17 de agosto de 2026

Professor transforma ditadura em aventura para jovens

Cultura Literatura 17/08/2026 09:14 Veriana Ribeiro, da assessoria com.tato

O professor e escritor Danilo Heitor lança 'Projeto Futuro', um livro que mistura ficção científica e suspense para ensinar jovens sobre a ditadura militar e direitos humanos.

O que acontece quando os crimes de uma ditadura não ficam no passado Em Projeto Futuro, novo romance do escritor e professor Danilo Heitor, a resposta passa por viagens no tempo, conspirações científicas e duas adolescentes determinadas a desafiar estruturas de poder. O livro, publicado pela editora País Nenhum, combina ficção científica, suspense e memória política para jovens adultos.

A trama acompanha Soraia e Leilane, duas amigas que estão terminando o ensino médio. Tudo começa quando Soraia lê, sem querer, um e-mail do pai, o doutor Miqueias, coordenador de Física Teórica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo. A mensagem revela a existência de um projeto secreto da ditadura militar que usava presos políticos como cobaias em experimentos de viagem no tempo. Décadas depois, o projeto foi retomado pelo atual chefe do instituto, com interesses que ignoram qualquer limite ético.

  • O livro é voltado para o público jovem adulto e mistura ficção científica com realidade histórica.
  • As protagonistas são duas adolescentes que investigam um projeto secreto da ditadura.
  • A história se passa em São Paulo, incluindo o Cemitério Dom Bosco, em Perus, onde foram achados restos de desaparecidos políticos.
  • O autor é professor de Geografia e se inspirou em suas alunas para criar as personagens principais.
  • O livro questiona até onde a ciência pode ir e o que é ético quando se trata de justiça.

Investigando o passado

Decididas a impedir novos crimes, as amigas planejam uma ação arriscada. Elas trocam o isqueiro do pai por um gravador de voz, entram no IPT com a desculpa de um trabalho escolar e encontram documentos com termos como material humano e descarte político. A investigação mostra que o experimento continua ativo e que os responsáveis farão de tudo para manter o segredo.

O clímax acontece no Cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte de São Paulo, local onde foram encontrados restos de desaparecidos políticos. Escondidas em um jazigo, Soraia e Leilane usam um drone para transmitir a operação ao vivo, mas uma descarga elétrica atinge a plataforma e vira tudo em uma fuga desesperada.

Uma história com emoção e amizade

Além do suspense, o livro mostra a amizade entre as duas jovens, o luto de Soraia pela mãe, a relação com o pai e a descoberta de que seu tio é um desaparecido político. A narrativa alterna momentos de tensão com situações do dia a dia, aprofundando os sentimentos das personagens.

Outro recurso são os diálogos misteriosos que abrem cada capítulo. Só no final o leitor entende essas cenas, que se conectam à história dos desaparecidos políticos e à trama principal.

Ficção para discutir ética

O autor, influenciado por escritoras como Ursula K. Le Guin e Octavia Butler, usa a ficção científica para falar de temas importantes como o uso político da ciência, os limites éticos do progresso e a responsabilidade das instituições. O livro faz uma pergunta central: diante de graves violações de direitos humanos, é certo quebrar regras para impedir novas injustiças

Essa reflexão aproxima o livro de debates atuais sobre memória, reparação histórica e o papel das novas gerações na transformação da sociedade.

A história pessoal do autor

Danilo Heitor é filho de militantes perseguidos pela ditadura e cresceu ouvindo histórias de pessoas que foram presas, torturadas ou desapareceram. Por isso, o tema é tão importante para ele. Ele conta que escolheu duas meninas como protagonistas porque, em suas aulas, elas são as mais curiosas e questionadoras.

O professor levou cinco meses amadurecendo a ideia e escreveu a primeira versão em dez dias, um capítulo por dia. Ele também teve ajuda de amigos na revisão. O trabalho resultou em sua obra mais longa, com mais de 27 mil palavras.

Projeto Futuro é publicado pela editora País Nenhum, criada pelo próprio autor em 2025 para dar espaço a autores do Sul Global. O livro já o destacou como finalista de prêmios importantes.


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