A Fiocruz concedeu, nesta quarta-feira (5), o título póstumo de pesquisador emérito a dez cientistas que tiveram seus direitos políticos cassados em 1970, durante o episódio conhecido como 'Massacre de Manguinhos'. A cerimônia ocorreu no Castelo da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e também homenageou Herman Lent e Walter Oswaldo Cruz.
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) concedeu o título póstumo de pesquisador emérito aos dez cientistas cassados durante a ditadura militar, no episódio conhecido como "Massacre de Manguinhos". A homenagem ocorreu nesta quarta-feira (5), no Castelo da Fiocruz, no Rio de Janeiro.
Foram homenageados os pesquisadores Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho. A entrega simbólica do título também foi realizada a Herman Lent, pesquisador emérito da instituição desde 2004, e a Walter Oswaldo Cruz, filho do patrono da Fundação e um dos membros fundadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
- Os cientistas foram cassados em 1970, durante a ditadura militar, e reintegrados à Fiocruz em 1986.
- A cerimônia aconteceu no Dia Nacional da Saúde, nas escadarias do Castelo da Fiocruz.
- O evento foi um "manifesto pela liberdade", unindo os anos de 1986 e 2026.
- O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, afirmou que a ciência deve ser livre e soberana, e que a democracia é essencial.
- O historiador Gilberto Hochman destacou que a homenagem é um ato de memória e reparação aos perseguidos.
Ação no Dia Nacional da Saúde
A ação, realizada no Dia Nacional da Saúde, ocorreu nas escadarias do Castelo da Fiocruz, mesmo local onde, há 40 anos, uma cerimônia os reincorporou à instituição. Em 1986, os pesquisadores foram reintegrados após terem os seus direitos políticos cassados.
Homenagem como manifesto
Realizada após os 40 anos da reincorporação dos cientistas à fundação, a homenagem ocorreu como um "manifesto pela liberdade", estabelecendo uma ponte entre 1986 e 2026, pautada pela premissa de que a ciência se faz com democracia.
A homenagem, segundo o Conselho Deliberativo da Fiocruz, reconhece as trajetórias de Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira, Domingos Arthur Machado Filho e Herman Lent, como marcos do desenvolvimento científico da instituição e do país.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, "houve tempos sombrios quando governantes viam na ciência livre, soberana, uma ameaça (...) Estamos aqui exatamente para que não se repita. E esta afirmação política ainda é necessária mesmo passados 56 anos da cassação dos nossos pesquisadores". Ele completa que essas ações ocorrem como manifesto para que "nunca mais a ciência, a educação e a democracia sejam vistas como ameaças", mas sim como partes constituintes de um país mais justo, desenvolvido e com dignidade para todos.
A ação contou com a apresentação do contexto sócio-histórico da cassação dos pesquisadores, desde o período do governo militar até a reintegração, em 1986. Familiares e herdeiros científicos dos pesquisadores homenageados também estiveram presentes na honraria.
O historiador da COC/Fiocruz (Casa de Oswaldo Cruz), Gilberto Hochman, destacou que a homenagem representa um ato de memória e reparação aos pesquisadores perseguidos pela ditadura. "Um ato para relembrarmos, mais uma vez e sempre, a violência perpetrada pela ditadura militar contra a universidade brasileira e contra as instituições científicas e, principalmente, para celebrarmos a vida e a obra desses nossos cientistas", disse.
Carta dos pesquisadores e outras homenagens
A cerimônia também teve a leitura da carta dos pesquisadores eméritos em memória aos cassados, feita pelo pesquisador Renato Cordeiro. O evento ainda contou com a apresentação de uma impressão do livro O Massacre de Manguinhos, publicado por Herman Lent em 1978.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e as presidentes da ABC (Academia Brasileira de Ciências), Helena Nader, e da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Francilene Procópio Garcia, enviaram mensagens em vídeo.
O que foi o Massacre de Manguinhos
O episódio conhecido como Massacre de Manguinhos foi a perseguição política sofrida por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz durante a ditadura militar. Em 1970, dez cientistas foram cassados e aposentados compulsoriamente pelo regime, em um episódio que atingiu diretamente a pesquisa científica brasileira.
Foram eles: Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira, Domingos Arthur Machado Filho e Herman Lent.

A Fiocruz concedeu a outorga póstuma do título de pesquisador emérito aos dez cientistas da Fundação que tiveram seus direitos políticos cassados em 1970. (Divulgação/Fiocruz)





