhões para 13,61 milhões de fardos, ou cerca de 2,96 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos, a principal mudança veio da produtividade. O rendimento estimado para a safra 2026/27 caiu de 872 para 798 libras por acre colhido, o equivalente a aproximadamente 894 quilos por hectare de pluma. A projeção também fica abaixo dos 852 libras por acre registrados na safra 2025/26.
Apesar da menor produtividade, o USDA elevou a área plantada norte-americana. A estimativa passou de 9,85 milhões para 10,47 milhões de acres, equivalentes a cerca de 4,24 milhões de hectares. A área colhida também subiu, de 7,54 milhões para 8,19 milhões de acres, ou aproximadamente 3,32 milhões de hectares.
Entre os principais produtores, o Brasil aparece com uma revisão positiva. A produção brasileira de algodão na safra 2026/27 foi elevada de 18 milhões para 18,25 milhões de fardos, o equivalente a aproximadamente 3,97 milhões de toneladas.
O Brasil também teve aumento na projeção de exportações, que passaram de 15 milhões para 15,30 milhões de fardos, cerca de 3,33 milhões de toneladas. O consumo interno foi mantido em 3,40 milhões de fardos, ou aproximadamente 740 mil toneladas.
Na China, a produção foi mantida em 33,50 milhões de fardos, aproximadamente 7,29 milhões de toneladas. O consumo interno foi revisado para cima, de 41,50 milhões para 42 milhões de fardos, enquanto as importações permaneceram em 7 milhões de fardos.

Órgão reduziu as projeções de produtividade das duas culturas nos EUA. (Wenderson Araujo)





