28 de julho de 2026

Atrizes famosas contam como criam grandes vilãs de novela

Cultura Novelas 28/07/2026 07:11 Naiara Andrade - Extra extra.globo.com

Isabel Teixeira, Lilia Cabral e Susana Vieira se encontraram no programa 'Conversa com Bial' para falar sobre como fazem para interpretar as vilãs que marcam a história da televisão brasileira. Elas explicam a diferença entre criar um personagem de verdade e fazer uma caricatura, e contam histórias dos bastidores que ninguém conhecia.

Quem gosta de novela não esquece de Branca Letícia, a socialite metida a rica vivida por Susana Vieira em 'Por amor' (1997). E também não esquece de Marta ('Páginas da vida', 2006), Valentina ('O Sétimo Guardião', 2018) e Maristela ('Garota do momento', 2025), as megeras interpretadas por Lilia Cabral. As duas atrizes são as convidadas do 'Conversa com Bial' desta terça-feira (28), junto com Isabel Teixeira, que vive a maior vilã do momento: a Pilar, de 'Quem ama cuida'.

  • Isabel Teixeira aprendeu que a câmera filma o pensamento do ator, e que a vilã não pode ser só malvada, precisa ter uma verdade por dentro.
  • Lilia Cabral contou que antigamente as novelas precisavam mostrar claramente quem era o vilão, mas hoje em dia os personagens são mais complexos.
  • Susana Vieira revelou que a maldade de sua personagem Branca estava no texto: ela sentava, pedia torradas e já falava coisas terríveis.
  • As atrizes discutiram quem é mais vilã: a pessoa que fala maldades ou a que toma atitudes graves, como trocar bebês.
  • Isabel Teixeira disse que adora ser xingada na rua por causa da Pilar, porque isso mostra que a personagem está convencendo o público.

Durante o encontro, as convidadas pensaram sobre o que faz uma grande vilã, conversaram sobre a linha fina entre criar um personagem de verdade e fazer uma caricatura, e contaram histórias dos bastidores de papéis que marcaram suas carreiras. Para Isabel Teixeira, fazer uma antagonista exige que a atriz encontre a verdade da personagem. 'A atriz vive de subtexto. A personagem fala uma coisa e pensa outra. E o pensamento aparece. Aprendi com o diretor Walter Carvalho que a câmera filma pensamento', afirma.

Lilia Cabral lembrou que a linguagem das novelas mudou com o tempo e que a busca por personagens cada vez mais complexas acompanha essa transformação. 'Acho que antigamente era preciso deixar muito claro para o público quem era o vilão. Houve uma evolução da linguagem. Isso não significa que os vilões deixaram de existir, mas que ficou cada vez mais importante buscar uma verdade interna', analisa.

Durante a conversa, as atrizes também comentaram o fascínio que essas personagens exercem sobre o público. Isabel se divertiu ao contar as reações que recebe nas ruas por causa da Pilar de 'Quem ama cuida': 'O que eu estou curtindo mesmo é ser xingada. Quando alguém me encontra e reclama da Pilar, eu digo: 'Pode xingar!'. É sinal de que a personagem chegou nas pessoas'.

Susana Vieira destacou a importância do texto na construção de Branca Letícia de Barros Mota: 'A vilania dela era o texto. Ela sentava à mesa, pedia duas torradas e dizia coisas terríveis. Depois descobri que o Manoel Carlos colocava nela muitas das críticas que fazia à sociedade'.

A lembrança levou a conversa a um questionamento: seria Branca mais vilã do que Helena (Regina Duarte), que trocou os bebês na trama Lilia Cabral ampliou a reflexão: 'Quem é mais vilã A pessoa que fala barbaridades ou alguém que toma uma decisão como trocar bebês, por exemplo Às vezes, a vilania está em um gesto, numa escolha aparentemente silenciosa'.

O episódio também falou sobre a tradição da teledramaturgia brasileira e o papel das novelas na formação cultural do país. 'Estamos há mais de 70 anos fazendo novelas. Eu fui criada por novelas. Quando ouvi a voz da Susana hoje, veio uma memória muito antiga. É uma voz da minha família. E não é só da minha família, é da família de milhões de brasileiros', disse Isabel Teixeira.

Além da conversa sobre as grandes antagonistas da TV, o programa trouxe um momento descontraído em que as atrizes reviveram trejeitos, olhares e frases marcantes de personagens como Branca, Marta e Pilar.


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