29 de maio de 2026

Brasil gera 85,9 mil novos empregos em abril, mostra Caged

Economia emprego 28/05/2026 16:56 Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

O Brasil criou quase 86 mil empregos com carteira assinada em abril de 2026, segundo o Caged. Esse número é bem menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado, por causa dos juros altos e da economia mais fraca.

Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que 85.888 vagas de emprego com carteira assinada foram abertas em abril de 2026. Esse número é a diferença entre quantas pessoas foram contratadas e quantas foram demitidas.

O resultado ficou 62,3% menor do que o registrado em março, quando o país criou 227.974 empregos.

  • O total de empregos criados em abril de 2026 é o segundo pior para o mês desde 2020, perdendo apenas para o começo da pandemia.
  • Em abril de 2025, o país tinha gerado 238.216 vagas, quase três vezes mais do que agora.
  • A queda na criação de empregos foi puxada pelos juros altos, que dificultam os investimentos, e pela desaceleração da economia.
  • No acumulado de janeiro a abril de 2026, o Brasil abriu 699.762 vagas, contra 913.827 no mesmo período de 2025.
  • Três setores criaram mais empregos do que demitiram: Serviços, Construção Civil e Indústria. Já a Agropecuária e o Comércio demitiram mais do que contrataram.

A criação de empregos caiu 63,9% em comparação a abril do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 238.216 postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.

Em relação aos meses de abril desde 2020, esse é o segundo resultado mais baixo da série, só perdendo para o mesmo mês de 2020, que registrou o fechamento de 981.342 postos, no início da pandemia de covid-19. A mudança da metodologia impede a comparação com anos anteriores a 2020.

Acumulado do ano

De janeiro a abril de 2026, o Caged registrou 699.762 novas vagas formais. Esse número é 23,4% menor do que o mesmo período de 2025, quando foram abertos 913.827 postos de trabalho. Esses dados incluem ajustes feitos pelo governo quando empregadores entregam declarações fora do prazo.

Setores que mais contrataram

Dos cinco setores analisados, três criaram empregos e dois demitiram mais do que contrataram em abril:

Serviços: +69.601 vagas

Construção civil: +23.525 vagas

Indústria: +9.256 vagas

Os setores que mais demitiram foram:

Agropecuária: -8.378 vagas

Comércio: -8.114 vagas

A queda no comércio já é esperada para abril. Já na agropecuária, as demissões acontecem por causa do fim da safra de soja e do fim dos cultivos de maçã e laranja.

Destaques dentro dos setores

Nos serviços, a saúde humana e os serviços sociais abriram 18.150 vagas. Já o setor de transporte, armazenagem e correio criou 12.235 postos.

Na construção civil, os serviços especializados para construção (como elétrica e hidráulica) abriram 8.745 vagas. A construção de edifícios veio em seguida, com 7.397 postos.

Na indústria, a fabricação de álcool foi a que mais contratou, com 4.522 vagas. Depois vieram o abate e a fabricação de produtos de carne (+2.333) e a fabricação de automóveis e caminhonetes (+1.849).

Regiões e estados

Todas as cinco regiões do Brasil tiveram mais contratações do que demissões em abril:

Sudeste: 44.545 vagas

Nordeste: 18.714 vagas

Centro-Oeste: 10.890 vagas

Norte: 6.651 vagas

Sul: 4.449 vagas

Entre os estados, 24 tiveram saldo positivo e três demitiram mais do que contrataram. São Paulo foi o estado que mais criou empregos (+20.202), seguido por Rio de Janeiro (+11.741) e Minas Gerais (+8.991).

Os estados que eliminaram empregos formais em abril foram Alagoas (-1.505), Rio Grande do Sul (-1.396) e Rio Grande do Norte (-1.396).

Total de trabalhadores com carteira assinada

Com a criação desses novos empregos, o Brasil fechou abril com 47.810.425 trabalhadores com carteira assinada. Isso representa um aumento de 0,18% em relação a março e de 2,26% na comparação com o mesmo mês do ano passado.


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