24 de agosto de 2026

Braskem fecha acordo para pedir recuperação extrajudicial

Economia Recuperação 24/08/2026 11:24 Folhapress noticiasaominuto.com.br

A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, enfrenta uma grave crise financeira e fechou acordo com credores para pedir recuperação extrajudicial, um processo de renegociação de dívidas fora da Justiça. A empresa tem uma dívida superior a R$ 51 bilhões, foi afetada por preços baixos no setor e por um desastre ambiental em Maceió, e agora busca reestruturar seus negócios.

A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, fechou um acordo com seus credores para pedir recuperação extrajudicial, informaram fontes nesta segunda-feira (24). A empresa enfrenta uma dívida de mais de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,6 bilhões) e o pedido deve ser feito ainda hoje à Justiça.

A situação financeira da companhia piorou muito por causa dos preços baixos no setor petroquímico e também por causa de um desastre ambiental relacionado às suas minas de sal no Nordeste.

5 pontos rápidos para entender a crise da Braskem:

  • A dívida total da empresa é de R$ 54 bilhões, considerada muito alta.
  • A alavancagem (dívida sobre lucro) está em 14,7 vezes, muito acima do saudável.
  • O desastre em Maceió (AL) causou afundamento de solo e deslocou mais de 60 mil pessoas.
  • A gestora IG4 comprou recentemente o controle da empresa, mas a crise continua.
  • A subsidiária no México também entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos.

A Braskem estava em negociações avançadas para um pedido de recuperação extrajudicial antes do final de agosto, quando terminaria uma proteção emergencial de 60 dias. Ao mesmo tempo, a companhia explora opções de reestruturação para sua subsidiária mexicana. A Braskem não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Fundada em 2002, a empresa nasceu da consolidação de ativos petroquímicos da antiga Odebrecht (hoje Novonor). Atualmente avaliada em cerca de R$ 6,2 bilhões, está muito longe do pico de outubro de 2017, quando seu valor de mercado passava de R$ 60 bilhões.

Na última sexta-feira (21), a petroquímica afirmou ao mercado que ainda não havia decidido sobre a recuperação extrajudicial, mas que intensificou as conversas com credores e avaliou medidas de proteção.

No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 21,72 bilhões, alta de 22% frente ao mesmo período de 2025. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1 bilhão, e o lucro líquido foi de R$ 3,33 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões do ano anterior.

Como a dívida virou um problema

A alavancagem financeira um dos principais medidores do endividamento chegou a 14,7 vezes o Ebitda, muito acima dos níveis considerados seguros. Ao todo, a dívida da companhia é de R$ 54 bilhões.

Em junho, a gestora IG4 concluiu a compra de parte do controle da Novonor na Braskem. A transação envolveu a venda de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social para o fundo Shine I. A Petrobras mantém sua participação, e a Novonor ficou com 4% das ações. O contrato foi assinado em 20 de abril. No ano passado, o IG4 já havia comprado cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor com bancos brasileiros, usando as ações da Braskem como garantia.

Cronologia da crise

Em 2015, a Braskem fez seu último grande investimento: a construção de uma fábrica no México, em parceria com a empresa mexicana Idesa. Foram US$ 5,2 bilhões investidos em uma planta de produção de eteno e três unidades de polietileno.

Logo após a inauguração, em 2016, a Operação Lava Jato atingiu a Odebrecht, controladora da Braskem, e levou a construtora a uma grave crise. A Odebrecht tentou vender sua participação na petroquímica, mas não encontrou compradores por quase dez anos.

O desastre em Maceió

Em março de 2018, começou um dos maiores desastres ambientais do Brasil: o afundamento do solo em bairros de Maceió (AL). A causa foi a extração inadequada de sal-gema em 35 minas subterrâneas, que causou tremores, rachaduras, fendas nas ruas e a evacuação de mais de 60 mil pessoas dos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol.

A mineração foi interrompida em maio de 2019. No mesmo ano, a Odebrecht entrou em recuperação judicial, o que, junto com os problemas ambientais, agravou a crise da Braskem.

Em novembro de 2023, o afundamento do solo voltou a acelerar, e a prefeitura decretou emergência por 180 dias. Menos de duas semanas depois, a mina 18 se rompeu, abrindo uma cratera de 300 metros de diâmetro.

Em novembro de 2025, a Braskem assinou um acordo com o governo de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações pelos danos do afundamento. O valor será pago em parcelas anuais por dez anos, e o governo ainda investirá R$ 2,3 bilhões em recuperação de 13 municípios da região metropolitana de Maceió. Movimentos de vítimas criticaram o acordo, pois estimativas do próprio governo indicam danos superiores a R$ 30 bilhões.

O que agravou ainda mais a situação

Nos últimos dois anos, a Braskem sofreu com o excesso de oferta global de petroquímicos, o que derrubou os preços. As importações baratas da Ásia, principalmente de polietileno, também afetaram o mercado. A participação da Braskem no mercado brasileiro de polietileno chegou a 70%.

Fora do país, a operação mexicana entrou em dificuldades. A Braskem Idesa, subsidiária no México, entrou com pedido de recuperação judicial nos EUA (Chapter 11) na última terça-feira (18). A empresa fechou acordos para abater mais de US$ 920 milhões (R$ 4,78 bilhões) em dívidas e espera sair do processo em 60 a 90 dias. A Braskem, acionista majoritária da Idesa, vai contribuir com US$ 476 milhões (R$ 2,48 bilhões).

A saída da Novonor e a chegada da IG4 trouxeram um alívio momentâneo, já que a gestora é especializada em recuperar empresas em crise. Mas o caminho para a recuperação ainda é longo.


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