O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o Quilombo Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, tornando-o o primeiro território quilombola urbano reconhecido oficialmente no estado. A decisão, aprovada no dia 22 de setembro de 2026, garante a preservação histórica e cultural da comunidade, que agora entra para o Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. Na mesma reunião, o Iphan também revalidou festas tradicionais de Santa Catarina e Ceará e tombou a Capela do Cristo Operário, em São Paulo.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tomou uma decisão histórica para a cultura brasileira. O órgão reconheceu novos bens culturais e revalidou outros que já estavam protegidos. A grande novidade é o Quilombo Ferreira Diniz, que se torna o primeiro quilombo urbano a receber o tombamento do Iphan no estado do Rio de Janeiro.
A aprovação ocorreu na terça-feira, dia 22, durante a 114ª reunião do Conselho Consultivo do instituto. Com essa medida, o local ganha status oficial de patrimônio histórico.
- O Quilombo Ferreira Diniz fica no bairro da Glória, no centro do Rio de Janeiro.
- É o primeiro território quilombola urbano tombado no Rio de Janeiro.
- Fica inscrito no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas.
- O Iphan também tombou a Capela do Cristo Operário, em São Paulo.
- O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo, em Guaratinguetá (SP), também foi registrado.
Por que o Quilombo Ferreira Diniz é importante
O reconhecimento legal garantirá a inscrição do território no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. Essa inscrição é fundamental para que o local não seja alterado ou destruído sem a devida avaliação cultural.
Ao explicar a decisão, o Iphan ressaltou a importância histórica e cultural desses espaços. Segundo o instituto, a proteção vai além da preservação física. O órgão destacou a relevância social do lugar para a população local.
Mais do que um espaço de moradia, o quilombo é lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira, informou o Iphan.
Outros patrimônios aprovados na mesma reunião
Não foi apenas o quilombo no Rio que ganhou proteção. Na mesma reunião do Conselho Consultivo, o órgão aprovou o registro de uma festa tradicional em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Trata-se do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, que agora será inscrito no Livro de Registro das Celebrações.
Essa festa acontece todos os anos no Domingo de Páscoa. Durante o evento, cerca de 2 mil cavaleiros desfilam pelas ruas da cidade, criando um cenário único e cheio de tradição.
De acordo com o Iphan, a manifestação une duas tradições muito fortes na história da região. A primeira é o tropeirismo, que era a atividade de transporte de mercadorias que marcou a vida rural no Vale do Paraíba. A segunda é a devoção afro-católica, que influencia as celebrações religiosas da comunidade.
Capela do Cristo Operário recebe tombamento
Além da festa em Guaratinguetá, o Conselho também aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, localizada na cidade de São Paulo. Esse bem histórico é um remanescente da antiga Fábrica Unilabor.
A Capela é considerada um marco importante para a compreensão da história social, industrial e do movimento operário em São Paulo. O período mais relevante da sua história ocorre entre as décadas de 1930 e 1950.
Com o tombamento, a Capela será inscrita em dois livros oficiais: o Livro do Tombo Histórico e o Livro do Tombo das Belas Artes. Isso assegura a preservação do seu valor arquitetônico e histórico para as gerações futuras.
O Conselho também revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio. Esta última é celebrada em Barbalha, no Ceará. A revalidação reforça a proteção de manifestações culturais que já eram reconhecidas como patrimônio brasileiro, garantindo que continuem sendo protegidas por lei.

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