10 de julho de 2026

Clima instável: como planejar e regular máquinas para não perder a safra

Geral Plantio 10/07/2026 07:44 Kassi Bonissoni (Ruralpress)

Com o clima cada vez mais imprevisível, os agricultores precisam se preparar bem para o plantio. Ajustar as máquinas, como a plantadeira, e prestar atenção no solo são passos importantes para garantir que a lavoura cresça forte e sem problemas, mesmo com chuvas irregulares ou períodos de seca.

A instabilidade climática prevista para os próximos meses deve aumentar os desafios do plantio no Brasil. O produtor rural precisará de mais planejamento, revisão antecipada das máquinas e ajustes feitos de acordo com a condição real de cada pedaço de terra. Com risco de chuvas irregulares, excesso de umidade, seca localizada e janelas de trabalho mais curtas, a Crucianelli, empresa que fabrica máquinas agrícolas, reforça que a qualidade do plantio depende da combinação entre tecnologia, leitura do solo e tomada de decisão no campo.

  • O clima está cada vez mais imprevisível por causa do El Niño, que pode trazer chuvas demais ou seca.
  • Regular bem a plantadeira é essencial para evitar que as sementes não germinem direito.
  • Em solos muito úmidos, a máquina pode compactar a terra e atrapalhar o crescimento das raízes.
  • Em solos muito secos, a semente pode não ter contato com a terra úmida para brotar.
  • Planejar antes de ir para o campo e revisar as máquinas com antecedência pode salvar a safra.

O tema ganha importância por causa da influência do El Niño sobre o clima. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, águas mais quentes no Pacífico tropical favorecem o fenômeno, que pode mudar os padrões de chuva e aumentar o risco de eventos climáticos extremos. Para a agricultura, isso significa mais necessidade de adaptação, especialmente em etapas sensíveis como o plantio, quando a profundidade, a distribuição, o contato solo-semente e o fechamento do sulco são essenciais para a formação do estande inicial.

O desafio de plantar com clima imprevisível

Este cenário mostra a importância da eficiência no trabalho em uma agricultura que lida com áreas grandes, alto investimento por hectare e a necessidade de aproveitar com precisão cada janela de plantio disponível. Para Guillermo Zegna, gerente comercial da Crucianelli, eventos climáticos extremos tornam a operação mais complexa porque reduzem a previsibilidade das condições de campo. "Fenômenos como o El Niño tornam o plantio mais desafiador porque aumentam a irregularidade no clima e reduzem a previsibilidade das janelas de trabalho. O produtor pode enfrentar excesso de chuvas, solos encharcados e dificuldade para entrar na área, ou períodos de seca, solos mais duros e menos umidade para a semente", afirma.

A regulagem da plantadeira é essencial

Nessas condições, a regulagem da plantadeira passa a ter um papel central. Em solos úmidos, especialmente os com mais argila, o excesso de pressão nas linhas pode compactar ou espelhar o sulco, dificultando o desenvolvimento inicial das raízes. Também crescem os riscos de entupimento, aderência de barro, corte inadequado da palhada e fechamento deficiente. Já em áreas mais secas ou compactadas, a atenção deve se voltar à penetração dos discos, estabilidade da linha, profundidade uniforme e bom contato entre solo e semente. "A umidade define a qualidade de abertura, deposição e fechamento do sulco. Em solos muito úmidos, pode haver espelhamento, compactação lateral e fechamento deficiente. Nos secos, pode faltar terra fina para cobrir corretamente a semente e garantir o contato solo-semente. Por isso, não basta regular a máquina no início do dia: é preciso monitorar constantemente", explica o especialista.

Cuidado com a velocidade de plantio

Outro ponto crítico é a velocidade de plantio. Em janelas mais curtas, a tendência natural é tentar plantar mais hectares por dia, mas a operação não pode comprometer a qualidade da implantação. Velocidades altas em solo úmido podem aumentar o acúmulo de barro e prejudicar o fechamento do sulco. Em áreas secas ou compactadas, podem aumentar a oscilação das linhas e gerar variação de profundidade, com reflexos diretos na emergência das plantas.

Tecnologia para reduzir riscos

Para a Crucianelli, o avanço da agricultura de precisão ajuda o produtor a reduzir parte desses riscos, desde que a tecnologia seja acompanhada por uma leitura correta das condições agronômicas. A Plantor 3.2, plantadeira da marca disponível no mercado brasileiro, por exemplo, tem recursos como dosagem elétrica, corte linha a linha, monitoramento de semeadura, compensação de curva, fertilização variável e controle de pressão das linhas. A máquina também conta com três caixas centrais de 2.400 litros, sistema de carga de alta autonomia e configurações de grande largura operacional, características voltadas à redução de paradas, abastecimentos e deslocamentos.

"Quando a janela se encurta, a estratégia deve estar focada em plantar mais hectares por dia, mas sem abrir mão da qualidade de implantação. Isso implica reduzir tempos de abastecimento, deslocamentos e manobras, além de trabalhar com equipamentos de grande autonomia e largura operacional", destaca o gerente comercial.

Preparação antes de ir para o campo

A preparação antes da entrada no campo também se torna mais importante em safras sujeitas a extremos. A recomendação técnica inclui revisão de discos de corte, sulcadores, discos duplos, limitadores de profundidade, rodas compactadoras, dosadores de sementes e fertilizantes, condutores, sensores, raspadores, mangueiras, sistema de monitoramento e pontos de articulação. Em máquinas com mais tecnologia embarcada, também é necessário verificar sistemas elétricos de dosagem, sensores de fluxo, transporte pneumático, controle de pressão e monitor de operação.

Sinais como sementes em diferentes profundidades, sulcos mal fechados, sementes expostas, palhada mal cortada, excesso de compactação sobre a linha, falhas, duplas e emergência desigual indicam que a máquina pode não estar trabalhando adequadamente. Em cenários de clima irregular, detalhes de regulagem podem se transformar em perdas relevantes, principalmente quando o produtor tem poucas oportunidades para corrigir a operação. "A recomendação é planejar antes de entrar no campo, revisar a plantadeira com antecedência, avaliar umidade e estrutura do solo, regular a máquina conforme a condição do talhão e não abrir mão da qualidade de plantio por velocidade. Em janelas curtas, a eficiência operacional é decisiva", afirma Zegna.

O principal aprendizado, segundo a Crucianelli, é que não existe uma única regulagem para todas as condições. Áreas argilosas úmidas, talhões arenosos secos, solos compactados ou áreas com grande volume de palhada exigem ajustes distintos.


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