11 de julho de 2026

Virginia ganhava 30% do dinheiro perdido por apostadores, diz MP

Geral Aposta 11/07/2026 08:40 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

De acordo com uma ação do Ministério Público do Distrito Federal, a influenciadora Virginia Fonseca recebia uma comissão de 30% sobre o valor que os usuários perdiam ao apostar na plataforma Blaze. Esse modelo de pagamento, segundo o MP, cria um problema porque o lucro dela depende do prejuízo dos seus seguidores, o que é considerado um conflito de interesses.

Virginia Fonseca poderia receber o equivalente a 30% do valor perdido por apostadores atraídos por suas divulgações da Blaze, segundo uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

  • Virginia Fonseca ganhava 30% do dinheiro que os seguidores perdiam nas apostas da Blaze.
  • O Ministério Público acredita que isso cria um conflito: ela lucrava com o prejuízo dos fãs.
  • A influenciadora tem mais de 56 milhões de seguidores e usava sua imagem para divulgar apostas.
  • Durante a Copa do Mundo de 2026, ela postou um story dizendo estar confiante em um jogador e deu um link para apostar.
  • O MP pede R$ 120 milhões de indenização e que Virginia e a Blaze financiem campanhas educativas sobre os riscos dos jogos de azar.

O modelo de remuneração é um dos principais pontos levantados pelo órgão no processo contra a influenciadora e a plataforma de apostas. Na prática, quanto maior fosse o prejuízo dos usuários que entrassem no site por meio das campanhas associadas a Virginia, maior poderia ser o valor recebido por ela.

Para o MPDFT, esse tipo de acordo cria um conflito direto entre o interesse da influenciadora e o de seus seguidores, já que o lucro da contratada estaria vinculado às perdas financeiras dos apostadores.

A estratégia de divulgação nas redes sociais

A ação sustenta que Virginia participou de uma estratégia de captação de consumidores baseada na proximidade construída com o público nas redes sociais. Com mais de 56 milhões de seguidores no Instagram, ela teria capacidade de apresentar apostas como parte da rotina pessoal, reduzindo a percepção de que o conteúdo tinha finalidade comercial.

Um dos episódios citados ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026. Em 3 de julho, Virginia publicou um story afirmando estar confiante no goleiro Vozinha e divulgou um link para apostas na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, pelas oitavas de final.

Segundo os promotores, a postagem não deixava claro que se tratava de publicidade e poderia ser interpretada pelos seguidores como uma aposta espontânea da influenciadora.

O Ministério Público afirma que a possibilidade de Virginia também ter apostado na partida não afasta o caráter comercial da divulgação nem reduz os riscos para os consumidores atraídos pela publicação.

Como funciona o esquema de comissão

A comissão de 30% sobre as perdas seria parte de um mecanismo conhecido no setor como participação na receita ou revenue share. Nesse formato, o parceiro recebe uma parcela do dinheiro que permanece com a casa de apostas depois dos resultados dos jogos.

Na avaliação do MPDFT, o sistema incentiva influenciadores a ampliar o número de apostadores e o volume de dinheiro movimentado, mesmo que isso resulte em prejuízos para os próprios seguidores.

A investigação também reuniu mais de 42 mil reclamações relacionadas à Blaze, incluindo relatos de bloqueio de contas, retenção de valores e dificuldades para sacar dinheiro.

O que o Ministério Público está pedindo

Na ação, o Ministério Público pede indenização de pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos, além da retirada de conteúdos considerados irregulares e da proibição de campanhas que prometam ganhos fáceis ou incentivem apostas em partidas específicas.

O órgão também solicita que Virginia e a Blaze financiem ações educativas sobre os riscos do jogo, do superendividamento e da dependência em apostas.

A defesa da influenciadora afirma que tomou conhecimento do processo pela imprensa e nega qualquer atuação ilegal. Os advogados dizem confiar que os pedidos serão considerados improcedentes pela Justiça.

A empresa responsável pela Blaze no Brasil informou que ainda não foi formalmente intimada e declarou que atua de acordo com a legislação brasileira.


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