A Petrobras alcançou marcas históricas na produção de diesel e exportação de petróleo no terceiro trimestre de 2026, reduzindo a dependência de importações caras devido à guerra no Irã. A estratégia visa manter os preços menores no Brasil, mesmo com perdas financeiras para a estatal.
Em um esforço para evitar a compra de combustível caro no exterior, devido aos efeitos da guerra no Irã, a Petrobras registrou a maior produção de diesel de sua história no terceiro trimestre de 2026, conforme um relatório divulgado nesta quarta-feira (28). A empresa também bateu o recorde na exportação de petróleo e seus derivados no período.
A estatal informou que produziu uma média de 769 mil barris de diesel por dia no trimestre. Esse volume representa um aumento de 6,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a empresa, essa produção extra ajudou a reduzir as importações de diesel, que caíram 8,8% no período, chegando a 110 mil barris por dia.
- Produção recorde: A Petrobras produziu 769 mil barris de diesel por dia, um novo máximo histórico para o trimestre.
- Importação menor: As compras de diesel no exterior caíram 8,8%, o menor nível da história da empresa para o período.
- Refinarias no limite: A capacidade de utilização das refinarias atingiu 99%, cinco pontos acima do ano anterior.
- Perdas e subsídios: O governo paga R$ 3,52 por litro de diesel importado, mas o preço interno está R$ 3,76 abaixo do custo de importação, gerando perdas.
- Exportação alta: As vendas externas de petróleo e derivados bateram recorde com 1,25 milhão de barris por dia, alta de 21,1%.
Estratégia de produção nacional ganha força
A decisão de priorizar a produção interna em vez de importar combustível ganhou força após o início do conflito no Oriente Médio. Essa situação levou a uma escalada nos preços internacionais do petróleo. No segundo trimestre, por exemplo, a Petrobras já havia importado o menor volume de combustíveis de toda a sua história.
As vendas de diesel pela Petrobras no Brasil subiram 4,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, chegando a 849 mil barris por dia. O terceiro trimestre costuma ser um período de alta demanda, impulsionado pelo plantio da safra de inverno e pelo crescimento da atividade industrial.
Refinarias operando no limite da capacidade
Para aumentar a produção interna do combustível, a estatal tem operado suas refinarias no limite da capacidade. No terceiro trimestre, o fator de utilização das plantas atingiu 99%, o que é cinco pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025. Essa operação intensa é fundamental para suprir a demanda doméstica sem depender do mercado externo.
A empresa também ampliou a produção de querosene de aviação, um produto que também foi bastante afetado pela guerra no Irã e que tem grande demanda no terceiro trimestre devido às férias escolares do meio do ano. A alta na produção de querosene foi de 3,4%, alcançando 122 mil barris por dia.
Preços internos abaixo do custo de importação
Desde o início da guerra, a Petrobras vem operando com elevadas defasagens de preços, principalmente no diesel. O produto sofre impacto tanto do fechamento do Estreito de Hormuz quanto dos ataques ucranianos a refinarias russas, fatores que encarecem o custo global do combustível.
Na abertura do mercado desta quarta-feira, o diesel vendido pelas refinarias da estatal custava R$ 3,76 por litro a menos do que o custo de importação projetado pela consultoria StoneX para a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Isso significa que, ao importar, a empresa teria um custo muito superior ao que cobra no Brasil.
O valor praticado internamente é menor do que a subvenção de R$ 3,52 por litro que o governo paga atualmente ao produto importado. Ou seja, segundo esse cálculo, a estatal estaria perdendo R$ 0,24 por litro de diesel importado. A empresa, porém, afirma que utiliza outros parâmetros para definir seus preços, além apenas da diferença cambial e de frete.
Análises apontam risco de aumento futuro de preços
Analistas do banco Itaú BBA alertaram, na semana passada, que a manutenção da defasagem atual entre o preço interno e o custo de produção/importação pode levar a estatal a descumprir sua política de preços em 2026. O cenário econômico global continua instável devido aos conflitos.
"Nesse cenário, a companhia precisaria fazer aumentos adicionais de preço", escreveram os analistas em seu relatório. Isso indicaria que, se a estratégia de preços baixos se mantiver, a Petrobras pode precisar de reajustes mais agressivos no futuro para equilibrar suas contas.
Exportações compensam perdas com combustível interno
A Petrobras tem compensado as perdas com combustíveis no mercado interno por meio do aumento da receita com exportações. No terceiro trimestre, as vendas externas de petróleo e derivados bateram um novo recorde, atingindo 1,25 milhão de barris por dia, uma alta de 21,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho exportador foi impulsionado pelo aumento das vendas de óleo combustível, um produto utilizado na indústria e também no transporte marítimo. A exportação apenas de petróleo bruto da Petrobras somou 987 mil barris por dia, com 40% desse volume destinado à China, principal parceiro comercial da estatal.
Produção de óleo e gás também bate recorde
No terceiro trimestre, a Petrobras produziu uma média de 3,51 milhões de barris de óleo e gás por dia, também um recorde trimestral. Esse resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção em novas plataformas do pré-sal, que têm apresentado bom desempenho.
O recorde anterior, registrado no segundo trimestre de 2026, era de 3,34 milhões de barris por dia. A nova marca consolida a posição da empresa como uma das principais produtoras de energia do mundo, mostrando resiliência mesmo em meio a desafios geopolíticos e de preço no setor de combustíveis.

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