07 de setembro de 2026

Exposição gratuita no Rio reúne obras de 21 mulheres artistas da Amazônia

Cultura Exposição 07/09/2026 15:30 Cristina Indio do Brasil - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Mostra 'Amazônicas: Poéticas femininas' fica aberta até novembro no CCBB RJ, explorando a arte de artistas do Pará, Acre e Amazonas.

A exposição Amazônicas: Poéticas femininas reúne 80 obras de 21 mulheres pioneiras e protagonistas de diferentes gerações dos estados do Pará, Acre e Amazonas, incluindo a Ilha de Marajó. Estação aberta ao público gratuitamente até 16 de novembro de 2026, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), na região central da cidade, a mostra destaca a força da arte contemporânea feminina na região.

A inauguração ocorreu na última quarta-feira, coincidindo com a celebração do Dia da Amazônia, data criada em 2007 e comemorada anualmente em 5 de setembro.

  • A mostra é idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS) e percorreu Belém, Fortaleza e Brasília antes de chegar ao Rio.
  • Pela primeira vez, uma exposição reúne de forma integrada as artes de Manaus e Belém, grandes centros culturais do território.
  • Os quatro núcleos temáticos abordam gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade.
  • Há recursos de acessibilidade, como obras táteis, audiodescrição e intérprete de Libras.
  • A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis pelo site do CCBB ou retirada na bilheteria.

Curadoria baseada em pesquisa acadêmica

Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a exposição ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB RJ. A diretora artística Sissa Aneleh explica que a curadoria nasceu do seu mestrado e doutorado em arte, focados na produção das mulheres da Amazônia. Durante as pesquisas, ela identificou uma tradição artística marcante na região.

A seleção inclui obras desde a década de 1970, passando por peças mais antigas que se aproximam do centenário, até exemplos de arte moderna do norte do Brasil. A curadora destaca a predominância da pintura e da performance, com menos espaço para esculturas, objetos e vídeo-arte.

Fui encontrando as artistas e identificando as principais. É muito forte a pintura e a performance, outras têm produção em menor quantidade, como esculturas, objetos e vídeo-arte, disse em entrevista à Agência Brasil.

União entre Manaus e Belém

Um dos pontosalto da mostra é a integração histórica entre os cenários de Manaus e Belém, que são considerados dois polos culturais fundamentais da Amazônia. Sissa Aneleh aponta que a força política e cultural do território é frequentemente associada à natureza, mas abriga uma comunidade artística com papel importante na história da arte brasileira.

A escolha das participantes baseou-se na permanência do tema amazônico em suas obras e na presença constante do universo feminino. Entre as obras destaque, está a de Val Sampaio, uma foto-performance com objeto que retrata uma indígena escravizada que, após se libertar, foi para a cidade, construiu família e tornou-se matriarca, cuidando sozinha de filhos e netos.

Enquanto Belém representa fortemente o matriarcado, Manaus se destaca por registros históricos únicos. Segundo a curadora, a cidade é palco do primeiro grafite em grande escala feito por uma mulher, em homenagem à figura da mãe indígena, feito pela grafiteira Wêra Tini.

Identidade afro-indígena e ancestralidade

A Wêra Tini apresenta também um vídeo que registra a presença de sua tia, mãe, filha e avó, reforçando a linha de sucessão feminina e sua conexão histórica com o território. O vínculo com a terra é central nas obras, muitas usando a paisagem amazônica como suporte, motivo e objeto artístico em si.

Sissa destaca o trabalho de Keila-Sankofa, que aborda a identidade afro-indígena do norte do Brasil. A curadora aponta que, diferentemente de outras regiões onde se separa as culturas indígena e afro, na Amazônia essa mistura é muito forte e presente no imaginário coletivo.

A mostra também foca na ancestralidade e no ineditismo, incluindo três obras da Pinacoteca do Estado do Amazonas que, pela primeira vez, saem de Manaus para serem exibidas no resto do país. O destaque vai para Rita Loureiro, pintora que comprovou a existência de uma profissão de pintura na cidade desde as décadas de 1960 e 1970, e Maria Auxiliadora Zuazo, gravurista com produção da década de 1970.

São obras de duas mulheres pioneiras: a Rita Loureiro, pintora que desde a década de 60, 70 comprovou que existia uma profissão de pintura em Manaus; e Maria Auxiliadora Zuazo, gravurista que também tem obras da década de 70.

Núcleos temáticos e artistas participantes

A exposição está organizada em quatro núcleos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas. Esses temas tratam de questões como gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade cultural. A diversidade de técnicas inclui pintura, escultura, fotografia, gravura, objetos, arte digital e vídeo-arte.

As artistas representadas na mostra são Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wêra Tini e Yaka Huni Kuin.

Para facilitar a inclusão, o ambiente conta com recursos de acessibilidade, incluindo obras táteis, audiodescrição dos trabalhos e presença de intérprete de Libras. Além disso, durante a temporada, serão realizadas visitas guiadas pela curadora e palestras com algumas das artistas participantes. Um catálogo com as obras da mostra também foi lançado.

Outra atração é o vídeo Mensagem para a Amazônia, uma obra coletiva em construção ao longo da itinerância da exposição. A curadora convida o público a deixar mensagens sobre a importância da preservação ambiental, integrando a experiência ao tema da mostra.

Metaverso e atividades educativas

Além da apreciação das obras físicas, os visitantes podem interagir com o Espaço Petrobras Amazônicas. O local oferece uma experiência de realidade aumentada com óculos 3D, permitindo uma viagem espacial imersiva e a visualização de obras em formato de realidade virtual, oferecendo uma visão em 360 graus de forma inovadora.

Para as mulheres da região e do público em geral, a programação inclui oficinas de economia criativa. O objetivo é incentivar o desenvolvimento profissional e a atuação de mulheres em áreas técnicas e artsticas, como produção executiva e projetos coletivos. A ideia é ampliar a formação técnica e artística para quem deseja iniciar ou continuar uma carreira no universo das artes visuais.

Há também uma atividade voltada ao público infantojuvenil chamada Sons da Natureza. A atividade busca criar memórias sensoriais, utilizando réplicas de esculturas inspiradas em sementes e sons de animais de Marajó para uma vivência lúdica e educativa.

Programação educativa para escolas públicas e privadas, grupos diversos e famílias também estão disponíveis durante toda a duração da exposição, reforçando o caráter educativo do projeto.

A entrada é gratuita. Os ingressos podem ser obtidos pelo site bb.com.br/cultura ou retirados na bilheteria do CCBB, localizada na Rua Primeiro de Março, 66, no Centro do Rio de Janeiro. A mostra funciona de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, com fechamento aos domingos.

O evento foi aprovado na Seleção Petrobras Cultural, possui patrocínio da Petrobras via Lei Rouanet, realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.


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