O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende a proibição das apostas online (bets) no Brasil como forma de combater o vício em jogos, que tem causado adoecimento, endividamento e prejuízos às empresas. Ele também destaca a importância das novas regras de saúde mental no trabalho.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que é preciso acabar com as bets ou proibir os jogos como forma de proteger os trabalhadores contra o adoecimento causado pelo vício. A declaração foi dada após uma reportagem mostrar que a ludopatia (vício em jogos) já afeta empresas, reduz a produtividade e aumenta os custos com demissões.
Para Marinho, a sociedade precisa pressionar o Congresso para proibir esse tipo de jogo. "Certo mesmo é proibir, é acabar, porque está trazendo adoecimento, empobrecimento e endividamento. É um problema sério", disse durante um evento em São Paulo, ao lado de lideranças como Luiza Trajano, do Magalu, e a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.
Resumo da notícia
- O ministro quer a proibição total das bets no Brasil por causa dos danos à saúde e às finanças dos trabalhadores.
- O vício em apostas já está causando afastamentos e queda de produtividade nas empresas.
- A nova regra (NR-1) obriga as empresas a mapear os riscos de saúde mental no trabalho.
- O STF adiou por 90 dias a possibilidade de multa para empresas que não cumprirem a nova regra.
- O ministro também defende o fim da escala de trabalho 6x1, que considera prejudicial à saúde.
O ministro explicou que as atualizações na NR-1, que obriga as empresas a mapear riscos como o estresse, podem ajudar a combater o adoecimento. Os fiscais já estão orientando os empregadores, mas ele criticou os empresários que foram ao Supremo para tentar adiar a aplicação das multas para quem não cumprir a norma.
"Nós estamos instituindo um processo de análise do ambiente de trabalho. Cobramos responsabilidade dos empregadores. Agora, o que fazem Entram no Supremo para não implantar a norma", lamentou. O ministro disse que não tem problema em esperar mais tempo para multar, desde que as empresas comecem a adotar as medidas de prevenção.
Segundo Marinho, a decisão do Supremo não suspendeu a norma, apenas adiou o início das multas. Nesse período, o foco será o diálogo entre o governo e as empresas para que elas se adaptem. "Espero que as empresas entendam o processo e o implementem, e não trabalhem para impedir as mudanças. O objetivo é cuidar de cada trabalhador e trabalhadora", afirmou.
O ministro também relacionou o tema ao debate sobre o fim da escala 6x1. Para ele, a demora em discutir a jornada de trabalho contribui para o adoecimento no mercado, seja por causa das apostas ou por outros problemas. "Há um processo de empurrar com a barriga o fim da escala 6x1, que é outro fator de adoecimento. As autoridades precisam assumir suas responsabilidades", disse.
Sobre o prazo de 90 dias para negociação, Marinho afirmou que caberá ao ministro do STF responsável pelo caso avaliar as informações apresentadas. Ele defendeu que o diálogo resulte em um compromisso real dos empregadores com a implementação das medidas. Mesmo que o prazo sem multas seja ampliado, o importante é que as mudanças saiam do papel.
"Não tenho problema se o ministro decidir que, nos próximos seis meses, não haja autuação. Mas as empresas precisam mostrar que estão avançando. No futuro, quem não fizer isso será por falta de vontade, e aí faz sentido multar quem não quis cumprir a norma", concluiu.

© Valter Campanato / Agência Brasil





