05 de agosto de 2026

Mosaic tem prejuízo de US$ 273 milhões e culpa crise do enxofre

Geral Fertilizantes 05/08/2026 07:40 Alessandra Mello - AgFeed agfeed.com.br

A gigante de fertilizantes Mosaic registrou prejuízo no segundo trimestre, afetada pela escassez e alto custo do enxofre, com impacto no Brasil e sem previsão de melhora imediata.

A "tempestade perfeita" para os produtores de alimentos, com margens apertadas e menos investimento nas lavouras, continua afetando os resultados das empresas de insumos, principalmente as de fertilizantes.

A americana Mosaic informou nesta terça-feira, 4 de agosto, que teve prejuízo no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, a empresa teve lucro de US$ 411 milhões, mas agora, por causa da guerra no Irã e do aumento no custo do enxofre, o prejuízo foi de US$ 273 milhões.

  • Prejuízo milionário: A Mosaic teve um prejuízo de US$ 273 milhões no segundo trimestre de 2026, depois de ter lucrado no mesmo período do ano anterior.
  • O que causou o problema: A principal causa foi o aumento do preço e a falta de enxofre, um ingrediente essencial para fazer fertilizantes.
  • Impacto no Brasil: Com os custos altos, a empresa reduziu ou parou temporariamente a produção em várias fábricas no país.
  • O que a empresa está fazendo: Para tentar se recuperar, a Mosaic está cortando gastos, diminuindo investimentos e apostando em produtos biológicos.
  • Previsão para o futuro: A empresa avisa que o próximo trimestre também deve ser difícil, mas acredita que a situação do enxofre vai se normalizar.

Os outros números também foram piores do que no ano passado. A receita (todo o dinheiro que entrou) caiu de US$ 3 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O Ebitda Ajustado, que é uma medida de lucro, ficou em US$ 407 milhões, uma queda de 28% em relação ao ano passado.

Neste cenário, a margem bruta, que era de cerca de 17,3% no segundo trimestre de 2025, caiu para 7,6% agora.

Segundo a empresa, a queda no faturamento aconteceu principalmente por causa da diminuição das vendas nos setores de fosfato e da Mosaic Fertilizantes. Os custos com matérias-primas aumentaram, mas foram compensados em parte por preços mais altos de fosfato e potássio.

"As condições do mercado continuaram difíceis no segundo trimestre, principalmente por causa dos problemas com a disponibilidade e o custo do enxofre", disse o presidente e CEO Bruce Bodine, no comunicado oficial.

"Na Mosaic, estamos focados no que podemos controlar. Reduzimos a produção de fosfatos, cortamos custos, diminuímos os investimentos e fortalecemos nossa situação financeira, mantendo a capacidade de voltar a produzir no máximo quando o mercado melhorar", diz o executivo.

O comunicado também fala sobre a decisão da empresa de "mudar o dinheiro de ativos que não estão tendo um bom desempenho para buscar melhores retornos para os acionistas".

Essa redução de custos e a decisão de abandonar o que não é mais lucrativo é clara no Brasil. A Mosaic Fertilizantes reduziu ou parou temporariamente a produção em várias unidades no país, incluindo fábricas em Minas Gerais, Paraná, Bahia e Goiás.

Sobre o Brasil, o balanço menciona que "houve avanço na avaliação de alternativas estratégicas para os ativos de Araxá e Patrocínio", no item que fala sobre a alocação de capital.

Venda de mina e menos investimento

A empresa diz também que concluiu, no segundo trimestre, a venda de sua mina de potássio em Carlsbad, nos Estados Unidos. Sobre os investimentos previstos para 2026, a empresa informou que agora são de US$ 1,20 bilhão, abaixo da previsão anterior de US$ 1,25 bilhão.

Quando se olha para os diferentes tipos de negócio, apenas o setor de potássio não teve queda. Neste setor, o Ebitda ajustado ficou estável em US$ 278 milhões.

A maior queda foi na unidade de negócios chamada "Mosaic Fertilizantes", que concentra as atividades de produção, mistura e venda de fertilizantes. O Ebitda ajustado neste segmento foi de US$ 60 milhões, comparado com US$ 159 milhões no ano passado.

Sobre este item, o balanço menciona que "a produção de fertilizantes commodities está parando no Brasil, por causa do custo alto e da falta de enxofre".

Já a produção de nutrição animal em Cajati, segundo a empresa, "continua funcionando e dando lucro".

Por causa das paralisações na produção e dos custos altos, a Mosaic já avisa que o próximo trimestre também deve ter resultados ruins.

"As condições econômicas difíceis para os produtores e o impacto das reduções na produção durante todo o trimestre devem afetar negativamente o desempenho financeiro do terceiro trimestre. Como resultado, o Ebitda ajustado do segmento (Mosaic Fertilizantes) no terceiro trimestre deve ficar abaixo do resultado do segundo trimestre", destaca o texto.

Aposta nos bioinsumos

Uma aposta cada vez maior da multinacional é a oferta de bioinsumos, por meio da Mosaic Biosciences. Segundo o balanço, o segmento teve receita de US$ 25 milhões no segundo trimestre.

A Mosaic cita o lançamento de cinco novos produtos no primeiro semestre de 2026 e a expectativa de lançar mais três a cinco novos produtos ainda neste ano.

"A receita em 2026 deve dobrar em relação ao total de US$ 68 milhões registrado em 2025", disse a empresa, sobre a Biosciences.

Apesar da maioria dos números negativos, a Mosaic prevê uma recuperação da demanda para alguns produtos em 2026. No mercado de fosfatados, a expectativa é que a oferta global continue limitada até o fim do ano. No potássio, as condições devem continuar boas, com demanda forte na América do Norte, reposição de estoques no Brasil e importações recordes na China.

A empresa acredita que a atual instabilidade e os altos custos de enxofre e amônia são temporários, embora não se saiba ao certo quando a situação vai normalizar.


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