28 de julho de 2026

Massari Fértil dobra capacidade e mira R$ 1 bilhão em receita

Geral Fertilizantes 28/07/2026 07:40 Luiz Fernando Sá (AgFeed) agfeed.com.br

Após fusão com a Morro Verde, a empresa investe em aumentar a produção de fertilizantes nacionais, defende um novo modelo de adubação para o Brasil reduzir as importações e busca se tornar uma referência no setor.

Sergio Saurin, que hoje comanda a Massari Fértil e a Morro Verde, é formado em matemática e construiu sua carreira no mercado financeiro, onde chegou a ser diretor do Itaú BBA. Mas há 15 anos ele trocou os ternos pelas botinas e entrou de cabeça no agronegócio.

Ele decidiu empreender focando no que considera o começo de tudo: o solo. Fundou a Massari Fértil, uma empresa que busca soluções para o problema de falta de nutrientes das terras brasileiras, e se dedicou a pesquisar o mercado de fertilizantes.

  • A Massari Fértil dobrou sua produção de fertilizantes em apenas seis meses, após se unir à empresa Morro Verde.
  • A meta da empresa é chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão em três anos, algo bem acima dos R$ 500 milhões que as duas empresas faturavam juntas antes da fusão.
  • A empresa investiu mais de R$ 40 milhões do próprio bolso para modernizar as fábricas e aumentar a capacidade de produção.
  • A ideia é usar uma tecnologia que moe os fertilizantes em partículas muito finas para que eles penetrem fundo no solo e liberem nutrientes que já estão na terra, mas não são aproveitados.
  • A empresa se baseia no conceito de usar o fertilizante certo para cada tipo de solo, em vez de aplicar produtos padronizados, como uma "farmácia de manipulação" para o agronegócio.

Quinze anos depois, Saurin continua firme, agora com o objetivo de ser um dos protagonistas do setor. Mas ele segue um caminho diferente, com ideias e práticas que vão na direção contrária de muitos concorrentes.

"Estamos fazendo o contrário do mercado: enquanto outros estão parando de investir e fechando unidades, nós estamos investindo", afirma Saurin.

Em um momento em que várias empresas estão desistindo de investir, parando fábricas e repensando suas estratégias por causa dos preços que sobem e descem, a Massari acelera.

Em pouco mais de seis meses, após a fusão com a Morro Verde, a empresa dobrou sua capacidade de produção de fosfato natural reativo na unidade de Pratápolis (MG), pulando de 500 mil para 1 milhão de toneladas. A meta é chegar a mais de 1,5 milhão de toneladas nos próximos meses.

O faturamento também está crescendo. Quando as duas empresas se uniram, a receita total era de cerca de R$ 500 milhões. Saurin afirma que quer levar esse número para R$ 1 bilhão em três anos.

Enquanto a indústria de fertilizantes sofre com preços altos, problemas geopolíticos e a dependência de outros países, Saurin aposta no oposto.

"O maior desafio do Brasil não é só o preço do fertilizante, é garantir que ele não vai faltar. A segurança alimentar começa pela segurança dos insumos", explica.

Para ele, um dos maiores erros no debate sobre fertilizantes no Brasil é achar que o país não tem recursos minerais.

"O Brasil tem recursos minerais. O desafio não é nem encontrar as reservas. É encontrar uma forma de transformá-las em capacidade industrial", afirma.

Essa convicção foi o que motivou a fusão com a Morro Verde. A Massari viu na jazida de Pratápolis, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, a 150 km de Ribeirão Preto, a chance de provar que sua ideia funciona a partir de uma reserva já conhecida.

Os primeiros investimentos para a expansão foram feitos com dinheiro próprio, mais de R$ 40 milhões. O dinheiro foi usado para reformar as instalações existentes e trazer novas tecnologias de moagem e beneficiamento.

A virada começou no início de 2026. A união das duas empresas juntou a capacidade de criar fórmulas da Massari, que tem mais de 500 fórmulas aprovadas no Ministério da Agricultura, com o minério da Morro Verde, que fica em uma posição estratégica para atender as regiões agrícolas de Minas, São Paulo e Triângulo Mineiro.

