A Anvisa aprovou um novo medicamento chamado glofitamabe, que ajuda a combater um tipo de câncer no sangue chamado Linfoma Difuso de Grandes Células B. Esse remédio reduz o risco de morte em 41% e pode levar à remissão completa da doença em metade dos pacientes. É uma opção para pessoas que não responderam bem aos tratamentos iniciais ou que não podem fazer transplante de medula.
A Anvisa aprovou o registro de um novo remédio chamado glofitamabe, também conhecido como Columvi, desenvolvido pela Roche. Esse medicamento é para tratar adultos com um tipo de câncer no sangue chamado Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB), que é muito agressivo e cresce rápido. Ele é indicado para pessoas que já tentaram o primeiro tratamento, mas a doença voltou ou não respondeu, e que não podem fazer o transplante de células-tronco. Também serve para quem está em estágios mais avançados da doença.
O LDGCB é o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, representando cerca de um em cada três casos. No Brasil, aproximadamente 4 mil pessoas são diagnosticadas com essa doença a cada ano. Embora o primeiro tratamento muitas vezes funcione e possa curar, até 40% dos pacientes podem ter a doença de volta ou não responder bem. Nesses casos, as opções de tratamento são limitadas e a sobrevida é curta.
- O novo remédio reduz o risco de morte em 41% comparado ao tratamento tradicional.
- Metade dos pacientes que usaram o glofitamabe alcançaram a remissão completa da doença.
- O medicamento é um anticorpo biespecífico, que funciona como uma ponte entre as células de defesa do corpo e as células do câncer.
- O tratamento dura cerca de 8,3 meses, com 12 ciclos, e pode ser feito em consultório, sem internação.
- Após o fim do tratamento, o paciente pode ficar um longo período sem precisar de remédios, mantendo boa qualidade de vida.
O glofitamabe é um tipo de medicamento inovador chamado anticorpo biespecífico. Ele funciona como uma ligação entre as células de defesa do corpo e as células doentes. Uma parte dele se conecta à célula tumoral, e a outra parte se conecta a uma célula T, que é uma célula de defesa. Ao unir essas duas, o remédio faz com que o sistema imunológico reconheça o câncer, que antes conseguia escapar, e o combata de forma direta e precisa. O médico Renato Tavares, hematologista, explica que isso traz resultados surpreendentes em comparação com a melhor terapia disponível até então.
A aprovação foi baseada em um estudo clínico global chamado STARGLO. Nesse estudo, o glofitamabe, combinado com quimioterapia, mostrou uma melhora significativa na sobrevida dos pacientes. Os resultados indicaram redução de 41% no risco de morte, 50,3% dos pacientes tiveram remissão completa da doença (contra 22% no grupo de comparação), e houve redução de 63% no risco de a doença piorar. Uma análise mais recente, com acompanhamento de três anos, confirmou que esses benefícios duram muito tempo.
Segundo o médico Renato Tavares, hoje, no Brasil, para pacientes com a doença que voltou, a única chance de cura é através de terapias celulares avançadas, como a terapia CAR-T, que são difíceis de conseguir. Com essa aprovação, muitas pessoas vão poder contar com esse tratamento, que pode ser iniciado poucos dias após a recomendação médica. Isso é muito importante porque a doença é agressiva e progride rápido.
O tratamento é feito por infusão na veia, em ambiente ambulatorial, sem precisar de internação. Ele dura cerca de 8,3 meses, com 12 ciclos. Depois que o tratamento termina, o paciente pode ficar um longo período sem precisar de medicamentos, o que ajuda a manter a qualidade de vida.
Michelle Fabiani, diretora médica da Roche Farma Brasil, afirma que a aprovação do glofitamabe no Brasil traz inovação para pacientes que não podem fazer transplante e que têm pior prognóstico. Ela diz que, por ter duração fixa, o tratamento permite resgatar a perspectiva de uma vida normal, livre de terapia, o que reforça o compromisso da empresa com o acesso a inovações no país.