A jazida da Morro Verde tem mais de 100 milhões de toneladas de fosfato natural reativo para exploração. Saurin classifica essa formação geológica como "quase única". Além do fósforo, a mesma jazida oferece calcário dolomítico, silicato de magnésio e silicato de potássio.

Com essa diversidade de matérias-primas, a Massari Morro Verde lançou 15 novos produtos desde a fusão. O principal é o DGMS FNR, um composto que mistura dolomita micronizada com enxofre e fosfato natural reativo. Segundo Saurin, o produto fornece cálcio, magnésio, enxofre e fosfato ao solo em uma única aplicação.

Farmácia de manipulação do agro

A Massari se posiciona como uma "farmácia de manipulação do agro", como o próprio Saurin gosta de dizer. A proposta é criar fórmulas sob medida a partir da análise do solo de cada cliente, em vez de oferecer produtos prontos.

"Não precisamos usar mais fertilizantes. Precisamos usar o fertilizante certo", resume.

A estratégia da Massari reflete a visão de Saurin sobre o modelo tradicional de correção do solo usado no Brasil.

"Hoje a agricultura brasileira é baseada em um modelo do passado, que usa produtos como calcários que não corrigem o solo em profundidade", explica Saurin.

Ele diz que não é uma crítica, pois esse modelo foi um sucesso e transformou o Brasil em uma potência agrícola. Mas Saurin acredita que ele não é mais adequado para os próximos desafios do país.

A tese da empresa é que o calcário convencional, aplicado na superfície, não consegue corrigir o pH do solo em profundidade. Sem essa correção, os nutrientes que já estão no solo não são aproveitados pelas plantas.

O resultado, segundo o executivo, é uma ineficiência enorme: "Dizem que temos 100 bilhões de dólares em fertilizantes nos solos brasileiros que não foram solubilizados. Por isso a micronização".

A solução proposta pela Massari tem no centro um processo industrial que reduz as partículas a um tamanho muito pequeno (325 mesh), permitindo que os produtos penetrem no solo sem precisar revolver a terra.

"As plantas não comem, elas bebem. Tem que solubilizar os fertilizantes", diz ele, explicando a lógica da micronização.

Na prática, a correção em profundidade liberaria os nutrientes que os agricultores já compraram e pagaram, ao mesmo tempo que criaria condições para que as rochas brasileiras, com menor concentração de elementos como fósforo e potássio, mas de liberação mais lenta, funcionem como uma "poupança" de nutrientes.

Estratégia de crescimento e presença nacional

Além da jazida de Pratápolis, incorporada com a fusão da Morro Verde, a Massari mantém operações em Salto de Pirapora (SP), parcerias no Tocantins e Mato Grosso do Sul, uma terceira em fase de conclusão no Mato Grosso e estudos de oportunidades no Sul do país.

A empresa também pesquisa novas reservas de fósforo e potássio e avalia o aproveitamento de sobras de outras indústrias, como os resíduos da produção de biogás, para transformá-los em fertilizantes.

No ano anterior à fusão, as duas empresas investiram juntas R$ 80 milhões. A previsão é manter investimentos anuais acima de R$ 50 milhões para sustentar o crescimento.

"Nosso objetivo é continuar investindo para aumentar a capacidade produtiva e fortalecer o agronegócio e a oferta nacional", afirma Saurin.

Em um mercado global de fertilizantes mais restrito, com China e Rússia sinalizando redução de oferta e Estados Unidos aumentando a capacidade própria, a Massari aposta justamente no que o Brasil, segundo o executivo, historicamente negligenciou: o processamento de suas próprias rochas.

"Quem produz fertilizante no Brasil fortalece toda a cadeia do agronegócio", defende.

"O futuro da fertilidade tropical não será apenas aplicar mais, será aplicar melhor. Temos que parar não só de importar fertilizantes, mas reduzir a necessidade e implementar uma forma complementar com o que temos aqui no Brasil, que é totalmente possível."

Se a tese da Massari se confirmar em grande escala, a empresa pode não só atingir a meta de R$ 1 bilhão de receita, mas também se tornar um exemplo de como o uso dos minérios nacionais pode fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.


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